Capítulo 415
Diante daquela expressão dela, dava pra perceber que aquele lugar era muito importante pra ela.
…Este mundo realmente está cheio de mistérios. Nem parece que estou dentro de um otome game.
O mundo em que vivo agora é tão complexo que chega a me fazer pensar que uma parte da informação deste mundo entrou na cabeça de alguém da minha vida passada, e foi assim que criaram o otome game.
Enquanto pensava nisso, meu rosto já estava quase encostando no chão.
No instante em que percebi "vou morrer!", meu corpo parou, flutuando no ar. É bem comum, em situações assim, parar bem antes de aterrissar, mas nunca imaginei que fosse experimentar isso na própria pele.
……………Foi por pouco.
Quase dei um beijo violento naquele campo de flores.
Olhei de relance pra Sheena, e ela estava parada tranquilamente, cercada de flores, com uma expressão serena.
— …Por quê…
Assim que murmurei isso, caí no chão com um baque, "plaf".
Não doeu nada, mas por que só eu tenho que aterrissar de um jeito tão sem graça assim!
Levantei-me na hora e lancei um olhar de reprovação pra Sheena. Ela não parecia nem um pouco assustada com meu olhar, e sorriu, alegre.
— A senhorita Alicia vai treinar aqui.
— …Num lugar tão de conto de fadas assim?
Inclinei a cabeça, sem entender.
Diante daquela declaração da Sheena, esqueci num instante toda a vergonha de ter aterrissado de forma tão desengonçada.
Esse lugar parece muito mais um local de descanso do que um lugar pra treinar…
O ar era límpido, com pequenas flores fofas por todo lado. E, além disso, exalava um perfume doce, quase sonolento.
Olhei pro céu de onde tínhamos caído.
Um céu azul intenso, sem nenhuma nuvem, completamente limpo. …Como será que isso funciona, afinal?
— Quem é o adversário?
— …Isso eu também não sei.
— Como assim?
— Porque o adversário muda de pessoa pra pessoa.
……………Que desenvolvimento emocionante e cheio de suspense!
Será que um deus vai mesmo vir descendo do céu?
Percebendo meus olhos brilhando de expectativa, a Sheena deu um sorriso enigmático.
— No meu caso, foi a Kushana.
Por um instante, não consegui entender o que ela disse.
Fiquei paralisada, sem pensar em nada, e só repeti como um papagaio: "Kushana?"
— Sim. …A pessoa com quem eu mais e menos queria lutar ao mesmo tempo.
— Isso quer dizer que você lutou contra uma ilusão?
— É um pouco diferente, mas, resumindo grosseiramente, é isso mesmo. Uma ilusão extremamente próxima da realidade. Rosto, físico, personalidade, e até as habilidades, tudo idêntico.
Quase perguntei "isso é magia?", mas desisti.
Achei que não era a hora certa pra essa pergunta. Depois que o treino que está prestes a começar terminar, terei tempo de sobra pra perguntar o que quiser.
— Com quem a Kushana lutou?
— …Isso eu não posso dizer.
— Entendo… E se, por acaso, eu não conseguir vencer esse adversário?
— Você morre.
— Hã — deixei escapar, baixinho.
— Falando com precisão, sua alma é sugada.
A Sheena disse isso com um tom calmo.
De fato, perder numa luta é praticamente o mesmo que morrer. Mas ter a alma sugada, isso eu não entendo bem.
Afinal, sugada por quem… O Senhor da Morte?
— Não entendi muito bem, mas você não vai me explicar mais nada agora, não é?
— Isso mesmo. Quando tudo terminar, você vai entender tudo.
Um vento quente e suave soprou, balançando de leve nossos cabelos. Semicerrei os olhos, olhando na direção de onde vinha aquele vento.
A Sheena disse, com voz clara: "Está na hora".
"Hora de quê?", ia perguntar, virando-me na direção dela, mas, naquele instante, a Sheena já não estava mais ali.
— Boa sorte.
Só aquelas palavras dela ecoaram, por último, nos meus ouvidos.