Capítulo 206
— …O vovô?
— Isso mesmo. Preciso dele.
Entendo o que o Duke quer dizer, mas o problema é se o vovô vai sair do vilarejo da pobreza ou não. Com certeza ele vai dizer que prefere continuar como está.
Não posso dizer isso em voz alta, mas não existe ninguém mais apto a ser rei do que ele.
— O talento pra ser rei tem uma parte que não se resolve com esforço.
— Ou seja, você está dizendo que o rei atual não serve?
— Basicamente, sim.
Se um príncipe diz isso, já é o fim.
— Quase não tive contato com meu tio. Mas, na única vez que conversamos, já entendi mais ou menos a essência dele.
O vovô é impressionante, mas o Duke também. Ele parece ter, desde o início, um olhar apurado pra enxergar as pessoas.
Ele sempre esteve do lado da Alicia desde o começo. Manter essa convicção o tempo todo, sem vacilar, mostra o quanto ele é rendido a ela. …Bom, eu não tenho moral pra falar de ninguém.
— Eu quero investigar um pouco a habilidade da Liz.
— Isso também me intrigava.
— O Duke era próximo do Albert, né?
— Antigamente.
— A santa vale mais que a própria irmã, é?
— …O Albert não era esse tipo de homem.
O Duke fez uma expressão complicada.
O motivo de dois irmãos, antes próximos, terem se afastado é a Liz. Não consigo pensar em outra explicação a não ser que ela esteja, de alguma forma, lavando o cérebro deles.
No começo, achava que Albert e Alan e os outros eram só idiotas mesmo, mas, aos poucos, comecei a desconfiar cada vez mais da própria Liz.
— Ele às vezes age de um jeito que nem parece o irmão que eu conheço.
— Ele se apegou demais à Liz… …É meio assustador, até.
— Os piores casos são o Eric, o Gale, o Albert e o Alan. …Em contrapartida, eu, o Curtis, o Henry, o Finn, e o Duke, ou desconfiamos dela ou não gostamos dela. Qual será a diferença, afinal?
— O Finn é difícil de ler, não sei se ele está do lado da Alicia ou do lado da Liz.
— Ele tem a cara mais fofa de todos, mas talvez seja justamente o mais calculista, no fim das contas.
— Aquele cara é calculista desde criança.
O Duke disse isso como quem afirma o óbvio.
…Calculista desde criança, é? Ou melhor, nunca notei nenhum sinal disso até agora.
De qualquer forma, quase nunca conversei muito com ele. Não consigo entender direito que tipo de pessoa ele é.
— Ele sabe que é bonitinho.
— Ou seja, ele usa a própria aparência como arma pra conquistar as pessoas?
— Isso também, mas o hobby do Finn é observar conflitos alheios como um terceiro de fora.
— O quê? Nunca soube disso.
— Poucas pessoas sabem.
Não tenho intenção nenhuma de contar isso pra ninguém, mas será que está tudo bem o Duke me contar uma informação dessas com tanta facilidade?
Estando junto de outras pessoas, dá pra conseguir informações que eu nunca teria conhecido antes. Bom, talvez seja porque a pessoa em questão é o Duke.
Sempre estive junto da Alicia até agora, então isso tudo parece bem novo pra mim.
— Tem uma coisa que eu queria perguntar.
— O quê?
— Quando você vai parar de fingir amnésia?
Ele ficou paralisado por um instante diante da minha pergunta, mas logo em seguida deu um sorriso fraco.
— É verdade, eu nem tinha pensado nisso.
Nunca imaginei ouvir uma resposta dessas vindo justamente do Duke.
— Bom, eu fiz isso pra conseguir exilar a Alicia, então quem já sabe, já sabe mesmo.
— O Duke sempre foi assim mesmo?
— Assim como?
— Não, nada. Só sinto que a imagem de príncipe está aos poucos se desfazendo aqui.
— Eu nunca fui bem o tipo "personagem de príncipe", pra começar.
Pra mim, ele sempre foi um "personagem de príncipe" perfeito. Sempre vinha correndo em socorro nos momentos de crise da Alicia, bonito, excelente em magia, nos estudos, na esgrima — impecável em tudo.
— Espera, quem mais sabe que a amnésia do Duke é atuação?
De repente, me lembrei de algo e perguntei rapidamente, num tom apressado.