Capítulo 397
Percebendo que eu tinha uma faca apontada pra ela, os olhos vermelhos dela se dilataram.
Mesmo surpresa, ela manteve a calma e ficou me observando fixamente.
"Entendo… Mas você acha mesmo que consegue me matar com uma faca tão pequena assim? Eu consigo te matar com facilidade. Nesta situação, a desvantagem é claramente sua."
"…Pode me matar, sim. Só me diz uma coisa: por que você quer me matar?"
Olhei de volta pra ela, com uma expressão de quem já tinha se decidido.
Ser exilada e morrer numa floresta de outro reino também não seria de todo ruim… Bem a cara de uma vilã.
"Você roubou a flor sagrada."
Sem querer, inclinei levemente a cabeça diante das palavras dela.
"…Flor sagrada?"
"Aquela flor bonita, cor de laranja, que crescia no penhasco."
Será que ela está falando da Madi? Aquilo é a "flor sagrada"?
Aliás, desde quando será que elas estão nos observando? Eu não senti absolutamente nada, nenhuma sensação de estar sendo vigiada.
"Devolva a Shati, e eu poupo sua vida."
Shati? …Será que é assim que elas chamam a Madi?
Um nome bem mais elegante do que "Madi".
"Isso eu não posso fazer."
Diante da minha resposta, a sobrancelha dela se moveu levemente, com uma expressão de desconfiança.
"Se você vai matar essa mulher, mata a mim primeiro. Eu sou o príncipe deste reino, Harrist Victor."
Nem que a vida dependesse disso, ele não deixaria de dizer "segundo príncipe".
Mesmo assim, nunca imaginei que o Victor fosse dizer uma frase dessas. Ele, arriscando a própria vida pra me proteger — que mudança de coração é essa?
Achei que eu fosse só uma peça descartável pra ele.
Voltei o olhar devagar em direção a eles. O Duke-sama, talvez surpreso com a fala do Victor, arregalou os olhos por um instante e depois lançou um olhar afiado na direção dele.
"Vejam só, então você é o príncipe deste reino. Eu sou a rainha desta floresta, Kushana."
Kushana… Que nome incomum. Nunca tinha ouvido antes.
— Vocês podem falar numa língua que eu entenda? Aliás, vocês que sabem falar essa língua antiga é que são estranhos aqui. Por que eu que estou virando o deslocado dessa história? Só tem monstro aqui.
O Leon interrompeu a conversa. Talvez irritado por ouvir uma língua que não entendia nada, resmungou reclamações baixinho.
Seria bom se todos conversassem normalmente, mas eu queria mesmo era que ela tirasse logo essa foice do meu pescoço…
— Ah, pensando bem agora, todos vocês sabem falar a língua antiga, não é… Estava conversando normalmente sem nem estranhar, mas essa é uma cena fora do comum.
A Kushana disse isso, olhando ao redor pra todos eles, e afastou a foice enorme do meu pescoço. No mesmo instante, um filete de sangue escorreu do meu pescoço.
— Aquele cara ali, de cabelo azul e bonito, sabe usar magia, hein…
A Kushana olhava fixamente pro Duke-sama. Consegui me levantar, mesmo cambaleando um pouco.
…Como ela sabia disso? O Duke-sama não usou magia nenhuma vez na frente deles.
Talvez lendo meus pensamentos, a Kushana acrescentou uma explicação.
— Ele tentou lançar magia pra quebrar minha foice, não foi? Essa foice não quebra com magia nenhuma. É uma foice especial.
Dizendo isso, a Kushana olhou pra foice com carinho, acariciando-a suavemente.
Uma foice que nem a magia do Duke-sama consegue vencer — isso não é impressionante demais?
— Parece que você é muito amada por esse bonitão.
A Kushana voltou o olhar pra mim. Sendo encarada com tanta insistência, sem querer, desviei os olhos.
Pensando bem, a Kushana se declarou rainha, mas será que essa floresta é assim tão isolada do reino de Lavarre?
Mesmo sendo uma floresta que quase ninguém pisa, salvo raras exceções, fiquei surpresa que exista, ali dentro, uma comunidade grande e organizada.
E, além disso, a Kushana parece jovem demais pra ser rainha.
— Desde quando vocês sabiam que a gente tinha entrado nessa floresta?
O Victor disse isso, tentando desviar o assunto do Duke-sama.
— Fiquei sabendo pelo urso. Nunca imaginei que vocês fossem tão fortes assim. Até aquele javali vocês conseguiram derrubar…
Diante da resposta da Kushana, o Victor franziu o rosto.
— Hã? Você consegue conversar com animais?
"Ah", a Kushana confirmou com a cabeça, sem esconder nada.