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I’ll Become a Villainess That Will Go Down in History – Capítulo 108

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Capítulo 108

Nós fomos em direção à floresta.

O lugar aonde estávamos indo agora era o vilarejo da pobreza.

Será que tudo bem ir de manhã assim?

Esse pensamento passou pela minha cabeça de repente.

Entramos direto na floresta.

De alguma forma, era um pouco assustador. A manhã parecia até mais sinistra que a noite.

A penumbra deixava um ar desagradável no ambiente.

— Alicia! Você tá descalça!

Percebi isso pouco depois de entrarmos na floresta.

A sola dos pés da Alicia estava completamente preta.

— Tudo bem. Mais do que isso, aconteceu alguma coisa diferente?

Alicia não parecia se importar nem um pouco com a sujeira nos pés.

— …Sério, Alicia, seu jeito de falar mudou, né?

Olhei de perto pro rosto da Alicia, como quem investiga.

Alicia franziu um pouco a testa, pensativa.

— Será porque eu não tinha ninguém pra conversar? Tá esquisito?

— Seu jeito de falar tá meio mais leve.

Assim que eu disse isso, Alicia sorriu de leve.

…Que linda.

Não parecia ter mais aquele ar de "querer forçar uma aura maligna" de antes.

O sorriso parecia refletir inteligência e elegância.

— De fato, talvez tenha mudado mesmo.

— Você realmente não falou com ninguém por dois anos?

Alicia fez uma expressão levemente incomodada.

Normalmente ela nunca mostrava uma expressão dessas.

De alguma forma, ela parecia ter deixado de parecer uma vilã.

— Achou que eu deixei de parecer uma vilã?

— Como você sabia!?

Fiquei paralisado com o choque das palavras da Alicia.

Nunca imaginei que chegaria o dia em que minha mente seria lida assim.

Será que ela usou magia?

— Não é magia.

Alicia disse isso, erguendo levemente os cantos da boca.

Ah, essa cara, esse sorriso um pouco maroto… essa é a Alicia.

— Então como você sabia?

— Não é porque a expressão do Jill é fácil de ler?

Não pode ser. Nesses dois anos eu fiquei bem melhor em esconder o que sinto…

E, além disso, agora consigo fazer várias expressões diferentes conforme a situação.

— Isso é mentira, viu.

Alicia riu, com rugas se formando no canto dos olhos.

Meu coração deu um pulo por um instante.

De alguma forma, parecia uma Alicia diferente da que eu conhecia.

— Eu não mudei nada.

…Minha mente foi lida de novo.

Enquanto eu arregalava os olhos, Alicia começou a rir de repente.

— Desculpa, Jill. Sua reação foi tão engraçada que acabei te provocando.

— Como assim?

— Não faz essa cara de desagrado assim.

— Então me explica direito.

— Fiquei pensando, esses dois anos, em como o vovô Will consegue ler tão bem a mente das pessoas mesmo sem enxergar.

— E aí, achou a resposta?

— Hmm, não achei a resposta ainda. Mas entendi um pouco de alguma coisa.

Alicia disse isso com um ar orgulhoso.

De alguma forma, ela parecia mais viva do que antes.

— Na cabana era só eu, mas fora da cabana tem um monte de gente, né? Óbvio.

— É verdade.

Assenti, concordando.

— Você quer dizer que ficou mais sensível às mudanças do lado de fora?

Continuei falando isso.

— Realmente, você é meu assistente mesmo, hein.

Alicia disse isso e afagou minha cabeça com força.

Ser reconhecido pela Alicia talvez seja o maior prazer que existe pra mim.

— Aprendi de novo o quanto é difícil ler a mente de alguém só pelo tom de voz, expressão, atitude, o clima… a atmosfera e o som. Eu ainda estou muito longe do vovô Will, viu.

— Você é incrível, Alicia.

— Não tem nada de incrível.

Alicia disse isso com naturalidade.

Não parecia ironia nenhuma — ela parecia realmente pensar assim.

— Eu não conseguiria me esforçar desse jeito.

— Esforço? Eu não faço esforço nenhum. Talvez eu tenha paciência, mas só estou fazendo o necessário pra virar vilã.

— Mas de alguma forma você parecia mais vilã antes. Tipo aquela cara de incomodada de há pouco…

— Ah, aquilo foi… eu não sabia como dizer.

Dizendo isso, Alicia fez de novo uma expressão incomodada.

Alicia ficou com o rosto sério e se calou.

Ela estava em dúvida se me contava algo ou não.

Eu jamais contaria a ninguém, mas dizer isso a ela também não teria sentido nenhum.

Quem decide se fala ou não é a Alicia.

Alicia fechou os olhos de leve e respirou fundo, discretamente.

Depois, abriu os olhos devagar e olhou pra mim.

— Só uma vez, a Okaa-sama veio me visitar.


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