Capítulo 363
— Então, como você vai salvar o Rio?
O Leon se sentou.
Ele já consegue se levantar… Uma pessoa normal ainda não conseguiria se mexer depois disso.
Realmente parece que ele foi treinado a sério como assassino.
— Vou atrás da Madi.
Diante da minha resposta, ele riu com desdém pelo nariz. Parecia querer dizer "isso é loucura".
— Você pode ficar cuidando do seu irmão.
— …Eu vou junto.
— E o seu irmão querido, o que vai ser dele?
Diante da minha pergunta, ele ficou sem resposta.
Agora, não tem ninguém pra cuidar do Rio. Ele com certeza vai acabar passando o tempo sozinho na masmorra. O Leon com certeza não quer deixar o irmão sozinho assim.
— Mesmo assim, eu vou. Você é a única capaz de salvar meu irmão agora, não é? Então eu vou te ajudar com tudo que tenho.
Ele me olhou com os olhos sem nenhuma sombra de mentira.
…O que eu deveria fazer? Preciso decidir logo, mas continuo hesitando.
Entendo perfeitamente os sentimentos do Leon, e quero respeitá-los. Mas o Rio ainda é uma criança de apenas oito anos.
Talvez percebendo minha hesitação, o Leon se ajoelhou ali mesmo.
— Dick Leon jura lealdade aqui. Vou proteger a senhorita Ria, meu novo mestre, com tudo que tenho, até o fim.
Sua voz clara ecoou pela noite silenciosa.
Ele jurar lealdade a mim… Bom, se for o Leon, tudo bem até se eu for enganada.
— Eu também juro.
Assim que falei isso, ele ergueu o rosto, confuso. Sob a luz do luar, sorri pro Leon.
— Eu nunca vou deixar o Leon e o Rio morrerem.
Vou encontrar a Madi de qualquer jeito, custe o que custar, pra que essas palavras se tornem realidade.
— Já que está decidido, vamos até o Rio. Preciso tirá-lo da masmorra.
Falei isso e comecei a andar. Percebi que o Leon não vinha atrás de mim.
O que será que aconteceu…
Parei e me virei na direção dele. O Leon franzia as sobrancelhas, me olhando com certa desconfiança.
— …Por que a senhora está nos ajudando?
Talvez por ter se tornado meu servo, ele passou a falar comigo de forma mais formal.
Nunca imaginei que ele fosse fazer esse tipo de pergunta. Será que ele ainda não confia totalmente em mim, ou será que sou eu quem ainda não confia neles totalmente… provavelmente as duas coisas.
Talvez eu devesse dar o primeiro passo. Mesmo que, no fim, o Leon acabe me traindo, isso só significa que foi um erro de julgamento meu. Que eu não tive olho bom o suficiente.
Tirei devagar o pano que cobria meus olhos. O olho direito ficou livre, e minha visão melhorou consideravelmente.
O Leon me olhou e arregalou os olhos. Dava pra perceber que ele prendeu a respiração.
É sempre um prazer ver alguém completamente hipnotizado pela minha aparência. Dá até uma sensação animada, como se eu tivesse mais um garoto rendido à vilã. …Bom, mesmo que me falte um olho.
Reafirmo, mais uma vez, o quanto uma venda nos olhos é útil.
Consegue disfarçar meu gênero. Se realmente virem meu rosto, com certeza percebem que não sou homem. Afinal, tenho cara de senhorita vilã. Por mais que eu me comporte como um garoto, não dá pra mudar o próprio rosto.
Com isso, ele já deve saber que sou mulher. Agora só falta…
Estalei os dedos. Assim que fiz isso, todas as nuvens no céu desapareceram por completo. Um céu repleto de estrelas surgiu, e o Leon olhou pra cima.
Sob aquele céu brilhante, ele ficou completamente paralisado, em silêncio. Ouvi ele murmurar baixinho, "não pode ser".
Foi a primeira vez que mostrei a ele a dignidade que carrego como Alicia. Ergui levemente os cantos da boca.
— Eu quero me tornar a mulher mais má que existe neste mundo.