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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 178

A Luta de Punhos e a Imunidade ao Veneno

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Capítulo 178 – A Luta de Punhos e a Imunidade ao Veneno

O som pesado de metal se chocando ecoava sem parar. Soco, defesa, soco, defesa, soco, defesa, soco…

Como se houvesse alguma regra, as duas trocavam socos alternadamente. Aos poucos, a velocidade foi aumentando, até virar uma sequência de golpes respondendo golpes,

— Yaaaaaaaaaaah!!

— Haaaaaaaaaaaah!!

GAKIIIIN! Com um estrondo tremendo, os socos direitos desferidos com toda a força se chocaram, punho contra punho.

As duas ficaram paralisadas por um instante naquela posição, e sorriram uma pra outra, cúmplices. Para com essa vibe, sério.

Baa!, as duas saltaram pra trás ao mesmo tempo, avançaram de novo, e, dessa vez, desferiram chutes altos simultaneamente. O som metálico das proteções nos pés ecoou, seguido de novo pelo som de manoplas se chocando.

— Yaah!!

Com um grito rasgado, o chute giratório da Elsie foi bloqueado pela manopla da Sonia-san, mas, sem conseguir absorver todo o impacto, ela recuou levemente. Aproveitando isso, a Elsie deu um passo à frente pra continuar o ataque, mas a Sonia-san girou o corpo rapidamente e desferiu, como um chicote, um golpe da cauda pesada.

Sem conseguir desviar completamente daquele golpe de cauda grossa vindo de lado, a Elsie absorveu o impacto pesado e acabou recuando.

Dessa vez, foi a Sonia-san quem aproveitou pra atacar, com um chute voador, mas foi bloqueado pela Elsie, que cruzou os dois braços. A Sonia-san então chutou fora aquele braço na hora e girou pra trás, abrindo distância da Elsie.

Avança e recua, avança e recua — a batalha intensa continuava, e o local esquentava junto.

— Moroha-chan, o que você acha dessa partida?

— Sei lá. Se fosse espada, eu diria, mas, quando é "punho", hein… Bom, pelo jeito de lutar até agora, dá pra dizer que a Elsie leva vantagem em velocidade, e a Sonia, em força — mas não é uma diferença tão grande assim. Só que a Sonia tem uma carta na manga.

Aquele "hakkei", né. Parece que precisa de uma pausa pra usar, então só resta não dar essa brecha.

Do lado da Elsie, seria ótimo se ela pudesse usar [Boost]. Assim como a Yae, a Elsie também assistiu vários vídeos de artes marciais no meu smartphone e incorporou várias coisas na própria técnica, mas só isso não é suficiente.

No palco, o esgotamento físico já começava a aparecer, e os movimentos das duas ficaram um pouco mais lentos. Mesmo assim, nenhuma parava, e a troca de socos continuava.

O rasteira da Elsie pegou em cheio, e parecia que a Sonia-san ia cair de costas, mas, com a cauda grossa, ela se apoiou e recompôs a postura. Impressionante, aquela cauda. Será que ajuda a manter equilíbrio, tipo dinossauro.

Dessa vez, aquele ataque de cauda foi contra a Elsie. Sem desviar, assumindo o dano, ela recebeu de cheio. E, sem deixar escapar, segurou com as duas mãos, colocou no ombro e a arremessou com força, tipo projeção de ombro.

— Daaah!!

— Guh…!!

Com a Sonia-san esmagada contra o palco, a Elsie desceu o soco de acabamento. Mas a Sonia-san rolou de lado, desviando, saltou de volta em pé, e, de uma posição semi-agachada, desferiu um golpe de palma. Perigo!

— Haa!!

DON! A Elsie foi arremessada longe. Rolando pelo palco, conseguiu se segurar bem antes de cair pra fora.

Que perigo! Quase virou o mesmo desfecho da Lu.

Aquilo é problemático mesmo. Além de invisível, é um ataque à distância. Nunca levei um golpe daqueles, mas, pelo jeito que ela foi jogada, deve ser um dano considerável.

De fato, a Elsie estava de joelhos, parecendo sofrer bastante. Sem deixar escapar essa chance, a Sonia-san começou o ataque. A Elsie se levantou pra revidar, mas, ainda sentindo o dano anterior, ficou só na defensiva. Se recuar mais, sai do palco — do jeito que tá, vai ser empurrada até a derrota.

— Haaaaah!!

O punho direito desferido pela Sonia-san foi segurado firme pela mão esquerda da Elsie. Com a mão direita presa assim, ela desferiu a esquerda, mas essa também foi segurada pela mão direita da Elsie. Então, aproveitando o momento em que a Sonia-san tentava levantar uma perna pra chutar, a Elsie caiu pra trás, arrastando-a junto.

Direto, ela colocou o próprio pé na barriga da Sonia-san e chutou com força, arremessando-a pra cima.

Bem irregular, mas será que isso é um "tomoe nage"?

A cabeça da Elsie, caída, ultrapassava a borda do palco, mas, pelas regras, só perde se cair de vez — então tá dentro do permitido.

— Ugh…!

Do jeito que tá, ela vai ser derrubada pra fora. A Sonia-san torceu o corpo no ar, soltando-se da mão da Elsie, girando a cauda com força pra deslocar o centro de gravidade de volta pro palco.

De algum jeito, a Sonia-san conseguiu aterrissar na beirada do palco, mas, sem perceber, a Elsie já tinha contornado pra frente dela.

— Yaaaaaaaaaaaaaah!!

O soco direto da Elsie, carregado com toda a força, foi disparado. Talvez por reflexo, a Sonia-san bloqueou com a manopla. Bom, naquela posição, deve ter sido difícil desviar mesmo.

Como resultado, a Sonia-san foi arremessada pro ar e caiu no chão. Decisão tomada.

— Vencedora, Elsie Shilueska!

A voz do juiz ecoou alta, e o local explodiu de animação de uma vez. Aplausos e gritos de festa choveram sobre as duas.

— Venceu! A Elsie venceu!

A Sue erguia os braços, animada, mas, sinceramente, aquilo pareceu mais um empate de desgaste. Afinal, nenhuma das duas conseguiu nocautear a outra. Bom, mesmo sem se prender às regras, se fosse combate real de verdade, acredito que a Elsie teria vencido.

De volta ao palco, a Sonia-san e a Elsie trocaram um aperto de mãos, e nós também aplaudimos as duas.

Com isso, empatamos em uma vitória e uma derrota. Falta só duas vitórias entre Yae, Hilda e Pam pra garantir a final.

Achei que, se alguém perdesse, seria a Pam, mas era preocupação à toa. A Pam, na terceira partida, decidiu o combate em apenas três minutos. Com um espírito e ímpeto tremendos, avançou como tempestade e derrubou o adversário pra fora do palco.

Na partida seguinte, a Yae entrou e também resolveu com facilidade. Com três vitórias conquistadas rapidamente, a tribo Lauri derrotou a tribo Rurushu e avançou pra final.

— De algum jeito, deu certo.

Mais do que as duas tribos que enfrentaríamos na final, aquela tribo Rurushu foi um adversário e tanto — respirei aliviado.

Elogiando o esforço de todo mundo que saiu do Domínio da Árvore Sagrada, lancei magia de cura e [Refresh] por precaução. Especialmente na Elsie e na Lu, com bastante cuidado.

Ah, e, sem esquecer, também lancei [Slip] no Renetsu-san, fazendo-o cair espetacularmente. Enquanto conversava com o pessoal da tribo Rurushu, o Renetsu-san caiu de costas, batendo a nuca no chão de um jeito e tanto. Confuso, sem entender nada, ele se levantou e conferiu a sola do pé. Como era chão de terra, não deve ter sofrido dano nenhum sério.

— O que você tá fazendo…

— Ah, é que a Lu levou uns golpes e fiquei meio irritado.

— Eu também levei uns bons golpes, viu.

— Com vocês, por algum motivo, não fiquei irritado. Parecia até dorama de adolescente.

A Elsie fez bico, emburrada. Não, se duas garotas trocam socos rindo, é natural achar estranho. Bom, se o adversário fosse homem, com certeza teria dado uma surra sem dó.

— De qualquer forma, falta só uma vitória pra terminar. Boa sorte. E, aliás, isso aqui.

Entreguei pra Elsie e as outras uns comprimidos num vidrinho pequeno, tipo bala de refrigerante. É o antídoto que a Belflora fez antes. Se veneno entrar no corpo, purifica na hora.

— O veneno espalhado no palco, bloqueiam com a máscara até a hora de entrar; assim que a própria partida de vocês começar, coloquem isso na boca. Chupando isso, mesmo que levem golpe daquelas garras, o veneno não vai fazer efeito. Também protege contra o que está espalhado. Enquanto estiver na boca, dura cerca de 10 minutos, então é bom cada uma levar uns três comprimidos.

A Elsie e as outras receberam os comprimidos e voltaram pro Domínio da Árvore Sagrada.

Quando também íamos voltar pra arquibancada, ouvi um grande alvoroço vindo do local. Não sendo um burburinho comum, voltamos até o pessoal da tribo Lauri, e a tribo Rivet já tinha conquistado três vitórias — a decisão já estava feita. Ei, ei, isso é rápido demais, não? O que aconteceu?

— Assim que a partida começou, a tribo Remna adversária avançou pra atacar. Logo depois, caiu de repente. Parece que usaram algo como dardo soprado. E, ainda por cima, uma agulha extremamente fina, quase impossível de perceber a olho nu. O veneno espalhado, eles bloqueavam com máscara, mas, contra veneno que entra direto no corpo, não tinha jeito. E, além disso, o veneno usado é de ação instantânea. Talvez não chegue a ameaçar a vida, mas, se o tratamento atrasar…

Ouvindo a explicação da irmã Moroha, que estava assistindo a partida, olhei pro local, e a Elsie já se aproximava do pessoal da tribo Remna, entregando alguns dos antídotos de antes. Certo, com isso deve ficar tudo bem. Tem bastante comprimido, então dividir um pouco não é problema.

— Mesmo assim, dardo soprado, hein. De fato, com essa finura, se não usasse veneno, não teria como funcionar como arma.

Se fosse do tamanho de faca de arremesso ou dardo, seria diferente, mas isso é veneno de ação instantânea. Um golpe fatal só. Bom, sem matar de fato, claro. Que tipo de veneno será.

Se causa paralisia, deve ser neurotóxico — lembra da tetrodotoxina do baiacu. Mas aquilo não tem ação tão instantânea assim. Começa com dormência nos membros, e o veneno vai se espalhando aos poucos.

Bom, nunca vi baiacu neste mundo, então devem existir vários venenos originais daqui. Pensando assim, dá pra ver o quanto é impressionante a Belflora conseguir criar um antídoto pra isso…

Se tivesse como usar magia, [Recovery] resolveria na hora. De qualquer forma, não dá pra baixar a guarda.

Enquanto isso, o último palco se ergueu no Domínio da Árvore Sagrada.

Nesse palco, um pouco mais amplo que os anteriores, os cinco representantes da tribo Lauri e os cinco da tribo Rivet se encaravam em silêncio.

A Yae e as outras já estavam com a máscara antigás cobrindo o rosto. Aliás, os juízes também usavam máscara. À primeira vista, todo mundo de máscara é uma cena bem estranha.

A partida começou.

A ponta era a Yae. O adversário era aquele homem corcunda de garras de outra hora. Na máscara dele, havia um pequeno bico tipo palito de dente. Deve ser dali que dispara o dardo soprado.

Imagino que, mesmo de máscara, ainda dá pra respirar normalmente, então dar sopro pro dardo deve ser possível mesmo sem segurar na boca. Se estiver fixado na máscara, já é suficiente.

A Yae tirou a própria máscara e colocou o comprimido na boca. Com isso, o veneno não vai fazer efeito nela. Vendo aquela ação com desconfiança, o homem corcunda ergueu as garras metálicas, e a Yae puxou a katana devagar da bainha.

— Começar!

Assim que a partida começou, a Yae disparou em velocidade máxima contra o homem corcunda. Diante dessa ação repentina, o homem corcunda, apressado, disparou o dardo pela boca — eu consegui ver isso. Mas a Yae, protegendo só os olhos com a mão esquerda, avançou direto pra dentro da guarda dele, sem se importar se o dardo cravasse nela, e desferiu com toda a força um golpe no tronco completamente desprotegido dele.

— Ogubuhaah!!

Soltando um grito sem sentido, o homem corcunda foi arremessado em rotação e caiu, "zubesha!", no palco.

— Vencedora, Kokonoe Yae!

Vitória instantânea. Diante de uma partida tão rápida assim, o local ficou em silêncio por um instante, mas logo explodiu num grito de festa avassalador.

Aquilo, ela já esperava a chegada do dardo. Entendi, deve ter perguntado pra tribo Remna agora há pouco.

— Impossível… por que o veneno não fez efeito!?

Enquanto soltava essa exclamação, o segundo competidor, um homem de rosto tipo sapo e braços longos, encarou a Hilda. Ainda incrédulo com o que acabou de ver, parecia agitado, mas isso não é problema meu.

Assim que a partida começou, a Hilda, do mesmo jeito que a Yae, fechou a distância de uma vez, sem sequer desviar do dardo venenoso disparado, e arremessou o homem-sapo adversário longe.

— Guwarabah!!

O veneno não fez efeito nenhum. Isso deve ter causado um choque desesperador pra eles. Chegando ao terceiro homem, ele apenas ficou parado, tremendo todo, diante da Pam, que empunhava o machado.

Claro, sem chance nenhuma. Confirmando de novo que o dardo venenoso não tinha efeito, ele acabou recebendo o machado da Pam bem de frente.

— ………..!!

Sem forças nem pra gritar, o homem da tribo Rivet caiu devagar, completamente desacordado.

— Vencedora, Pam! Portanto, a "Tribo do Rei das Árvores" desta vez é decidida: a tribo Lauri!!

Três vitórias diretas. Uma final surpreendentemente sem graça, mas, mesmo assim, aplausos e gritos de festa choveram, sem reservas, sobre a tribo que venceu o "Ritual da Poda".

A Pam soltou um grito de vitória (grito de "vitória feminina"?) no palco, e o pessoal da tribo Lauri respondeu com gritos de celebração.

Terminou, então. Bom, tudo é bem que termina bem.

Foi nesse momento que senti uma presença áspera e estranha.

— O que é isso?

Zuzuzuzu… um tremor grave e surdo ecoou, e as árvores ao redor, fora do Domínio da Árvore Sagrada, começaram a murchar, uma atrás da outra, com folhas voando em disparada. O que é isso!?

"Kukuku… o poder do espírito, nós vamos ficar com ele…"

Meu monitor mágico captou com clareza o murmúrio de um dos membros da tribo Rivet.

De repente, um impacto pesado ecoou vindo do chão, "zushin". Não foi só um — vários tremores fortes sacudiram a terra, e uma quantidade incontável de folhas secas caía das árvores murchas.

— O-o que é aquilo!?

Diante do grito de alguém, olhei em direção ao fundo da floresta, e vi vários gigantes feitos de árvore, avançando em nossa direção. Parece que ainda não acabou.


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