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I’ll Become a Villainess That Will Go Down in History – Capítulo 354

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Capítulo 354

A posição de primeiro príncipe no reino de Lavarre. Isso significa nunca poder mostrar fraqueza a ninguém.

Comigo é a mesma coisa. Como senhorita de uma das cinco grandes famílias nobres, a Williams, preciso ser sempre forte.

Manter a elegância, viver na solidão do topo — isso é o mínimo esperado. O Vian, com certeza, tem um coração muito mais forte do que eu poderia imaginar.

Mesmo assim, conseguir se mostrar de verdade, mesmo que só pra uma única pessoa, deve ser algo que traz alívio. Eu tinha tantos companheiros próximos no reino de Dulkis que nunca cheguei a sentir solidão de verdade. …Mas com o Vian é diferente. Ele deve ter vivido sozinho o tempo todo.

Mesmo sem minhas palavras, ele conseguiria continuar vivendo neste mundo. Mas viver como primeiro príncipe do reino de Lavarre significa apagar o próprio "eu verdadeiro".

O reino de Lavarre precisa do Vian, mas não precisa da Vivian.

Essa é a lógica deste mundo em que vivemos.

— Por que você é tão gentil comigo?

O Vian apertava o vestido vermelho contra o próprio peito e me encarava diretamente.

Aqueles olhos límpidos, sem nenhuma sombra, davam a impressão de que eu podia ser sugada por eles. Por mais que eu tentasse pensar numa fala digna de uma vilã, nada me vinha à cabeça.

Diante daquele olhar que não permite mentiras, só me restou responder com sinceridade.

— …Eu queria dar à Vivian um mundo um pouquinho mais fácil de viver.

Assim que falei isso, vi os olhos dele ficarem levemente marejados. Uma expressão que ele nunca mostraria enquanto estivesse sendo o Vian.

Que honra ter conhecido a verdadeira ela.

— Você é uma boa pessoa, hein.

— Não sou… uma boa pessoa nenhuma.

Fiquei sem palavras por um instante, minha voz saindo fraca. Eu não sou uma boa pessoa.

Mas, por mais que eu queira virar uma vilã, até eu consigo perceber. Agora, eu sou uma boa pessoa pra ela. Talvez essa tenha sido a primeira coisa boa que fiz na vida.

— Você não parece feliz com isso.

— Eu nunca quis ser uma boa pessoa. Só que…

— Fazer o bem sem perceber é realmente um pecado, não é?

— Hã?

Não consegui ouvir direito o que o Vian murmurou baixinho.

— Não, nada não. …Existe gentileza escondida dentro da severidade e da força. Poucas pessoas conseguem perceber isso. E, às vezes, quando percebem, já é tarde demais. O povo pode chamar você, exilada, de vilã. Mas isso é só superficial. O verdadeiro mal é muito mais profundo, muito mais enraizado, e sempre tenta nos enganar.

…Nossa, o príncipe do reino de Lavarre acabou de me dizer que eu não sou uma vilã.

Bom, tudo bem, já que no reino de Dulkis eu sou considerada a senhorita mais malvada de todas. E, aqui, ainda por cima, preciso continuar fingindo ser homem.

— Será que eu devo aprender o verdadeiro mal aqui, neste reino… Aí eu voltaria pra casa num nível ainda mais alto.

Diante das minhas palavras, o Vian fez uma careta.

— Do que você está falando? Siga suas próprias convicções. …A Alicia sempre brilha, sabia. Eu tenho inveja de você.

— Vivian~~!

Sem conseguir me segurar, abracei o Vian. Ela disse "ai, não tem jeito com você" e passou a mão, com carinho, na minha cabeça.

Desse jeito, isso já não é mais uma relação de amigas — vira relação de mãe e filha…

Mas é tão gostoso e confortável assim.

— Vamos, se troca logo e vamos pra cidade!

A voz da Vivian, mais aguda que o normal, ecoou pelo quarto.

Trocamos de roupa. A Vivian me ajudou a colocar os acessórios.

Com movimentos habituados, ela colocou os próprios brincos. O gesto era tão sedutor que fiquei encantada, olhando sem perceber. Talvez percebendo meu olhar, a Vivian cruzou os olhos com os meus.

— O que foi?

— Eu também queria conseguir esse tipo de sensualidade.

A Vivian baixou o olhar pro meu colo. Entendi na hora o que ela queria dizer. Sem querer, meu rosto ficou vermelho.

— …Ei! Não tem jeito mesmo! Eu sou padrão! Todo mundo que é grande demais!

— É mais fácil de treinar, e também é mais difícil de perceber que você está disfarçada de homem, então até que é bom, não acha?

Que consolo mais estranho é esse.

Ninguém nunca tinha me provocado sobre isso antes. Eu definitivamente não sou pequena. É só que a minha rival, a Liz, é que é bem grande. Realmente digna de ser a heroína de um otome game.

Soltei um suspiro enorme. Já vou parar de pensar nisso.

— Sensualidade não se resume ao busto.

— De fato, é verdade… Além disso, o tipo de sensualidade que eu penso não é sobre aparência.

— Então por que você baixou o olhar?

Ele não disse nada, só tossiu de leve pra disfarçar.

Bom, imagino que, no sentido comum da palavra, seja isso mesmo…

— Então, que sensualidade é essa que a Vivian está falando?

— Aquela que brota de dentro. Como uma flor que floresce plena, em meio à adversidade, capaz de atrair as pessoas… Exatamente como você.

Ela respondeu isso na hora, sem hesitar.

…Espera, ela acabou de dizer "você"?

— Vamos.

— Espera, ahn…

Sem nem ter tempo de pensar no que aquelas palavras do Vian queriam dizer, saímos do quarto escondidas, sem que ninguém percebesse.


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