Capítulo 282
Fiquei calado, sem dizer nada, só ouvindo a história dela.
— No meu caso, foi o Duke quem me ajudou. Não é como se eu estivesse bem sendo intimidada. Todo dia era sofrido e difícil. Mas o Duke e todo o conselho estudantil estenderam a mão pra mim.
De alguma forma, sinto que a história está sendo um pouco romantizada, mas, como eu não estava lá pessoalmente, decidi não comentar nada.
— A partir daí, eu recuperei minha própria confiança. Como o Duke era popular, isso trouxe ainda mais gente com inveja de mim, mas eu fingi não perceber. Muito pelo contrário, tentei me aproximar delas, ser amiga.
Isso não seria jogar mais lenha na fogueira?
— Aí, elas foram me entendendo aos poucos.
Nossa, que impressionante, a magia da sedução! Que poder absurdo.
— Por isso, sabe, acho que se conhecer de verdade é algo realmente importante. Se a gente conseguir se entender, nenhum conflito acontece. Se respeitarmos as ideias uns dos outros e cedermos mutuamente, acho que dá pra construir um mundo maravilhoso.
………..Do que ela está falando, afinal?
A conversa vai mudando cada vez mais de rumo. No final, virou até um discurso sobre paz mundial. O conteúdo é surpreendentemente raso.
— Ou seja, você está dizendo que a gente devia ceder?
— É, acho que sim.
Segurei firme minha vontade de dizer várias coisas.
Antes de mais nada, preciso primeiro reconhecer o ponto de vista dela. A Alicia, com certeza, faria isso.
Respirei fundo de leve e encarei aqueles olhos verde-esmeralda.
— De fato, se a humanidade inteira conseguisse fazer isso, seria um mundo ideal. Mas existem muitas coisas que não dá pra ceder. Cada pessoa vive com orgulho da própria forma de pensar. Resumindo de forma simples, é como uma religião. Quando alguém acredita demais em algo, tende a ficar cego e passa a negar qualquer outro pensamento diferente. Kate Liz, muita gente respeita a sua forma de pensar. Mas a maioria não significa necessariamente estar certa. No exato momento em que você tenta espalhar sua noção de justiça pra todo mundo, a possibilidade de nos entendermos de verdade já se torna impossível.
O que a Kate Liz está dizendo e o que realmente acontece dentro da academia são coisas completamente opostas.
— Isso soa como se eu estivesse impondo meus próprios valores em todo mundo.
Franzindo a testa, ela respondeu isso. Aquela voz cristalina chegou aos meus ouvidos.
— Não é assim?
— Não é. Eu odeio esse tipo de coisa que parece lavagem cerebral.
— Fazer isso sem perceber é assustador, viu.
— O que você quer dizer com isso?
Ela me olhou com uma expressão de estranhamento. É raro ver a Kate Liz com essa expressão.
— Nesse caso, e a Alicia-chan, que o Jill-kun tanto admira? Ela é quem realmente tenta impor os próprios valores nos outros.
Bom, é claro, a Alicia é vigilante da Kate Liz. Se ela não expressasse a própria opinião com força suficiente, você nem perceberia isso.
— Antes de mais nada, não entendo por que aquelas pessoas que praticavam bullying nunca recebem nenhum olhar de crítica. Por que você continua sendo amiga desse tipo de gente? …Isso não é ser boazinha, isso é ser boba.
— A gente se entendeu de verdade!
Talvez irritada com minhas palavras, ela disse isso com um tom mais forte que o normal.
"Se entender de verdade" — vindo da Kate Liz, essa expressão soa de alguma forma suspeita.