Capítulo 305
— E aí, o que a gente faz agora com isso?
Mel apontou pro Alan, amarrado com cordas na cama, dizendo isso num tom frio.
Ela realmente não tem piedade nenhuma quando se trata de gente do lado da Liz, hein.
Pra entender a situação: depois de capturar o Alan, o Henry saiu da mansão de carruagem e se juntou ao Duke e aos outros. Sem que ninguém percebesse, usaram a porta dos fundos, e agora estamos numa sala secreta dentro da própria casa do Duke, ou seja, dentro do palácio real.
A Mel realmente queria trancá-lo numa masmorra subterrânea, mas eu e o Duke a impedimos, achando que seria demais.
Olhei pro Alan.
Como esperado, um belo homem. Sinto que a estrutura óssea dele se parece um pouco com a da Alicia. Faz sentido, afinal, são do mesmo sangue.
Mesmo assim, quando será que ele vai acordar? Já se passaram umas dez horas desde que o Alan adormeceu.
— Ele não está acordando.
— Talvez fosse melhor ter usado um sedativo mais leve.
Diante das minhas palavras, o Henry deu um sorriso amargo.
Não, espera, no plano original, era pra capturá-lo sem sedativo nenhum, não era?
Guardei essa observação só pra mim mesmo, sem falar em voz alta. Não tem fim se eu ficar corrigindo tudo o que esse pessoal faz.
— Vamos acordá-lo.
Duke murmurou isso e estalou os dedos.
No mesmo instante, um balde inteiro de água caiu direto no rosto do Alan.
Nossa, magia de água, digna de admiração!! …Não, não é hora de admirar isso. Mesmo sendo filho de uma das cinco grandes famílias nobres, esse tratamento é bem cruel.
— Nn, nnnh.
Alan abriu os olhos devagar.
Claro que a gente, sendo sequestradores, estava com a boca dele coberta por um pano pra não sair som nenhum. Isso é essencial.
Dava pra ver os olhos do Alan se arregalando enormemente ao ver a figura do Duke.
Faz sentido ele se surpreender ao descobrir que o mandante desse sequestro é justamente o príncipe.
— Ah! Ele acordou! Bom diaaa~~
Mel disse isso com uma voz animada, acenando pro Alan.
Alan tremia o corpo inteiro, com medo do que poderia acontecer com ele.
— Fica tranquilo, a gente não vai te machucar.
Falei isso, tentando aliviar um pouco a desconfiança do Alan.
Bom, dado o contexto, duvido que ele fosse acreditar mesmo.
— Ué, não vai machucar?
— Você estava pensando em machucar ele?
Mel me olhou surpresa, mas quem ficou surpreso de verdade fui eu.
Desde quando a Mel virou tão radical assim… não, essa garota sempre foi radical desde o início mesmo.
— Nn! Nnnnh!!
Alan gritava com todas as forças, mas era impossível entender o que ele dizia.
— Ah, entendi! Ele está gritando que ama muito a Ali-Ali!
Mel disse isso com os olhos brilhando.
Alan olhava pro Duke, tentando apelar desesperadamente.
— Nnh! Nnnnnh!
— Henry, tira o pano dele.
Diante das palavras do Duke, Henry obedeceu.
— Espera, o som não vai vazar pra fora…
— Tem magia impedindo qualquer som de escapar daqui.
Duke respondeu ao meu murmúrio baixinho.
— Então, por que colocaram o pano na boca dele, pra começar?
— Assim dá pra estimular mais o medo dele.
Duke disse isso, erguendo o canto da boca.
…Nossa, definitivamente, o Duke é a última pessoa que eu gostaria de ter como inimigo.