Capítulo 425 – Doze Anos, Jill
Todos correram até o quarto do vovô assim que o estado dele piorou repentinamente. Até o próprio rei largou o trabalho e veio correndo.
Normalmente, um plebeu não teria permissão de entrar no palácio real, mas, dessa vez, foi dada uma autorização especial só pro Nate e a Rebecca.
Eu, o rei, o Henry, a Mel, o Nate e a Rebecca estávamos dentro do quarto.
No quarto, só ecoava a respiração descompassada do vovô.
Segurei com força a mão do vovô, que tinha ficado tão pequena.
Vendo o vovô sofrendo tanto assim, senti vontade de que ele se aliviasse logo daquela dor. …Mas, ao mesmo tempo, não existe nada que eu odeie mais do que a ideia de o vovô desaparecer deste mundo.
Era doloroso ver o vovô, já sem conseguir dizer mais nada. Mesmo assim, eu queria ficar ao lado dele até o último momento.
…Em algum canto do meu coração, eu ainda achava que a Alicia viria.
Achei que ela apareceria, com certeza, pra testemunhar os últimos momentos do vovô. Mas, no fundo, eu sabia que ela não viria.
Eu queria muito que ela pudesse encontrá-lo uma última vez…
Com certeza, a Alicia já deve ter percebido que o estado do vovô era grave. Mesmo assim, ela deve ter algo que precisava fazer no reino de Lavarre.
— Acho que a Alicia também está bem, no reino de Lavarre.
Achei que minha voz já não chegasse mais aos ouvidos do vovô. Mesmo sabendo disso, continuei falando.
Vendo o vovô com tanta dificuldade até pra respirar, "fiu, fiu", eu só queria que ele não sofresse mais.
Talvez, justamente porque eu ainda queria que ele continuasse neste mundo, parecia que ele lutava desesperadamente pra continuar vivo.
— Ver a Alicia ficando mais forte pra proteger quem é importante pra ela me fez pensar que eu também precisava me esforçar. Foi por isso que consegui criar o remédio contra a doença das manchas. Vovô, obrigado por ter trazido a Alicia até mim. Obrigado por ter continuado vivendo, mesmo depois de tudo que esse reino te fez sofrer. Obrigado por ter me conhecido. ……………Já pode descansar agora.
Falei isso com a voz um pouco trêmula.
No mesmo instante em que terminei de falar, o vovô apertou minha mão de volta, com o pouco de força que ainda tinha. Ajeitando a respiração, ele abriu a boca.
— …Encontrei… a Alicia.
Encontrou a Alicia…?
Talvez o vovô estivesse tendo algum tipo de sonho. Espero que fosse um sonho feliz…
— Achei que fosse uma vida sem sentido… mas foi muito interessante.
O vovô disse isso com uma voz firme.
Senti que tudo estava contido naquela palavra, "interessante".
Depois dessa última fala, o vovô se foi, em silêncio, exalando seu último suspiro.