Kuma Kuma Kuma Bear Volume 4 – Capitulo 92

A Ursa Ganha um Motivo para Derrotar o Kraken

Atola me levou — eu, aquela que finalmente capturou todos os bandidos — até a guilda dos comerciantes. Ela insistiu para que eu fosse, não importava o que eu dissesse, embora eu ache que ela não precisava realmente de mim lá. Mas, segundo Atola, os bandidos se comportariam caso soubessem que eu estava por perto.

Quando perguntei por que ela estava se dando ao trabalho de levar os bandidos capturados até a guilda dos comerciantes, ela respondeu que queria ver a reação de uma certa pessoa.

E, tenho que admitir, a reação valeu a pena.

No instante em que o mestre da guilda dos comerciantes viu o líder dos bandidos, sua expressão virou… muita coisa. Talvez eu tenha batido demais no sujeito?

— Que bolsa de itens bonita — disse Atola. — Será que o conteúdo é tão bonito quanto o exterior?

E virou tudo no chão.

Um funcionário arregalou os olhos ao ver o conteúdo.

— Ei, o que é isso? Quanto ele tinha aqui dentro?!

— Hã? Tenho certeza de que vi isso lá na casa do Dormin — disse outro.

— Isso é do Douje — acrescentou alguém.

As pessoas da cidade começaram a se agitar ao reconhecer seus pertences na pilha de objetos espalhados.

— Isso é meu — murmurou uma mulher. — Os bandidos roubaram quando me capturaram.

Ela era uma das que tinham sido sequestradas. Correu até a pilha e pegou um anel pequeno com uma pedra vermelha, segurando-o perto do peito enquanto lágrimas escorriam de seus olhos.

— Alam…

Então, levantou-se e gritou:

— Devolvam o Alam pra mim!

Ela correu até o mestre da guilda dos comerciantes e o esbofeteou.

— Me devolva o homem que você mandou os bandidos matarem! Me devolva o Alam…

A mulher caiu, soluçando, e a multidão explodiu de raiva. Eles começaram a atirar pedras no homem, cobrindo-o de ferimentos sangrentos. Algumas pedras acertaram até o funcionário da guilda dos aventureiros que o segurava, mas ninguém parava.

O pessoal da guilda dos comerciantes permanecia parado, atônito.

— PAREM! — gritou Atola.

Ao ouvir sua voz, as pessoas se calaram.

— Eu vou lidar com esse homem. Juro pelo meu nome como mestra da guilda dos aventureiros.

As pedras caíram no chão.

Estava acabado. Capturamos o mandante e todos que conspiraram com ele.

Atola cumpriu sua palavra, e tudo estava resolvido ao pôr do sol.

Finalmente… era hora de jantar.

— Você voltou — disse Deigha ao me receber. — Não achei que você realmente ia capturar os bandidos! Agora posso voltar a negociar com as cidades vizinhas. Você não faz ideia do quanto estou agradecido. Obrigado.

— Não se preocupe com isso. Na verdade eu queria ter feito algo sobre o kraken também.

— Aha ha ha! Valeu, mas isso é impossível. Até criança sabe o quão forte o kraken é. Tudo que podemos fazer é rezar pra ele ir embora.

— Foi mal.

— Não precisa se desculpar! Já estamos felizes demais por você ter derrotado os bandidos. E agora temos carne de lobo e farinha graças a você também, não é?

Eu não tinha pedido para a guilda manter isso em segredo?

— Só alguns de nós sabem, e a mestra da guilda dos aventureiros nos fez jurar segredo — ele explicou. — Ela disse que você ficaria envergonhada e que não precisava de agradecimentos.

— Só dá trabalho, só isso.

Eu realmente estava falando sério, ok? Não era grande coisa. Sério mesmo.

Mas Deigha apenas sorriu.

Comi rapidamente o jantar que ele preparou. Quando fui para meu quarto, ele chamou:

— Ainda te devo a melhor refeição da vida. Então aparece no salão amanhã no almoço. Vou preparar algo realmente bom pra você.

— Tem certeza? Você não está com poucos ingredientes?

— Pode deixar comigo. É o mínimo que posso fazer.

— Beleza. Estou ansiosa então.

Voltei para o quarto, vesti as roupas de urso branco para aliviar o cansaço do dia e invoquei Kumayuru e Kumakyu, em suas formas de filhotes, como guardas.

Mas Kumakyu parecia meio estranho. Estava arqueado, evitando olhar para mim, como se estivesse emburrado.

Ahh. Eu tinha passado o dia inteiro com Kumayuru e nem invoquei Kumakyu uma vez.

Opa.

Precisava resolver isso, mas aconteceu tanta coisa hoje que eu estava exausta e sonolenta. Ele teria que aceitar um abraço de desculpas.

— Desculpa. Vem cá, fofinho.

Abracei Kumakyu. Tão macio. Exausta e quentinha ao lado do meu ursinho, adormeci na hora.

Na manhã seguinte, quando acordei, Kumakyu estava de bom humor e não havia sinal de Kumayuru emburrado.

Ufa.

Desfiz a invocação dos ursos, vesti as roupas de urso preto e desci.

Blitz e os outros estavam no salão, aparentemente se preparando para partir.

— Vocês vão deixar a cidade?

— Sim, mas não por muito tempo — disse Blitz.

— Com os bandidos fora de cena — explicou Rosa —, o pessoal do porto vai até o vilarejo próximo comprar mantimentos. Fomos contratados para protegê-los.

— Uhum. A viagem de ida e volta deve durar uns dez dias. Se der tudo certo, podemos encurtar e voltar antes.

— Ah, entendi. Não sei se vou estar aqui quando vocês voltarem, então vou dizer agora: obrigada por tudo.

Blitz bufou.

— É você quem está enganada. Nós é que temos que agradecer. Se você não estivesse lá, não teríamos derrotado os bandidos. Não sei o que seria de nós se tivéssemos perdido para Omos. Muito obrigado, de verdade.

Talvez eles não tenham percebido, mas eles também me ajudaram. Eu, sem experiência de vida, não soube o que dizer às mulheres capturadas. Eu derrotei os bandidos, mas Blitz e os outros lidaram com todo o resto. Eu não fiz nada disso.

— Então vamos indo.

— Até mais, Yuna.

— Manda lembranças pro Kumayuru.

— Vamos nos ver de novo.

— Se cuidem, pessoal.

Blitz ergueu a mão em resposta ao sair.

Comi meu café da manhã e fui pegar um pouco de ar fresco.

Por toda a cidade portuária, as pessoas pareciam sorrir ao me ver. Crianças corriam até mim, me cumprimentando animadamente como “a urso”.

Acho que a notícia de que derrotamos os bandidos se espalhou rápido.

Perto da guilda dos aventureiros, Atola e a equipe estavam atolados de trabalho. Eles agora tinham que administrar o monopólio de peixes e alimentos da antiga guilda dos comerciantes, e Atola parecia prestes a explodir.

Me deu até nostalgia de quando, dias atrás, ela apenas bebia durante o dia no salão da guilda, entediada.

Ela parecia precisar de um agrado, então entreguei a ela um pudim.

Ao sair da guilda, encontrei Jeremo da guilda dos comerciantes — o cara que eu conheci no meu primeiro dia aqui.

— Ah, é você, senhorita. Obrigado pelo que fez outro dia.

— O que você está fazendo aqui?

— Trabalho da guilda dos comerciantes. O mestre e os outros membros foram presos, e, bem… como sou da base da hierarquia, sobrou um monte de trabalho pra mim.

— Ah, é?

— Pelo menos por ser o mais baixo na ordem, não fui puxado para os esquemas do mestre.

O mestre da guilda ainda se recusava a falar, mesmo depois de tudo. Não havia dúvida de que ele contratou os bandidos, e as pessoas queriam que ele fosse punido.

Eu também queria, especialmente depois do que os bandidos fizeram com as vítimas.

Mas com o prefeito morto e sem substituto, Atola estava adiando a decisão sobre como julgar Zallad. Ela sabia que não podia tardar, mas estava soterrada de trabalho urgente.

Havia também muitas áreas de pesca agora livres dos bandidos, e a guilda precisava redistribuir tudo com justiça.

Além disso, Atola precisava organizar os bens roubados das pessoas mortas pelos bandidos. Normalmente, o grupo e eu ficaríamos com os espólios, mas Blitz e eu recusamos.

Queríamos devolver às mulheres capturadas e às famílias das vítimas. Mas havia casos em que toda a família havia sido morta, sem ninguém para herdar.

— Você derrotou eles, Yuna. Nós não vamos pegar uma moeda sequer — declarou Blitz com aquela irritação costumeira.

As mulheres não discutiram — acho que respeitavam o julgamento dele no fim das contas.

Quando voltei à hospedaria à tarde, um cheiro delicioso chegou até mim.

— Ah, você voltou. Está quase pronto, então sente e espere.

Esperei, enquanto um cheiro ainda mais maravilhoso vinha da cozinha.

Poucos minutos depois, o prato chegou.

Era a primeira vez que eu via aquela comida… neste mundo.

E era algo que eu conhecia bem.

— Arroz…

— Hã? Você já conhecia? Combina muito bem com peixe.

Diante de mim havia um monte de arroz branco e puro. Ao lado, peixe assado fresco do mar e… não podia ser. Aquilo era… sopa de missô?

Tomei um gole e… ah, meu Deus. Com certeza era missô. Meus legumes favoritos estavam lá dentro, perfeitos.

Um gole, outro, e eu já estava sorvendo o caldo. Tão nostálgico, tão bom!

Detonei o peixe e o arroz também. Meu coração transbordava de saudade. Arroz! E a sopa de missô perfeita!

Me perguntei sobre o líquido na garrafa ao lado do peixe. Não podia ser… mas talvez?

Pinguei um pouco sobre o peixe. Era levemente avermelhado.

Fechei os olhos, dei uma mordida.

Sem dúvida — era isso.

Molho de soja.

Arroz branco. Sopa de missô. Peixe assado com shoyu.

Eu estava derrotada.

Eu não sabia que estava tão faminta por uma refeição japonesa.

— Senhorita, você está chorando? Achei que o peixe ia combinar com os acompanhamentos, mas… será que você não gostou? Ou é o peixe que não gosta?

Eu estava chorando?

— Não, não é isso. Está realmente maravilhoso. Sua comida é tão boa que eu comecei a chorar.

Ai, que vergonha. Sorri enquanto secava as lágrimas.

— Sério?

— Sim, está (sniff) muito bom.

Como prova, limpei todo o prato.

— Fico feliz em ouvir isso, mas… você não está só comendo por educação, está?

Talvez achasse que eu estava forçando.

— Não, esse é o sabor da minha casa. Achei que nunca mais o provaria. Estou tão feliz.

— Esse é o sabor da sua terra natal? Você veio da Terra de Wa?

— Terra de Wa?

— Não veio de lá?

— Não. Vim de muito mais longe. E acho que nunca vou conseguir voltar.

— Viajou tanto assim? Não se sente sozinha?

— Às vezes. Mas este lugar também é divertido. E agora posso saborear um pouco do gosto de casa.

— Entendo. Eu gostaria de fazer mais disso pra você. Só queria ter mais ingredientes. Mas com o kraken por aí, não dá. Antes de ele aparecer, os navios traziam isso da Terra de Wa uma vez por mês.

Então havia um país parecido com o Japão neste mundo. Talvez eu pudesse ir lá um dia. Mas para isso, precisava derrotar o kraken ou esperar ele ir embora.

Tinha que haver uma forma de derrotá-lo…

Perdida em pensamentos, terminei a comida de Deigha.

— Estava realmente delicioso.

Agradeci muito e saí da hospedaria.

Precisava pensar.

Fui direto para a costa.

O oceano se estendia diante de mim. Em algum lugar do outro lado havia uma terra de arroz e shoyu e talvez muito mais coisas parecidas com o Japão.

Mas aquele kraken idiota estava no caminho.

E não havia muitas maneiras de combatê-lo.

Primeira ideia: usar um navio grande para ir até ele e lutar no mar. Mas a cidade não tinha um navio desses. E eu não saberia comandar um de qualquer forma.

Segunda ideia: atacar pelo ar. Exceto que não dava, porque ursos não voam e isso é ridículo.

Terceira ideia: congelar o oceano e… transformar em algo sólido para lutar? Fui até a praia e testei. A água congelava, mas as ondas quebravam e engoliam o gelo rapidamente. Teria que congelar uma área imensa e a camada teria que ser grossa. Não fazia ideia de quanto mana isso exigiria. E se o kraken se enfurecesse, as ondas quebrariam tudo e eu estaria perdida.

Quarta ideia: entrar num globo de ar e mergulhar até o fundo? Consegui fazer um globo e entrar na água. Eu estava bem ali dentro… por enquanto. Mas eu conseguiria atacar de dentro dele? E se ele estourasse? Meu oxigênio acabaria. E aí…?

O que mais?

Talvez eu pudesse lutar montada nos ursos? Invoquei Kumayuru e Kumakyu.

— Vocês sabem nadar?

Os dois entraram na água e nadaram como se fosse normal.

Hmm. Bem, alguns ursos sabem nadar, afinal.

O problema era: eu nunca nadei no oceano. Quantos anos fazia desde a última vez que nadei? Se caísse dos ursos, estaria acabada.

Mas… eu não caía deles nem dormindo, então talvez desse certo?

Ainda assim, se o kraken mergulhasse ao fundo, eu não conseguiria acompanhá-lo.

Não era uma boa ideia, mas podia ficar como plano secundário.

O ideal seria respirar e me mover livremente debaixo d’água… mas isso era pedir o impossível.

Será que eu poderia… abrir o mar tipo Moisés? Não. Impossível. E mesmo que pudesse, como seguiria o kraken se ele fugisse?

…Não dava.

…Não funcionaria.

…Rejeitado.

…Nop.

…Sem chance.

…Impossível.

…Espera.

…Isso.

Isso é interessante.

Sim, talvez eu devesse tentar.

Se desse errado, não me machucaria.

Se desse certo… eu poderia lutar.

Se não funcionasse, voltaria a pensar em outra coisa.

 

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