Capítulo 180
— …Alicia.
Duke-sama murmurou isso, me olhando fixamente.
— Alguém apagou a memória do Duke, ugh…
Antes que o Jill terminasse de falar, tapei a boca dele com uma mão. Se ele dissesse na frente da própria pessoa que a memória tinha sido apagada, com certeza ia causar confusão.
— Que tipo de relação você tem comigo?
— …Não sei.
— Por que você me conhece?
— Porque o Duke-sama é famoso.
Falei isso com um leve sorriso.
Se ele continuasse assim, sem nunca mais se lembrar de mim, seria exatamente o desenrolar normal de um otome game, né. A Liz-san e o Duke-sama se unindo…
— Você disse Alicia, não foi.
— Sim.
— Você está machucada no olho?
Duke-sama disse isso olhando desconfiado pro meu tapa-olho.
…Vou ter que explicar de novo?
— Mais do que machucada, na verdade eu não tenho olho.
Falei isso erguendo bem alto o canto da boca, baixando o tom da minha voz mais do que o normal. Diante das minhas palavras, o Duke-sama congelou por um instante. O rosto é o mesmo, mas parece uma pessoa completamente diferente do Duke-sama de sempre.
A luz que entrava pela janela fazia os olhos do Duke-sama brilharem, mas a cor deles estava um pouco mais profunda que o normal. Uns olhos que, de alguma forma, pareciam ter perdido o brilho.
— O que aconteceu?
— …Foi o castigo por ter matado alguém.
— "Ahn" — as vozes de Henry-nii-sama e Jill se sobrepuseram. Me olhavam com expressões de choque.
Preciso fazer com que o Duke-sama, sem memórias, entenda que eu sou uma vilã. Uma chance como essa não aparece todo dia. E, além disso, é verdade que eu já matei alguém, na época do sequestro…
— Você matou alguém?
Duke-sama perguntou isso, franzindo bastante a testa. De fato, não é nada normal uma garota que nem é cavaleira matar alguém.
— Sim, algum problema?
Falei isso sorrindo levemente, com um tom animado, inclinando a cabeça de leve. Isso sim é ser uma vilã!
— Que leviandade.
Parece que minhas palavras o incomodaram… Matar alguém não é motivo de orgulho, mas naquela situação não teve outro jeito.
— Já vou indo.
Dizendo isso, o Duke-sama virou as costas pra gente e foi embora.
…Será que consegui passar bem a impressão de vilã? Fiquei pensando nisso enquanto via as costas do Duke-sama se afastando.
Pelo corredor comprido e amplo, só o som dos passos do Duke-sama ecoava.
— Quem será que fez isso?
— Precisamos procurar o culpado.
— Eu sou bem odiada, então vão surgir muitos candidatos.
Descobrir o culpado vai ser bem difícil. Não tenho a menor pista.
— O Duke de hoje de manhã era um homem tão mole com a Alicia, né.
— Eu acabei deixando ele bravo, mas…
— E depois disso, encontramos a Emma, encontramos a Marika, encontramos o Curtis e o Finn.
— Fico curioso em saber por que motivo você encontrou essas pessoas todas, mas acho melhor não perguntar agora.
— …Será que é algum tipo de carta de desafio direcionada a mim?
— Mesmo que seja uma carta de desafio, por que você está com essa cara toda boba de felicidade?
— Óbvio que estou feliz. Uma vilã só se torna completa quando alguém decide brigar com ela.
— Continua meio estranho isso tudo, mas… se a Alicia está feliz assim, tudo bem, então.
Jill disse isso com o rosto levemente franzido, como quem desistiu de tentar me convencer do contrário. Henry-nii-sama fazia a mesma expressão que o Jill.
…Enquanto eu não souber de quem é o desafio, não posso aceitar a briga. Eu não sou detetive, é impossível eu descobrir o culpado sozinha. Ah, o que eu faço agora?
— De qualquer forma, vamos reunir nossos aliados e conversar sobre isso.
— Contar com outras pessoas? Esse é um problema meu.
— Às vezes, um pouco de concessão é necessário. Principalmente porque esse caso parece ser bem complicado.
Jill disse isso com uma expressão séria. Henry-nii-sama também concordou com a cabeça diante das palavras do Jill.
— Está bem.
Concordei, ainda um pouco insatisfeita.