Kuma Kuma Kuma Bear Volume 4 – História Extra

A Ursa Reconstrói o Orfanato

As crianças do orfanato estavam trabalhando duro, cuidando direitinho dos kokekko e fazendo um ótimo trabalho no Bear’s Lounge. Eu queria fazer algo por elas. Vejamos… Eu havia reformado o antigo prédio do orfanato, mas ele ainda era velho e desgastado. Nenhuma das crianças reclamava, mas…

— Ei, você se importaria se eu reconstruísse o orfanato? — perguntei a Cliff um dia.

— O quê? Você aparece aqui do nada e é isso que pergunta?

— Quero dizer, é a sua cidade, né? Pensei em consultar você antes de fazer qualquer coisa.

Cliff suspirou.

— Você realmente acha que eu sou uma pessoa tão mesquinha assim?

— Ehh.

— Pois fique sabendo, senhorita…

— Tô brincando. Eu realmente só vim pedir sua permissão. O prédio pertence à cidade, não é?

— Hm. Tudo bem, você tem a minha permissão. Faça o que quiser com ele.

— Obrigada.

— Não há necessidade disso.

Tentei ir embora, mas ele me chamou e chamou também seu mordomo.

— Rondo, por favor prepare fundos.

— Sim, meu lorde — respondeu Rondo, saindo imediatamente da sala.

— Eu realmente não preciso de dinheiro.

— Não podemos permitir isso. Não acho que dinheiro compense minha negligência, mas ainda assim vou ajudar se você pretende reconstruir o lugar.

— Mas…

— O orfanato consegue se sustentar mesmo sem a ajuda da cidade por sua causa. Eu sei disso. Aceite o dinheiro. Considere como um pedido de desculpas meu.

Mesmo que eu aceitasse, não precisava dele para construir a casa. Eu iria fazê-la com magia, afinal, mas…

— Posso usar para qualquer coisa?

— Use como quiser.

Nesse caso, talvez eu usasse para comprar móveis e coisas que elas precisavam no dia a dia. Elas precisavam de roupas de cama novas, e eu também queria comprar pratos e talheres combinando. Mas teria que consultar a diretora e a Tiermina primeiro.

A porta se abriu quando nossa conversa estava terminando; o mordomo Rondo havia retornado.

— Lorde Cliff, aqui está.

— Por favor, entregue a Yuna.

Rondo me estendeu uma bolsa quase estufada de dinheiro.

— Seus fundos, senhorita.

Agradeci e aceitei. Nossa, era pesada. Ele deu muito mais do que eu esperava.

— Se sobrar algo, posso voltar para devolver?

— Não precisa. Como eu disse, isso também inclui meu pedido de desculpas. Se sobrar, use quando precisar.

Depois de receber permissão de Cliff para reconstruir o orfanato, voltei para lá e pedi que a diretora, Liz e Tiermina se reunissem comigo em uma sala.

— Reconstruir o orfanato? — Tiermina ergueu a sobrancelha.

— Você já fez tantas reformas — disse a diretora. — Acho que estamos indo muito bem assim. A corrente de ar acabou e temos um lugar quente para dormir.

Liz concordou.

— As crianças estão tão felizes.

— Além disso — acrescentou Tiermina — reconstruir vai dar muito trabalho.

— Vou usar magia.

As três ficaram ainda mais exasperadas, mas…

— Pensando bem, você fez sua própria casa sozinha, não fez, Yuna?

— E também fez o galinheiro.

Pelo menos elas estavam começando a aceitar?

— Tem certeza de que pode simplesmente reconstruir tudo? Estamos administrando o orfanato com o seu dinheiro, Yuna, mas o prédio não pertence ao lorde?

— Ah, isso. Já consegui permissão do Cliff.

— Do próprio Lorde Cliff?

— Sério, Yuna?

— Meu Deus…

Que olhar era aquele? Resumi rapidamente minha conversa com Cliff e, no final, coloquei o dinheiro dele sobre a mesa.

— Dinheiro do lorde…

— Você fez algo inacreditável.

— Algo assustador.

Elas tinham medo do Cliff? Bem, lembro que a Fina também era assim no começo. Ela até ficava nervosa perto da Noa, embora agora se dessem bem. Cliff era meio arrogante para o meu gosto, mas escutava e me dava atenção. Era diferente do que eu imaginava de um aristocrata. Talvez se as três o conhecessem, mudariam de opinião.

No fim, exasperadas ou não, concordaram com a reconstrução do orfanato e começamos a planejar. Primeiro veríamos como separar os quartos dos meninos e meninas, onde ficaria o banho, o refeitório, e todo esse tipo de coisa. Planejar era muito mais divertido do que eu imaginava, igual quando fiz a Casa Urso.

A diretora explicou tudo às crianças e disse para ficarem longe do local enquanto o novo orfanato estava sendo construído. Elas estavam empolgadíssimas!

— Mas vocês absolutamente não podem incomodar a Yuna — ela insistiu.

— Sim, senhora! — elas responderam cheias de energia.

Eu faria o orfanato enquanto as crianças trabalhavam, Liz ficaria de olho para garantir que nenhuma matasse serviço, e a diretora cuidaria dos pequenos que não podiam trabalhar.

Usei magia para criar o orfanato mais ou menos da mesma forma que fiz a casa urso. Imaginei… hmmm, talvez uma escola rural antiga? A entrada ficava no centro e, ao entrar, havia corredores à direita e à esquerda com uma porta à frente. Passando pela porta havia o refeitório. Depois dele, a cozinha.

O corredor da direita teria os quartos das meninas, o da esquerda dos meninos. No final dos corredores ficariam as salas de banho. Claro que eu não podia esquecer de colocar estátuas de urso de pedra de onde sairia a água quente.

O segundo andar era igualmente dividido em alas de meninas e meninos. A sala central, logo acima do refeitório, seria uma área de brincadeiras. Cada quarto comportaria quatro crianças, com quatro mesas e dois beliches posicionados perto das janelas.

Tiermina cuidou de comprar roupas de cama, cômodas, mesas e cadeiras com o dinheiro de Cliff. Também compramos louças novas para substituir as que faltavam no orfanato. Eu já tinha sugerido isso antes, já que havia renda dos ovos, mas a diretora recusara. Desta vez ela finalmente aceitou.

Por fim, movemos do antigo orfanato tudo o que precisávamos. As crianças ajudaram e ficaram radiantes com a chance de entrar no prédio novo.

— Pessoal, perguntem à diretora ou à Liz como os quartos ficaram divididos. Depois que souberem qual é o de vocês, perguntem o que precisam trazer.

As crianças estavam quase pulando de tanta empolgação.

— Diretora, onde é o meu quarto?!

— Ooo, e o meu?!

As crianças se aglomeraram ao redor da diretora.

— Certo, vamos todos nos acalmar! Vou levar vocês aos seus quartos. Meninos, venham comigo. Meninas, com a Liz.

Eu segui junto para garantir que tudo estava bem.

— Este é o quarto de vocês quatro.

— Uau, tem cama e lençol e tudo!

Os meninos tentaram pular nas camas, mas eu os parei.

— Se vocês subirem sujos assim, vão sujar tudo. Tomem banho e vistam pijamas primeiro.

Eles estavam cuidando dos kokekko, e isso podia ser bem sujo.

— Tem banho?

— É a sala no final do primeiro andar. Tem uma para meninos e outra para meninas, então limpem tudo direitinho depois.

Os meninos saíram correndo.

Depois de assignar os quartos, a diretora mandou que todos trouxessem suas coisas — roupas e tudo mais. Em breve — mas não ainda — demoliríamos o antigo orfanato.

Finalmente, as crianças me pediram para fazer um urso igual ao da frente da loja.

Eu pisquei.

— Pra quê?

Eu havia feito aquele para atrair clientes, já que a loja se chamava Bear’s Lounge. O orfanato não precisava disso. Mas elas insistiram tanto, e eram tão fofas, que não pude recusar.

E assim nasceu um novo orfanato, com um enorme e completamente inexplicável urso de pedra na frente.

 

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