Capítulo 129
"Você não consegue falar direito?"
De repente, minha própria voz ecoou de algum lugar.
Essa é a mesma frase que eu disse pra aquela garota há pouco.
"Você não consegue falar direito?"
As palavras espinhosas, com um tom de deboche, ecoavam repetidamente pelo refeitório.
…É meio constrangedor ouvir a própria voz repetida tantas vezes assim.
Isso é magia, né? Que tipo de magia seria… ah, não me vem à cabeça. Esqueci, sinal de que ainda estudei pouco.
— Você não pode parar com isso?
Disse isso erguendo os cantos da boca.
Lancei um olhar pro segundo andar, mas hoje não tinha ninguém.
Se é pra fazer, bem que podia fazer essa vulgaridade na frente da Liz-san e dos outros.
— Por quê? São palavras que você mesma disse, não são? Devia assumir isso com orgulho!
Era a voz daquela aluna de há pouco.
Uma garota com cara de "ortodoxa" mesmo. Tem cara de amiga da Liz-san.
Prender o cabelo abaixo da orelha até que é bom, mas não combina com ela… está cheio de pontas duplas, e com um rosto tão fofo, era melhor fazer maria-chiquinha enquanto ainda é jovem.
Bem, mas eu não vou dar palpite no gosto dos outros.
— Por que você fica me encarando desse jeito?
— Ah, desculpa. É que eu estava pensando que você não tem muito charme.
— O QUÊ!?
Com os olhos em fúria, a aluna gritou.
…Parece que meu tímpano vai estourar. Que grito é esse.
Será que o plano dela é estourar meus ouvidos?
Os olhares já não são mais só de reprovação ou desprezo, e sim de uma vontade forte de me apagar desta academia.
Todas as vilãs da história com certeza superaram essa dificuldade de serem odiadas pela escola inteira. Eu não posso perder.
— O que estão fazendo?
Ouvi a voz da Liz-san vindo de trás.
Que timing! Maravilhoso! A heroína tinha que aparecer exatamente nessa hora mesmo. Aposto que até os produtores do jogo ficariam felizes.
— Não sorri desse jeito, Alicia.
Jill disse isso pra mim numa voz baixa. Já nem estava mais com cara de descrença, e sim uma cara séria.
Atrás da Liz-san estava o grupo de sempre, confiável como sempre.
…Depois de crescer cercada de gente tão bonita o tempo todo, já não sinto mais nada de especial ao vê-los.
Mesmo numa situação dessas, as garotas do refeitório continuavam gritando animadas.
— O que aconteceu?
Assim que a Liz-san perguntou isso, a aluna de há pouco me empurrou pra correr até a Liz-san.
Lançando olhares sedutores pro grupo de belos rapazes, começou a falar com a Liz-san.
— Liz-sama! Eu fui vítima de uma coisa terrível. Ela também disse coisas terríveis pra Marika.
Eu queria que ela parasse de ficar olhando pro Duke-sama toda hora.
Será que ninguém nunca a ensinou a olhar nos olhos de quem está falando?
Devia perceber que essa é uma atitude desrespeitosa com a própria Liz-san que você tanto venera.
Bem, mas eu não vou ensinar isso a ela. Afinal, eu sou a vigilante da Katherine Liz.
E, além disso, quando a gente vira adulto, ninguém mais ensina boas maneiras.
As pessoas só se afastam em silêncio. …Mas nós ainda somos estudantes.
…Mas, mesmo assim, apontar o dedo pra alguém não é legal.
— Ei, você, antes de ficar criticando os outros, tenha noção do que você mesma está fazendo.
Disse isso, encarando ela.
Ela pareceu se intimidar por um instante, mas logo levantou a voz.
— Marika! Deixa eu ouvir de novo!
— Hã!? Ah… sim!
Então o nome daquela garota suspeita sem nada de marcante é Marika. Nome incomum.
"Você não consegue falar direito?"
Então, minha voz voltou a ecoar de algum lugar.
Será que existe uma magia capaz de gravar e reproduzir a fala de alguém?
— Mel.
Ouvi de leve a voz cristalina do Duke-sama.
…Mel?
— Uhuhuhuhu.
Então, de novo, ouvi aquela risada aguda meio arrepiante. Um cheiro doce pairou suavemente no ar.
— Sim, sim~
— Argh.
Sem perceber quando, a Mel já estava ao meu lado, sorrindo. Jill soltou um som de desagrado.
— Você é, se não me engano…?
Liz-san disse isso, ladeando um pouco a cabeça.
Naquele instante, a expressão dos olhos da Mel mudou, e ela se aproximou da Liz-san.
— Você se lembra de mim? Mesmo tendo nos encontrado só uma vez~! Mel está emocionada!
Só pelo texto, deveria soar como algo super positivo… mas por que minha espinha se arrepia tanto assim?
O tom de voz é animado, mas tem uma hostilidade escondida em algum lugar. E, mais do que tudo, o olhar dela está afiado de um jeito nada normal.
Se fosse comparar o olhar dela a uma lâmina, seria mais como uma espada japonesa longa e fina do que uma faca.
Se existisse uma técnica de "matar com o olhar", ela com certeza venceria o campeonato. Com aqueles olhos grandes e fofos, cara de boneca, mas quando fica brava vira uma máscara de demônio.
— Não faz essa cara de desagrado assim~. Assim que eu terminar minha tarefa, já vou sumir daqui rapidinho.
Mel disse isso com um sorriso radiante.