Capítulo 204 – Onze Anos, Jill
Onze anos, Jill.
— Está com saudade?
Perguntei isso me aproximando do Duke, que olhava vagamente pra fora da janela.
Provavelmente sou o único que percebeu que ele não perdeu a memória sobre a Alicia.
Reagindo à minha voz, ele se virou devagar na minha direção. Olhou fixamente nos meus olhos e, percebendo que era inútil mentir na minha frente, deu um sorriso fraco.
— É.
— …O Duke é meio idiota, sabia? Deixar a borboleta escapar assim.
Duke deu um sorriso amargo diante das minhas palavras.
Normalmente ele é sempre tão tranquilo, mas dessa vez parecia estar aguentando bastante.
Bom, exilar com as próprias mãos a mulher que se ama deve ser bem difícil, mesmo pra ele… …Bom, a própria Alicia está radiante de alegria com isso.
Será que, um dia, ele vai ser chamado de "o príncipe louco"? De fato, exilar a mulher que ama não é algo que uma pessoa em sã consciência faria. Mas, dado o cenário político internacional, não tinha outro jeito.
Nesta realidade em que as relações com outros reinos não vão nada bem, a única pessoa capaz de fazer alguma coisa é a Alicia. Não existe ninguém mais adequado que ela pra esse papel de espiã. Todo o resto é gente inútil demais.
Ou melhor, é o próprio reino que já é estranho desde a base. Por fora, tudo bem arrumado, mas por dentro, está em frangalhos.
A Alicia com certeza vai dar um jeito nisso.
Não tenho nenhuma prova concreta, mas ela é um gênio. Tem a capacidade de captar instantaneamente o que o outro quer, o que o outro precisa, e negociar em cima disso.
Diplomacia normalmente é algo completamente fora do alcance de uma nobre comum… mas parece que ela conseguiria fazer isso sem esforço nenhum. É esse o tamanho do potencial escondido dentro dela.
Em meio à adversidade, ela só fica cada vez mais forte, se aperfeiçoando, ficando cada vez mais bonita.
…O estado mental do Duke é impressionante. Achei que ele fosse do tipo bem possessivo, mas justamente por amá-la tanto, é capaz de deixá-la livre — é preciso ter um coração enorme pra isso. E ainda por cima, mandá-la pra um reino estrangeiro…
— Borboleta é feita pra voar.
— Hã?
Voltei a mim de repente, diante da fala inesperada do Duke.
Aqueles olhos fixos na janela deixavam claro que ele estava pensando na Alicia.
— Usar o poder de príncipe pra prendê-la aqui seria moleza. Mas isso não teria sentido nenhum. Fazer isso só faria com que ela me odiasse.
— A borboleta que voa é bonita. A Alicia só vai ficar cada vez mais bonita.
— É, é verdade.
— Será que ela não vai voltar mais?
— Ela vai voltar.
Duke respondeu de imediato.
De onde vem toda essa confiança, afinal? Claro, eu também quero que ela volte. Mas não sabemos o que pode acontecer do outro lado. Talvez ela decida ficar no reino de Lavarre, quem sabe.
— A Alicia não perde de vista o próprio objetivo.
— De fato, é raro encontrar alguém com uma convicção tão forte assim… …E a possibilidade de ela ser conquistada por outro homem?
Isso é totalmente possível. Goste ou não, todo mundo acaba se sentindo atraído pela personalidade dela.
E, além disso, a aparência dela… impecável. A menos que ela minta completamente sobre a personalidade e esconda o rosto por completo, com certeza alguém no reino de Lavarre vai se apaixonar por ela.
— …Isso não vai acontecer.
Duke abriu a boca depois de um pequeno silêncio.
— Homem, ela já tem trabalho o suficiente comigo só.
…O que foi que ele fez, afinal? Será que ele já fez alguma coisa com ela? Vindo do Duke, é bem capaz.
— Você beijou a Alicia, que praticamente não tem experiência nenhuma em romance e é lenta pra essas coisas?
Diante das minhas palavras, o Duke deu um sorriso maroto.
Nossa, que cara de malvado. Um beijo do nada, marcando território, deixando claro que o único homem é ele mesmo, foi isso.