Capítulo 127
Que homem de timing péssimo!
Gritei isso dentro do meu coração.
— Henry-nii-sama, o que foi que você disse?
— Eu disse, sobre o nível 90…
— O senhor "Nível" completou noventa anos? Isso é incrível.
Jill arregalou os olhos, me olhando com uma cara de "isso não cola de jeito nenhum".
Eu sei. Sei muito bem que isso é forçado demais.
Mas eu não consegui pensar em outro jeito de disfarçar de repente.
— Ei, Ali, você fez isso de propósito, né.
Henry-nii-sama disse isso, me encarando.
De fato, não colou mesmo. Não dá pra disfarçar.
— Então eu também gostaria muito de conhecer o senhor Nível.
Disse isso forçando um sorriso.
— Não conseguiu, foi?
— Ah, é o Duke.
— Jill, eu não vou cair num truque desses, viu.
— Ele está vindo mesmo, de verdade.
Jill disse isso levantando um pouco a voz, apontando pra trás de mim.
Henry-nii-sama olhou discretamente pra onde o Jill apontava. Claro, sem soltar meu braço, pra eu não fugir.
— É verdade mesmo.
Henry-nii-sama disse isso, arregalando um pouco os olhos.
Eu também me virei devagar. …É verdade. O Duke-sama vinha caminhando na nossa direção.
Eu tenho um monte de coisas que quero perguntar ao Duke-sama, mas não posso perguntar com o Henry-nii-sama por perto!
Ah, francamente! Que péssimo!
Bem, se é assim… último recurso.
Pisei com toda a força no pé do Henry-nii-sama. Pensando comigo mesma: crianças, não façam isso em casa.
Henry-nii-sama fez uma careta, soltou a mão que segurava meu braço e se encolheu de dor.
Provavelmente, como eu estava de salto, deve ter doído bastante.
— Jill! Vamos!
Gritei isso pro Jill e saí correndo.
Jill também saiu correndo apressado.
— Jill! Mais rápido!
Jill estava carregando um livro, então corria devagar. E, comparado a mim, que treino regularmente, ele não tinha resistência física nenhuma.
— Ali! Espera!
O grito do Henry-nii-sama vinha de trás.
Achei que também ouvi, de leve, a risada do Duke-sama.
Corri até o Jill, o peguei no colo, e depois o carreguei no ombro enquanto corria. Assim é muito mais rápido!
Não é hora de me preocupar com os olhares ao redor.
Agora eu preciso sair logo daqui, de qualquer jeito!
— Ei, Ali? Me põe no chão!
— Fica quieto! Se a gente for pega, acabou tudo!
— Eu sou nobre, mesmo que só de nome! Tenha noção disso!
— Tudo bem!
— …Inacreditável.
Ouvi um suspiro profundo do Jill.
Saí da academia de magia carregando o Jill.
De fora, deve parecer que sou uma sequestradora que raptou uma criança pequena.
Essa atitude agora vai tirar pontos como vilã… será que hoje meus pontos de vilania ficaram zero a zero?
Depois de confirmar que o Henry-nii-sama não estava me perseguindo, coloquei o Jill no chão.
— A gente vai andando até em casa?
— Vai ser assim mesmo.
— A Alicia é… boba?
Jill me olhava com uma expressão que já tinha passado da descrença e chegado à desistência total.
— Por quê? Eu consegui pensar num plano pra sair de lá, então eu queria que você me chamasse de inteligente, na verdade.
— Se voltarmos pra casa e o Arnold nos encontrar, já era.
— Por isso, não seria melhor a gente morar na cabana por uma semana?
— Vai dar certo?
— A cabana tem tranca, vai ficar tudo bem! Se eu desse um nome pra essa operação… Operação Vida Secreta!
— Que nome sem graça!… De fato, deve ter sido por ficar dois anos sozinha na cabana que alguns parafusos da sua cabeça devem ter afrouxado.
Que língua afiada.
De fato o nome da operação é sem graça, mas é um bom plano mesmo. A cabana tem até banheiro decente…
Ou melhor, esse é o plano mais seguro e simples. Aliás, não consigo pensar em nenhum outro plano além desse.
Simples é o melhor.
— Eu tô meio cansado.
— Eu também.
— Vamos chegar em casa…
— Isso é melhor não pensar.
Voltamos pra casa a pé, conversando aos poucos pelo caminho.
—
Nota da autora: comecei um Twitter, se quiserem dar uma olhada. @___r__a__n — publico lá avisos de atualização do próximo capítulo, entre outras coisas.