Capítulo 183
O sol brilhava intensamente sobre mim. O suor ia escorrendo aos poucos pela minha testa.
…Será que alguma vez já existiu alguma nobre que teve os lábios rachados de sede, presa dentro de uma jaula, sendo transportada até o castelo? Será que eu sou a primeira!? Ah, que sensação maravilhosa. É uma felicidade capaz de me fazer esquecer até desse calor e dessa sede.
— Alicia-sama, logo chegaremos ao castelo.
Um guarda perto de mim disse isso num tom suave.
Nunca vi, até hoje, um guarda falando de forma tão gentil com uma criminosa dentro de uma jaula. Eu preferia que me tratassem com mais aspereza. É isso que faz uma vilã de verdade. …O Duke-sama também fez uma coisa meio desnecessária, hein.
Se os guardas ficassem me xingando enquanto caminhavam, com certeza todo mundo na cidade pensaria que eu fiz algo terrível. Se fosse assim, eu poderia finalmente me tornar uma vilã reconhecida oficialmente por todo o povo!
Por que mesmo eu sonhava em ser uma vilã?… Essa dúvida passou de repente pela minha cabeça. Será que eu queria mesmo ser só uma vilã xingada por todo mundo? Ah, com esse calor, minha cabeça não está funcionando direito.
— Ei, por que aquela princesa está lá dentro?
— Aquela pessoa não é princesa, não. E o motivo dela estar ali é…
Uma conversa entre mãe e filha chegou de repente aos meus ouvidos. Diante da pergunta da menininha, a mãe hesitou em responder.
— Tem uma mulher bonita dentro daquela jaula.
— Ah, será que é a Alicia-sama da família Williams?
— Que olhos brilhantes, eu queria ser encarado por esses olhos.
— O que ela foi fazer, afinal?
— Ouvi um boato de que a Alicia-sama tem um comportamento péssimo na academia.
— Ah, eu também ouvi isso, parece que ela fica perseguindo a Liz-chan.
Agora! Guardas! Me xinguem! — implorei mentalmente, mas, por causa do Duke-sama de antes da amnésia, isso simplesmente não ia acontecer. E, além disso, se eu falasse isso em voz alta, ia parecer que eu sou masoquista.
A Liz-san cresceu nessa cidade, né. Claro que todo mundo é do lado dela. Ao contrário, não existe nenhuma obrigação de defender a mim.
— Eu também queria entrar dentro daquela jaula.
No meio de todo aquele barulho, a voz de uma menininha chegou nítida e clara aos meus ouvidos. Rapidamente, olhei na direção de onde vinha a voz.
— Ei, o que você está dizendo? Vamos pra casa agora.
Diante das palavras da menina, a mãe, num ar afobado, puxou o braço dela tentando levá-la embora. Mesmo assim, os olhos da menina continuavam brilhando enquanto me encaravam.
— Mas é que ela é muito atraente!
A menininha gritou isso pra mãe com uma voz cheia de energia.
…Atraente? Uma nobre presa numa jaula sendo atraente…? Ah, é isso, era exatamente isso que eu admirava desde criança na personagem da vilã. Uma mulher forte, assustadora e bonita, mas que, no fundo, carrega uma solidão, uma força de vontade firme e elegante — uma vilã atraente assim. É isso que eu sempre quis ser, desde pequena. Por que será que, há pouco, fiquei hesitando por um instante? Deve ter sido o calor.
Aquela menina disse que eu sou atraente, né? Ou seja, isso significa que, mesmo dentro de uma jaula, eu continuo encantando as pessoas!? Eu finalmente cheguei a esse nível de vilã. Que sensação maravilhosa de realização.
— Por favor, não fique chateada com as palavras do povo da cidade.
O guarda sussurrou isso baixinho na minha direção, de um jeito que ninguém mais pudesse ouvir.
Chateada? Muito pelo contrário. Afinal, eu sou uma vilã. Não tem problema nenhum que falem mal de mim.
— Não tem problema nenhum. É maravilhoso poder expressar a própria opinião com tanta franqueza.
Falei isso e endireitei a coluna. Uma vilã de verdade precisa manter a postura em qualquer situação! Mesmo exausta pelo calor, agora eu estava recebendo toda essa atenção, não é? Não podia mostrar nenhum sinal de fraqueza. Eu quero ser reconhecida pelo mundo como "a vilã que ninguém nunca viu fraquejar".
Pensando nisso, não mudei nem minha postura nem minha expressão até chegar ao castelo, por mais sedenta ou por mais calor que eu sentisse.