Capítulo 420
— O que é isso?
O tio Will franziu as sobrancelhas, olhando fixamente pro círculo mágico.
Esse círculo mágico foi algo que criei enquanto passei dois anos trancada no casebre. Nunca imaginei que fosse chegar um dia em que eu realmente ia usá-lo.
E o nome dele é!! ……………Ainda não tinha pensado nisso. Bom, vou inventar um agora, de qualquer jeito.
— Nunca vi um círculo mágico assim antes.
— É um círculo mágico bonito, não é?
Mesmo caída, respondi com um sorriso alegre.
Esse é um círculo mágico absurdo, capaz de mostrar ao adversário sua memória mais feliz e sua memória mais dolorosa. Fazendo isso, dá pra enxergar o ponto fraco do inimigo. Só um detalhe complicado: dá pra armar esse círculo em qualquer lugar, mas, pra ativá-lo de verdade, é preciso que o adversário chegue bem perto de mim.
Fiquei um pouco relutante em usar isso, mas, pra ser astuta de verdade, também é preciso sacrificar o próprio coração. Acho que é exatamente isso que significa ser astuta.
Só resta continuar se erguendo, mesmo se machucando no processo.
— A Alicia sempre me surpreende, hein.
No instante em que o tio Will disse isso, meu círculo mágico começou a brilhar. Semicerrei os olhos diante daquela luz emitida.
Era a primeira vez que eu usava essa magia, então não fazia ideia do que aconteceria. Talvez eu seja, sem perceber, uma jogadora nata.
Afinal, se essa magia não funcionasse direito, a Williams Alicia teria morrido bem ali. …Sorte também é parte da habilidade, não é mesmo?
Quando percebi, eu já estava dentro da memória do tio Will.
…Este lugar é o palácio real?
Olhei ao redor, examinando aquele palácio real que parecia familiar, mas, ao mesmo tempo, um pouco diferente.
A memória antiga do tio Will… quer dizer que vou ver o momento em que arrancaram os olhos dele? …Não quero ver isso, mas é justamente essa a característica dessa magia.
— Mãe! — ouvi a voz animada de um garotinho vindo do fundo do corredor. Com os olhos brilhando, um garotinho vinha correndo em nossa direção.
Fiquei hipnotizada por aquele cabelo azul-claro e aqueles olhos transparentes, cor de céu, como bolinhas de vidro. Ele era bem mais baixo que eu, parecia muito jovem. Uns cinco anos, talvez?
Mas, sinceramente, que fofura! Esse menino é mesmo o tio Will?
Fofo demais, quase inacreditável…
Aliás, esse rosto já promete demais. Digno da família real. O brilho dele é diferente do de uma pessoa comum.
Voltei o olhar em direção pra onde o garotinho corria. Ali estava uma mulher linda e imponente.
Assim que viu o tio Will, ela sorriu suavemente, "Will". Entendi na hora que ela era a mãe do tio Will.
— Senhor Will, por favor, não incomode a Senhora Karen.
Alguém vinha andando com calma, atrás do tio Will. Fiquei surpresa ao ver um jovem lindo e viril.
…Espera, aquele é o vovô, não é?
Cabelo preto, olhos roxos… Que homem bonito! Digno de ser meu vovô mesmo.
Se bem me lembro, quando o tio Will era criança, foram os vovôs quem cuidaram dele. …Ter alguém como o vovô de tutor particular, qualquer pessoa comum já teria fugido correndo.
Será que foi por isso que o tio Will fugiu de mim mais cedo?
— Vossa Majestade — o vovô fez uma reverência.
— Já disse pra não me chamar de "Vossa Majestade".
Abraçando o tio Will, que tinha vindo correndo até ela, a mãe dele disse isso com uma expressão levemente insatisfeita.
— Sim, Senhora Karen.
Assim que o vovô corrigiu o tratamento, ela sorriu satisfeita, erguendo os cantos da boca.
…Essa é a memória feliz do tio Will?