Capítulo 274
O Victor bebia com elegância bem na minha frente. Meus avôs tinham pedido café quente.
Consegui, de algum jeito, escapar daquela multidão. O Vice-capitão Neel me ajudou, e assim consegui sair daquela situação.
Foi difícil, sendo bombardeada de perguntas por tanta gente diferente de uma vez. Nem o príncipe Shōtoku daria conta daquilo.
— Demorou.
O Victor disse isso sem cruzar o olhar comigo.
O Capitão Marius e os outros curvaram a cabeça, dizendo "sinto muito". Observei com calma o lugar em que estávamos agora.
O Capitão Marius tinha dito antes que esse era o lugar favorito do príncipe… mas não parecia nada com isso.
Ao entrar na loja, conseguimos subir pro segundo andar graças ao reconhecimento facial do Capitão Marius e dos outros, mas a loja inteira tinha uma decoração mais voltada pro povo comum.
As lâmpadas não eram muito iluminadas, feitas de madeira meio antiquada, e havia pouca gente. O dono também era um homem carrancudo e de poucas palavras. …Parecia meio que um esconderijo secreto.
— O que você está pensando?
O Victor me olhava, investigativo.
— Achei que esse lugar era meio estranho.
— Quer dizer, que não combina comigo?
…Será que o Victor é telepata?
— Aqui é calmo, e ninguém me incomoda.
Victor continuou dizendo isso.
Acho que consigo entender um pouco. Comparado àquele castelo rigidamente decorado, aqui deve ser bem mais relaxante.
— Vai beber?
— Recuso.
Diante da minha resposta, uma tensão percorreu o ambiente. Só meus avôs continuavam bebendo café com uma expressão tranquila.
O Vice-capitão Neel, achando que eu tinha ferido o humor do Victor, me repreendeu com firmeza.
— Recusar assim é uma falta de respeito.
— Não posso baixar a guarda. Quero manter a cabeça sempre lúcida.
— Este lugar é seguro. E, além disso, um pouco de relaxamento não faz mal…
— Esqueceu? Até pouco tempo atrás, eu era praticamente uma escrava. Preciso me proteger sozinha. Sair por aí sempre é andar lado a lado com o perigo.
Diante da minha resposta, com um sorriso radiante, o Vice-capitão Neel se calou.
— O príncipe não fica bêbado?
— Mesmo querendo ficar bêbado, não consigo.
Diante da minha pergunta, o Victor respondeu de forma curta.
Pra ser sincera, provavelmente ele mantém a consciência mesmo bebendo o bastante pra lutar, mas, já que eu ainda não sei como a bebida deste reino afeta meu próprio corpo, é melhor não beber em público. Principalmente na frente do Victor.
Se eu deixar escapar alguma coisa sem querer, seria um problemão.
— Não vou forçar. Peça o que quiser.
O príncipe disse isso e me entregou um pequeno cardápio.
Café ou bebida alcoólica, só essas duas opções. Eu estava pensando em pedir chá…
Que loja com poucas opções de bebida. Como será que consegue funcionar assim?
O Capitão Marius e o Keres pediram bebida alcoólica, e eu e o Vice-capitão Neel pedimos café.
— Voltando ao assunto de agora há pouco. Como você vai fazer com os membros do seu batalhão? De onde você vai selecionar o pessoal?
O Victor bebeu de uma vez o copo cheio de bebida e o colocou na mesa com um pouco de força.
— Não precisa se preocupar com isso, eu mesma vou procurar os membros pessoalmente.
— Vai procurar um por um?
— Sim. Vou avaliar com os meus próprios olhos.
— Que trabalho chato de dar. Eu ia até oferecer pra você levar quem quisesse do meu próprio batalhão. E, além disso, quem quereria entrar num batalhão de uma pirralha? Não seria só gente fraca? Você está tentando criar um batalhão zé-ninguém?
Como esse príncipe é tão bom em provocar, hein… …Mas, num mundo de otome game, é justamente esse tipo de pessoa que costuma virar alvo de conquista principal.
— É o contrário.
— Hã?
Diante das minhas palavras, o Victor franziu o rosto.
— Quero que entrar no meu batalhão seja considerado a coisa mais difícil do mundo. Vocês vão perceber, quer queiram quer não, que entrar no meu batalhão vai ser a maior honra que existe.
Falei isso sem perder o sorriso do rosto.