Capítulo 301
— Alan, será que dá pra conversar um pouco?
Dentro da mansão, o Henry chamou o Alan.
…Nunca imaginei que fossem realmente colocar em prática.
Sinto que isso vai contra a moral, mas, já que o príncipe disse que estava tudo bem, tudo bem então.
Não costumo ver muito os dois conversando, mas, entre nós, o mais adequado pra chamar o Alan é mesmo o Henry.
Se o Duke chamasse o Alan, ele com certeza viria também, mas geraria suspeita na hora. E, mais do que tudo, viraria boato.
Fiquei observando disfarçadamente a cena entre eles. Dava pra ver as costas do Alan e o rosto do Henry.
Cruzei olhar com o Henry. Ele, ao me perceber, deu uma piscadinha.
…Sem tensão nenhuma, esses caras.
Bom, talvez seja melhor assim, com tanta descontração? …Ficar perto deles me deixa com a sensibilidade meio anestesiada.
— O que foi?
Alan não parecia muito desconfiado.
Mesmo em facções diferentes, será que irmãos não ficam desconfiados um do outro?
— Qual é o seu nível de magia atualmente?
— Cinquenta e dois.
Alan respondeu de imediato à pergunta do Henry.
Cinquenta e dois? Não é meio baixo!?
Não, espera, com dezoito anos, talvez seja mesmo esse o normal?
A Alicia agora está com quinze — não, ela deve ter feito aniversário do outro lado, então já são dezesseis anos. Nível 91.
O Duke, com vinte anos, tem nível 100. …Faz sentido, meu grupo de amigos é mesmo anormal, né?
Não faço a menor ideia do que é considerado "normal"!!
Não sei sobre a Mel, mas, como o elemento dela não é um dos cinco elementos nobres, acho que não deve ser tão alto assim mesmo.
Se eu tirasse a média de todo o pessoal ao meu redor, provavelmente o Alan acabaria sendo o "aluno mediano fraco".
— E o Henry?
— Sessenta e oito.
— Sendo gêmeos, somos bem diferentes, hein.
Talvez com um tom de ironia, Alan disse isso rindo.
— Desde sempre, você sempre esteve à frente de mim.
— Era assim mesmo?
Diante das palavras do Alan, Henry inclinou levemente a cabeça, confuso.
Quem está atrás consegue ver melhor quem está à frente. Quem caminha à frente nem se dá ao trabalho de olhar pra trás, pros que ficaram atrás.
Eu, que sou do vilarejo da pobreza e agora frequento a academia de magia, consigo entender isso bem. Entendo os sentimentos do Alan, e também os da Liz. …Consigo entender, mas isso não significa que algum dia eu ficaria do lado deles.
O Henry, o Duke e a Alicia provavelmente nunca conseguiriam entender esse sentimento deles.
Neles, esse tipo de inveja e ciúme é raro de sentir. Quem tem tranquilidade de sobra nunca sente inveja de ninguém.
— A magia e as notas, era sempre o Henry na frente. Lembra quando a Alicia ainda era pequena, e o Eric e o Henry a levaram até a loja de plantas da cidade? Naquela época, eu tinha um desempenho tão ruim que precisei de aulas especiais com tutor particular.
— Ah, é verdade, teve isso mesmo.
— Bom, faz sentido você não se lembrar.
— Ser gêmeo é complicado mesmo, hein. É bem diferente de só ser comparado com o Al-nii.
Henry disse isso com um tom autodepreciativo.
…Espera, isso não está indo pra uma direção bem estranha? Isso é completamente diferente do plano que o Henry tinha dito antes.
Que história é essa de "pergunta o clima e chama o Alan até aqui"?
Bom, desde o início, também não imaginei que fosse ser assim que o Alan seria "capturado".