Capítulo 276
Afinal, meu exílio ao reino de Lavarre é como uma espécie de treinamento pessoal.
Depois de um tempo, tenho um plano de retorno triunfal ao Reino de Dulkis como vilã, planejando voltar assim que possível.
Nunca imaginei que fosse me tornar tão querida assim pelo Victor…
— Ei, por que você está com essa cara de incômodo? Uma palavra dessas do príncipe, ninguém nunca recebe nem em toda uma vida.
— Baixinha, você não faz ideia do quanto é impressionante conquistar o favor do príncipe. Sendo cavaleiro do Príncipe Victor, não existe coisa mais valiosa do que isso.
Depois do Capitão Marius, o Keres também interveio.
Sei muito bem que é uma honra, mas, pra ser sincera, não era isso que eu buscava. Não é bom que eu me torne indispensável pro Victor.
Não posso dizer aqui que devo considerar a possibilidade de, algum dia, deixar a presença dele.
Ou melhor, seria acusada de lesa-majestade. Talvez eu acabasse voltando pra aquele coliseu de novo.
— Muito obrigada?
— Por que essa frase soou como pergunta?
Diante das minhas palavras, o Victor franziu a testa.
— Ahn, posso confirmar uma coisa só?
— Sim.
— É sobre o primeiro príncipe.
Num instante, a expressão do Victor mudou. Ele fez uma cara explicitamente de desagrado.
Não precisava odiar tanto assim, não é? Mesmo sendo irmãos, será que se pode demonstrar tanta aversão assim, de forma tão aberta?
Eu também não era querida pelo Albert-nii-sama e pelo Alan-nii-sama, mas eu não os odiava, exatamente.
— Ele realmente deseja a sucessão ao trono?
— Sei lá.
— O senhor realmente não sabe de nada mesmo?
No exato instante em que eu insisti um pouco mais, o ar do ambiente congelou por completo.
Uma sede de sangue absurda emanava do Victor. Parecia prestes a me matar a qualquer momento.
Ah, parece que entrei fundo demais num lugar que não devia mexer.
— É melhor você aprender direito com quem está falando. …Marius, corta os dedos dele.
Diante daquele tom calmo dele, todos ficaram paralisados. Dava pra perceber que o Victor estava falando sério de verdade.
Já sabia que ele era uma pessoa bruta, mas nunca imaginei que fosse chegar a esse ponto…
— Marius.
A voz clara e baixa do Victor ecoou pela sala. Diante daquilo, Marius estremeceu levemente o corpo.
— M-mas, Alteza…
— Cala a boca e faz.
— Acho prudente reconsiderar.
Meu avô interveio delicadamente, tentando acalmar a raiva do Victor.
— Cala a boca. Esse aí está se achando demais. Precisa aprender uma lição. Vou fazer com que entenda seu próprio lugar.
…Que pena, mas você nem chega perto do meu nível.
— Pressa gera prejuízo, príncipe.
— Hã?
— Por que você está sorrindo numa hora dessas?
— …Isso já passa dos limites de "não ter medo de nada".
Depois das palavras do Victor, ouvi as vozes do Keres e do Capitão Neel.
— Beba alguma coisa e se acalme, por favor.
— Você está me subestimando? Ou realmente quer morrer?
— O lugar onde vou morrer, eu mesma escolho.
— Por que você está tão firme assim? Peça desculpas logo.
Keres sussurrou isso pra mim. Que bom, ele está preocupado comigo.
Eu não sou fraca a ponto de morrer nas mãos de um príncipe de um reino vizinho. E, além disso, ultimamente não tenho feito nada muito vilanesco, então já estava mesmo querendo um pouco de emoção.
O Victor abriu a boca, sem desviar o olhar de mim.
— Marius, segura ele logo.