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I’ll Become a Villainess That Will Go Down in History – Capítulo 407

Vinte Anos, Kate Liz

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Capítulo 407 – Vinte Anos, Kate Liz

— Ah, Liz?? Que bom que voltou!!

Assim que abri a porta da casa dos meus pais, de volta à cidade, minha mãe iluminou o rosto e correu até mim.

Um cheiro doce de canela, meu favorito, se espalhou suavemente no ar.

Ver o rosto da minha mãe me deixa tranquila. Mas já não consigo mais me abrir completamente com ela. Não posso deixá-la preocupada.

Sei muito bem o quanto tanto a academia de magia quanto o palácio real estão passando por um momento difícil agora. Sei também que não é hora de eu estar tranquilamente voltando pra casa dos meus pais. Mesmo assim, eu queria, só por hoje, um dia pra acalmar meu coração.

Se eu não fizer isso, vou desmoronar. Uma Santa não pode mostrar seu lado sombrio.

Assim que eu sair daqui, preciso voltar a viver como Santa. Às vezes, essa pressão quase me esmaga. Nunca mais vou poder voltar a ser simplesmente a filha de uma padaria, mas, só por hoje, eu queria fugir do meu papel de "Santa".

Depois de me abraçar com força, minha mãe inclinou levemente a cabeça, me olhando com preocupação.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não, nada! Só deu vontade de comer o pão que você faz, depois de tanto tempo!

Menti pra minha mãe, que não sabia de nada, com um sorriso enorme no rosto.

Estou perto de me formar na academia de magia. Como Santa, vou ter ainda menos liberdade do que tenho agora.

Antes disso, eu queria ver o rosto da minha mãe. Queria voltar a esse lugar onde eu podia ser só uma garota comum.

Aqui, eu consigo voltar a ser uma garota normal. Consigo abandonar o título de Santa.

Pensando nisso, entrei naquela casa tão familiar e aconchegante.

— O pão está quase pronto!

Ela foi em direção à cozinha, cantarolando feliz, com passos leves.

Ela ficar tão feliz assim por eu ter voltado…

— Seu pai também deve voltar logo! Ele foi comprar ingredientes pra fazer uma torta de framboesa! Com certeza vai ficar super feliz de saber que a Liz voltou!

A voz alta da minha mãe vinha da direção da cozinha.

Diante daquelas palavras, um sorriso escapou de mim sem querer. Percebi que fui criada cercada de amor, aconchegada.

Antigamente, eu achava que seria perfeito passar a vida inteira nessa casa quentinha…

Sem perceber, acabei trilhando uma vida completamente diferente. Ter conhecido o Duke e todo mundo é o meu maior tesouro, a felicidade mais preciosa que tenho. Isso, tenho certeza, nunca vai mudar até o dia da minha morte.

Mas, de repente, penso: e se eu fosse uma garota sem nenhuma habilidade especial?

Isso é algo que eu jamais poderia dizer na frente de todo mundo, nem que a minha vida dependesse disso, mas poder ser "comum" também é uma felicidade. Pessoas comuns sonham em ser especiais, e gênios sonham em não ter nada de especial.

Não, Liz!!

Não posso ficar assim, deprimida! Voltei aqui justamente pra me animar!

— Vou até meu quarto~!

— Ah, agora o quarto da Liz está…!

Não consegui ouvir o que minha mãe disse. Corri em direção ao meu antigo quarto.

Assim que abri a porta, com um clique, aquele era um quarto que eu não conhecia.

Não havia mais minha cama com o edredom florido, nem a escrivaninha rosa-clara — já não era mais um quarto de menina. Era o quarto de brincar de um garotinho pequeno.

Um garotinho de cabelo castanho, pequeno e fofo, entrou no meu campo de visão.

…Eu não deveria ter irmão nenhum.

— Liz! Desculpa! Esqueci de te explicar isso!

Minha mãe veio correndo até mim, apressada. Fiquei paralisada, sem entender a situação, ainda olhando pro garotinho.

Minha mãe entrou no quarto e pegou o garotinho no colo. Ele abraçava com força um pequeno ursinho de pelúcia.

Quando eu era pequena, eu gostava de um coelho de pelúcia, lembro.

Pensando nisso, esperei as palavras saírem da boca da minha mãe.

— Esse é o Max. Conversei com seu pai, e decidimos adotar uma criança. Desculpa não ter consultado você antes, Liz. É que, com você tão ocupada, acabamos perdendo o momento certo de te contar.

Minha mãe explicou aquilo com um ar de arrependimento, um pouco apressada.

Não precisa fazer essa cara assim. Eu não estou brava de jeito nenhum… Pelo contrário, ganhar um irmãozinho é uma coisa boa.

— Mesmo sem sangue em comum, o Max é da nossa família.

…Mas, vendo minha mãe com uma expressão tão feliz assim, senti um sentimento meio complicado.

Vendo ele já tão integrado aqui, tive a sensação de que, sem eu saber, meu lugar aqui tinha desaparecido.

— Nós o acolhemos quando ele ainda era bebê, o Max vai fazer três anos este ano. Contamos pra ele sobre a Liz direitinho. Quando descobrimos que a Liz era uma garota especial, e você entrou de repente na academia de magia, tanto eu quanto seu pai sentimos muita falta… A Liz continua sendo, sem dúvida, uma filha muito importante pra gente. Mas pensar que talvez você nunca mais voltasse pra casa de vez era algo insuportável…

Entendo perfeitamente o que minha mãe quer dizer. Entendo com a cabeça.

Diante do meu silêncio, sem conseguir dizer nada, minha mãe acrescentou mais.

— Depois de adotar o Max, fiquei um pouco mais tranquila. Essa padaria é popular na cidade, não é? Então, com ele aqui, dá pra continuar com o negócio no futuro.

Vendo minha mãe olhando pro Max com tanta felicidade enquanto falava, senti uma pontinha de irritação.

Eu não deveria sentir esse tipo de sentimento…

Como Santa, eu jamais poderia rejeitá-lo. Não posso deixar meus pais saberem desse meu lado sombrio.

Faz quase cinco anos que eu não volto aqui. Quase não mantive contato.

E é justamente por isso que preciso aceitar essa situação. Preciso acolher meu irmão com um sorriso genuíno, cheio de alegria.

— De fato, pra continuar com a padaria, precisa de um herdeiro! E, além disso, também estou muito feliz por ter ganhado um irmãozinho tão fofo!

Falei com uma voz animada. Me aproximei devagar do Max e me apresentei.

— Sou a Liz. Sua irmã mais velha. Prazer em te conhecer, Max.

Será que, refletido naqueles olhos tão puros dele, eu consigo sorrir de um jeito bonito?

Segurando com carinho a mãozinha do Max, percebi, com clareza, que meu lugar naquela casa já não existia mais.


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