Capítulo 293
— Você quer acabar com a epidemia?
Falei isso me virando na direção do Victor.
— Claro que sim. Já surgiram muitas vítimas. …Você tem alguma solução?
— Tenho, sim, uma solução. Mas será que eu contaria de graça?
Numa negociação, é sempre bom ficar numa posição mais vantajosa que a do outro lado.
Victor disse isso, franzindo o rosto.
— O que você quer, afinal? Joias? Moedas de ouro?
— O príncipe é surpreendentemente bobo, hein.
— Bobo?
Ele lançou um olhar afiado na minha direção, sem piedade nenhuma. Será que ele esqueceu que eu sou mulher?
— Já disse há pouco que quero folga. E, além disso, quero também que me apresente ao primeiro príncipe.
Falei isso com um sorriso radiante.
Quero muito conhecer o primeiro príncipe, tão detestado assim pelo Victor. Agora, o único contato que tenho pra chegar até ele é justamente o Victor.
Por mais que ele odeie que o assunto do irmão apareça, preciso que ele aceite essa condição…
— Você é mesmo persistente, hein. Você sabe muito bem que eu odeio aquele cara.
— Não misture sentimentos pessoais numa negociação. Pra virar rei, não é necessário agir de forma lógica, considerando só vantagens e desvantagens?
Também sou bastante provocada pelo Victor, então acho que posso devolver um pouco disso.
— Haa, será que eu caí tão baixo assim a ponto de me deixar levar pela proposta dessa pirralha malcriada?
— Que jeito de falar! Isso quer dizer que eu venci dessa vez.
— Não fico satisfeito, mas parece que não tenho escolha a não ser aceitar essa condição.
— Que bom que a conversa foi rápida assim. A folga vai ser uma vez por semana.
— O QUÊ!?
Victor arregalou os olhos e levantou a voz.
Considerando tudo o que já fiz até agora, isso já ignora completamente as leis trabalhistas. Um dia de folga por semana é o mínimo necessário.
E, além disso, eu deveria até receber bônus pela expedição. Se eu não tivesse vindo pra confirmar a situação atual do reino de Lavarre, com certeza estaria processando ele.
— Bom, então, negociação concluída!
— Ei, isso não faz sentido.
— O que não faz sentido? É melhor do que eu fugir daqui, não é? Aliso, vou avisando, fugir seria moleza pra mim.
— Se você fugir, além de não conhecer o primeiro príncipe, também não vai mais receber educação daqueles velhos.
Victor disse isso com um tom calmo.
De fato, é verdade. Também não seria bom pra mim ser expulsa deste castelo… …Erro de negociação da minha parte.
Se eu tivesse pedido dois dias de folga por semana logo de início, poderia ter cedido pra um dia sem perder nada.
— Mas pense bem. Eu posso curar todos os pacientes da doença das manchas, sabia?
— …De onde vem tanta confiança assim?
— Confiança, algum dia, vira convicção. E convicção existe pra ser realizada.
Encarei o Victor como se o atravessasse com o olhar.
— Por que você se esforça tanto assim por outro reino? Quer virar heroína?
— Do que você está falando?
Olhei pro Victor com um ar de deboche. Talvez ele não esperasse essa expressão vindo de mim — fez uma cara levemente confusa.
— Eu sou famosa justamente por ser inadequada pro papel de heroína, sabia?
— Nunca ouvi falar disso.
Victor rebateu na hora.
— Pensa bem. Uma pessoa má como eu, depois de salvar todo mundo, não iria simplesmente deixar de aproveitar isso a meu favor, iria?
— Hã? Já não entendo mais nada de você. …Bom, tanto faz, continua falando.
Victor parecia ter desistido de tentar me entender.
— Se eu conseguir só uma única flor Madi, dá pra curar todos os pacientes da doença das manchas completamente.
— É, isso é o que as pessoas chamam de ser uma heroína.
É meio novidade ver o Victor confuso assim.
— Depois disso é que importa. Todos vão ficar gratos a mim, não vão? É exatamente isso que eu quero!
— O que você vai fazer?
— Depois de recuperados, vou fazer todos trabalharem ainda mais, e aumentar bastante os impostos.
Falei isso erguendo o canto da boca, com a expressão perfeita de vilã.