Capítulo 174
— Deixa quieto, vamos embora logo.
No instante em que pisei no refeitório, elas se viraram na nossa direção e fizeram menção de sair de lá.
Instintivamente, recuei o pé de volta. Se descobrissem que eu estava espiando escondido, ia dar um problemão.
Não faço ideia de que boato poderia surgir disso. Só de pensar nisso, sinto que vivo bastante preocupado com os olhos dos outros. Provavelmente porque a magia verde não está entre as cinco magias nobres do reino. Preciso viver com jeito, com habilidade.
— Por que você voltou?
— Não tem jeito, elas estão vindo pra cá.
Diante da minha desculpa, Finn soltou um suspiro leve.
Mesmo sendo mais novo, o jeito dele de me tratar com desdém me irrita, mas dá pra entender o motivo do suspiro dele diante do meu comportamento agora.
— O que será que a Alicia quer fazer?
Isso eu também não sei. A Alicia só estava ali, calada, escutando os xingamentos delas. E agora, elas estão tentando sair do refeitório assim mesmo.
Será que ela realmente não vai fazer nada? Voltei os olhos pra Alicia.
Foi nesse exato instante.
Algo brilhou intensamente na nossa direção.
— Ah.
As vozes de Finn e minha se sobrepuseram perfeitamente.
Alicia tinha jogado a faca. A faca passou raspando ao lado das alunas e se cravou perfeitamente na parede.
As alunas ainda pareciam não entender o que tinha acontecido. Só ficaram paradas, congeladas.
A faca passou bem rente ao lado delas. É natural que não conseguissem entender a situação de imediato.
…Mesmo assim, que controle absurdo. Será que é possível mirar tão rente assim de propósito? E, além disso, sem uma força considerável, uma faca não voaria numa velocidade daquelas.
— O que… aconteceu…
Ouvi uma vozinha trêmula, quase inaudível.
Nos olhos delas já não havia mais surpresa, só medo. Encaravam a faca fixamente, com olhos amedrontados.
— Qual a impressão de ter uma faca voando na sua direção do nada?
Sem mudar de expressão, Alicia sussurrou só isso. E então tentou passar por elas, ignorando a existência das alunas paralisadas de medo.
— Espera aí.
Uma das garotas, de gênio mais forte, forçou a voz a sair.
— Vingança? A Emma te disse alguma coisa? Ela te mandou dar medo na gente? Você vai fazer com a gente o mesmo que a gente fez com a Emma, não vai!
Ela gritou, quase histérica, a voz saindo cada vez mais alta.
Alicia se virou com uma expressão de quem achava aquilo incômodo. No instante em que ela se virou, a garota que gritava com tanta bravura calou-se de repente, com o rosto tomado de medo.
Da minha posição, não dava pra ver que expressão a Alicia estava fazendo, mas ouvi uma voz baixa.
— Da próxima vez, eu acerto.
Aquela única frase carregava uma pressão absurda. Como ameaça, foi extremamente eficaz.
Já que elas mesmas falaram em "vingança", devem ter feito algo bem sério com a Emma.
A expressão delas agora, mesmo sem palavras, dava pra imaginar facilmente. Então é essa a cara de quem treme de medo… Ações e palavras sem nenhum desperdício — quem, afinal, é essa pessoa chamada Alicia?
…Será que a palavra "másculo" não foi feita justamente pra Alicia? Essa dúvida bizarra surgiu na minha cabeça.
— Não vai fugir?
Finn falou baixinho pra mim.
É verdade, eu precisava fugir antes que a Alicia me visse.
— Curtis-sama, Finn-sama, será que teriam um momento?
Quando percebi, já tinha cruzado o olhar com a Alicia.