Capítulo 291
A doença contagiosa que está se espalhando no reino de Lavarre…
— É a doença das manchas?
— É, isso mesmo.
— A causa mesmo é o rio Deigon, não é?
Isso foi algo que o Jill respondeu numa aula da academia de magia, tempos atrás. O remédio pra curar a doença das manchas é uma flor chamada Madi.
Mas o problema é que só conseguem colher algumas poucas por ano. E, ainda por cima, os nobres de alto escalão levam tudo pra si. Faz sentido a doença contagiosa não terminar tão facilmente assim.
— Que conhecimento detalhado. Com certeza a causa é algum tipo de bactéria presente no rio Deigon, mas ainda não se sabe a causa exata. Aliás, onde você conseguiu esse tipo de informação?
— Estudei um pouco sobre isso.
— "Um pouco", é? Então você também conhece a existência da flor Madi?
— Sim. É uma flor que floresce em penhascos altos, não é?
O Victor não desviava o olhar, encarando meus olhos fixamente.
— Escuta bem, neste reino, só os nobres conhecem a existência da flor Madi. Os plebeus acreditam que, se pegarem a doença das manchas, vão morrer. Não existe antídoto — só resta ser isolado e sofrer.
Ele já viu através de mim que não sou uma plebeia comum.
— …Até onde o príncipe sabe sobre minha verdadeira identidade?
Diante da minha pergunta, ele respondeu depois de uma pequena pausa.
— Só sei que você é uma pirralha e tanto.
Não pode ser só isso… Será que ele disse isso por consideração comigo?
— Não vá se enganando achando que eu tenho algum interesse especial em você.
Retiro o que pensei. É impossível esperar consideração desse príncipe.
— Vou tomar cuidado com o que digo daqui pra frente.
— É. Não quero que você acabe chamando a atenção de outras pessoas por engano, seria um problema.
Dizendo isso, ele abriu a porta do próprio quarto.
Estou sendo discretamente conduzida pro quarto dele. …Mas, de fato, também seria estranho continuar essa conversa sobre a doença parada em frente à porta.
Segui ele e entrei no quarto. Era diferente do quarto onde encontrei o Victor pela primeira vez.
Nada de excessivo, um quarto amplo com apenas uma cama. Que cama de presença imponente…
Uma luz solar tremenda entrava por uma janela grande.
Será que é aceitável, moralmente, uma nobre solteira entrar no quarto de dormir de um homem…? Bom, já que ninguém me vê como mulher aqui, tudo bem!
— A partir de hoje, você vai dormir aqui.
— Acho que consigo dormir bem nesse tapete felpudo no chão.
— Um plebeu comum ficaria super feliz ao ver essa cama.
Tive a impressão de que ele enfatizou de propósito a palavra "comum". Será que ele está esperando uma reação normal de mim?
Será que, pra sobreviver aqui, preciso interpretar até o fim o papel de "garoto exilado"?
— Uauu! Que magnificência! Que quarto gorgeous e beautiful!
Coloquei as duas mãos no peito, olhando ao redor com uma expressão de puro deslumbramento.
…Até eu mesma me encolho de vergonha com essa atuação canastrona. Esse tipo de teatro não é o meu forte.
— Seus olhos estão sem vida nenhuma.
— Não dá pra ver por causa do pano, não é mesmo?
— Mesmo assim, dá pra perceber.
Ah, será que o príncipe também tem uma visão excepcional, tal como eu?