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I’ll Become a Villainess That Will Go Down in History – Capítulo 391

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Capítulo 391

Pouco depois de o Jill sair do quarto, o Luke entrou.

— Irmão, como está se sentindo?

Naqueles olhos azuis profundos, cheios de preocupação, via-se refletida minha própria figura emagrecida. Mostrei a ele o frasco vazio que eu segurava na mão.

O Luke olhou fixamente pro frasco, com uma expressão confusa.

— …O que é isso?

— É o remédio contra a doença das manchas que o Jill trouxe.

— …Remédio? M-mas não precisava conseguir a Madi pra isso…?

O Luke arregalou os olhos, confuso, e pegou o frasco vazio da minha mão.

— Ele usou três plantas e criou. Consegue acreditar? Aquele garoto tão pequeno quebrou o senso comum por minha causa.

— Isso é… se realmente conseguiu criar isso, é uma proeza e tanto. …O irmão bebeu isso sem nem testar antes?

— Não tenho dúvida nenhuma de que aquilo é um remédio bem-sucedido.

Falei isso com calma, pra tranquilizar o Luke.

Criar algo com os mesmos componentes da Madi não é uma tarefa comum. E aquele garoto conseguiu fazer isso.

Depois de beber o remédio, senti a dor no corpo inteiro se aliviar um pouco. Tem efeito rápido.

Ainda é difícil levantar meu corpo tão debilitado, mas ficou mais fácil falar do que antes.

— M-mas, ainda assim, o irmão já…

— Sim, não tem mais salvação.

Diante daquela minha voz firme, o Luke fechou a boca.

Já era um estado em que eu poderia ir pro outro mundo a qualquer momento. Aliás, é até estranho ainda estar vivo. Só respirava com um único desejo: que o Jill, aquele garoto, ainda precisasse de mim ao lado dele.

Mas isso também já chegou ao fim. Ele tem muitos companheiros agora. Não está mais sozinho.

Mesmo bebendo o remédio, é difícil se recuperar por completo de um estado tão avançado. Mas parece que ganhei um pouquinho mais de tempo de vida.

— Daqui pra frente, o Jill vai salvar muita gente. Esse é um remédio milagroso. O nome dele vai ficar marcado na história, todo mundo vai conhecer o nome "Jill". Aquele garoto que, um dia, foi abandonado naquele vilarejo, prestes a morrer, vai se tornar alguém requisitado pelo mundo inteiro. É uma pena eu não poder testemunhar isso enquanto ainda estiver vivo…

— …Não seria melhor contar isso a ele?

O Luke disse isso com as sobrancelhas franzidas, num tom triste.

— O Jill já sabe disso, no fundo do coração. Só ainda não está pronto pra aceitar minha morte.

O Jill já tem, além de mim, outros lugares onde pertencer.

Talvez ele ainda tenha que enfrentar muitas dificuldades daqui pra frente, mas ele vai ficar bem. Desde a primeira vez que o vi, sempre existiu, nos olhos dele, uma vontade forte de viver.

— Não precisa se preocupar com mais nada.

— ……………Ah, é verdade, o Duke foi até onde está a Alicia. Não adiantou tentar impedi-lo.

— Entendo. …É bom dar um pouco de liberdade a ele agora. Eu gostaria de ver o reino que aqueles dois vão construir juntos.

— Eu queria ver o reino que o irmão construiria.

O Luke disse isso, olhando fixamente pra mim. Nos olhos dele, dava pra ler "por favor, não morra ainda".

Achei que ele já tivesse se tornado um adulto, mas parece que ainda é uma criança, no fundo.

Fiquei pensando, de repente, no que a Julie, mãe do Luke, estaria fazendo agora. Ela provavelmente vai continuar sendo um obstáculo pro Jill, pra Alicia, pro Duke e pros outros, daqui pra frente.

Enquanto ela continuar tramando algo nos bastidores, eles vão ter que enfrentar esse problema.

— …A Alicia se parece com a Amelia, sabia.

Diante das palavras do Luke, lembrei da falecida rainha consorte. A princesa do reino de Melvin que veio se casar com o reino de Dulkis. E também a mãe do Duke.

O único reino com o qual este reino, que quase não faz diplomacia, mantinha uma conexão era justamente o reino de Melvin.

Não sei muito sobre ela, mas cheguei a vê-la quando visitou o reino de Dulkis como noiva do Luke, na época em que eu já tinha perdido meu poder mágico.

— O corpo dela era frágil, mas era uma mulher extremamente forte e inteligente.

Pelo tom de voz dele, dava pra perceber que ele ainda a amava até hoje.

Alta, pele bronzeada, cabelo preto trançado. Tinha coragem e determinação, era uma mulher brilhante e bonita.

Mesmo sendo mais nova que eu, lembro que ela tinha uma presença cheia de peso.

— Achei que só existisse uma mulher assim neste mundo, mas a Alicia foi além disso.

O Luke sorriu, com um misto de saudade e tristeza.

Com certeza, ele quer rever a falecida esposa mais uma vez. Pensando bem, o Luke sempre foi digno de pena. Por ser filho de uma amante, deve ter vivido num ambiente sufocante. De repente, eu desapareci, e ele perdeu a esposa que o apoiava e amava, sendo forçado a assumir o peso deste reino.

— …Antigamente, quando a Amelia veio pela primeira vez a este reino, conversei brevemente com ela. Perguntei se ela não tinha medo de se casar com um reino estrangeiro. Ela respondeu, com um sorriso enorme, que era maravilhoso pensar que os próprios filhos poderiam nascer capazes de usar magia. Ainda me lembro claramente daquela expressão.

— Ela era esse tipo de mulher. Cheia de senso de justiça, fiel às próprias convicções, sem medo de nada… No dia em que ela morreu, um buraco se abriu no meu coração. E agora, parece que vou perder outra pessoa importante de novo.

Percebi a voz do Luke tremer levemente.

Não consegui dizer nada. Já tinha aceitado minha própria morte fazia muito tempo. Mas quem fica pra trás ainda não está pronto pra aceitar minha partida.

Eu queria que tanto o Jill quanto o Luke seguissem em frente, sem ficarem presos a mim.


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