Capítulo 116
Olhei devagar na direção da voz.
Hmm… quem será?
Um par de olhos cor de feijão-azuki me encarava fixamente.
Tinha uma aparência que fazia pensar: "deve ser disso que chamam de garota recatada".
— Er, acho que a decisão mais sensata seria você sair desta academia.
Por um instante, duvidei dos meus ouvidos.
Nunca imaginei que uma garota com cara de presidente de turma diria uma coisa dessas.
— Hã?
Jill falou antes de mim.
— Isso mesmo!
— A Jane tem razão!
— Vai embora!
Afinal, todo mundo mesmo embarca na opinião da presidente de turma, né.
Então essa senhorita de aparência recatada se chama Jane. Aquele sorriso constante é irritante. Eu queria que ela parasse com esse sorriso nojento.
E, além disso, são vozes realmente irritantes de ouvir.
— Ei, Ali.
No mesmo instante em que o Jill começou a falar, meu punho já tinha acertado o rosto da Jane em cheio.
Então é isso que se chama de passar do limite da paciência.
Tudo bem falarem mal de mim, mas por que eu teria que sair da academia?
E, além disso, se eu não posso usar magia, tenho que lutar com os punhos mesmo.
— Gah…!
Jane soltou um grunhido grave, impensável pra aparência que tinha.
Nossa, ela voou longe mesmo.
Nunca imaginei que o resultado do meu treino diário se manifestaria numa hora dessas.
…Se ela morrer, eu seria expulsa. Bem, socada só o suficiente pra não matar, então deve estar tudo bem.
O osso do nariz dela provavelmente quebrou, mas tudo bem.
Jane caiu com um baque surdo em cima da grama.
Nossa, parece que está sangrando bastante do nariz. E, além disso, parece que desmaiou.
Jill me olhava boquiaberto, com os olhos arregalados.
O alvoroço de há pouco sumiu de repente, como se fosse mentira, e tudo ficou em silêncio.
Ah, minha mão dói. Eu odeio que, quando a gente soca alguém, a própria mão também dói.
— Eu não vou ser expulsa, né?
Perguntei baixinho pro Jill, mas não veio resposta nenhuma.
Será que é algo tão surpreendente assim?
Bem… aproveitando essa oportunidade, acho que vou intimidar todo mundo um pouco mais.
Virei-me devagar pra trás.
Nos olhos de todos, apareciam medo e desespero.
Isso, isso mesmo, era exatamente esse olhar que eu queria que dirigissem a mim.
— Por quem eu devo começar a esmagar?
Disse isso com um sorriso, olhando pra todos de cima.
Percebi depois de dizer que talvez tenha soado meio demente. Eu queria ter dito de um jeito mais "vilanesco". Mas não adianta me arrepender agora.
Os rostos de todos foram ficando pálidos de uma vez.
Se eu os pressionasse, tenho a impressão de que diriam "eu não disse nada".
Parecem não ter coragem nenhuma.
— Uhuhuhuhu.
Um calafrio percorreu meu corpo com aquela risada repentina. …Que arrepiante.
Olhei na direção de onde veio a risada.
Alguém desceu de repente de uma árvore e veio se aproximando de mim.
Parece que é melhor não se meter com essa pessoa… Uma garota pequena, um pouco maior que o Jill.
Olhos redondos cor de framboesa e cabelo rosa em duas maria-chiquinhas… parece uma boneca.
Tenho a impressão de que uma garota tão fofa assim não existia no jogo.
Um cheiro doce pairava suavemente no ar.
— Oi, Alicia-chan! Eu sou a Mel, prazer.
Disse isso numa voz fofa e parou bem na minha frente.
Ficou me encarando fixamente, sem cerimônia.
— Que superfofa! Pele tão fresquinha, esses olhos lindos… só um deles, mas mesmo assim! Uma garota linda! Dá vontade de comer.
Mel disse isso aproximando muito o rosto do meu.
É melhor mesmo eu não me meter com essa pessoa, só um pressentimento meu.
Um ar perigoso… consigo ver uma aura negra.
Tipo "perigo, não toque".
Parece que o Jill está pensando a mesma coisa que eu.
Ele apelava pra mim com o olhar: "essa aí é perigosa".
— Se você procura seus irmãos, acho que eles não estão aqui agora porque estão reunidos no conselho estudantil.
Não sei o que tinha de engraçado, mas a Mel disse isso rindo.
— Aliás, do meu ponto de vista, o conselho estudantil parece se dar super mal! Ah! O noivo da Ali-Ali é o presidente do conselho estudantil agora, sabia~
Hã? Ali-Ali?
— Parece que ele não está se dando bem com a Liz-chan, a vice-presidente~. Por causa da Ali-Ali, esta academia virou uma bagunça total!
Por que ela parece tão feliz com isso?
— Eu sou colega de turma do Henry e do Alan, sabe…
— Hã? Dezoito anos?
— Isso, dezoito anos. Pode me chamar de Mel.
Ela não parece nem um pouco ter dezoito anos… e o jeito de falar dela a faz parecer ainda mais nova.
Mel voltou os olhos pro Jill.
— Você também é fofo. Qual é o seu nome?
Jill continuava em silêncio, olhando pra Mel com cautela o tempo todo.
— Não sabe falar?
— É Jill.
Respondi em lugar dele.
— Ah, é~
Mel olhou pro Jill de cima, com um olhar frio.
Aquele olhar me deu arrepios.
Ela é perigosa mesmo, de verdade. Senti isso com o corpo inteiro.
— Ei, Ali-Ali, não precisa ficar tão na defensiva assim.
Mel disse isso sorrindo e, de repente, agarrou minha mão e a do Jill com força.
Naquele instante, a paisagem à minha frente se distorceu e balançou.
Ah, é magia de teletransporte. …Então ela consegue usar isso.
Fechei os olhos e prendi a respiração. O Jill, talvez tendo percebido a mesma coisa, também fechou os olhos e prendeu a respiração na hora.
Só não quero passar mal de jeito nenhum.