Capítulo 437
Sendo segurada nos braços do Duke-sama, olhei pro céu, semicerrando os olhos diante do sol ofuscante.
…Virar uma fênix, isso sim tem a cara do tio Will.
Continue me observando lá do céu, por favor. Eu vou continuar perseguindo meu sonho até o fim, sem nunca desistir. Vou realizar o sonho que o senhor sempre apoiou.
Disse ao Duke-sama: "já estou bem".
Percebi, eu mesma, que minha voz saiu fraca, mas mesmo assim fiquei feliz por conseguir dizer alguma coisa.
"Estou bem" era mentira, mas, ainda assim, eu precisava dizer isso em voz alta. Dizer que estava bem, e assim "hipnotizar" a própria mente, era o único jeito de evitar me desmoronar ainda mais.
Pra continuar sendo eu mesma, preciso fortalecer ainda mais meu coração.
O Duke-sama, olhando pra mim com preocupação, me colocou devagar no chão.
Curvei-me diante do caixão, colocando nessa reverência todos os sentimentos que carreguei até agora.
— A mim, que o senhor criou, sou a sua lembrança.
A única coisa que herdei do tio Will sou eu mesma.
Vou continuar sendo uma mulher nobre e digna, que nunca abre mão de suas próprias convicções.
Depois de curvar-me por um tempo, ergui o rosto e me virei em direção a todos. Rostos familiares e queridos, todos reunidos ali.
Todos pareciam ter crescido de alguma forma. Especialmente a Liz-san, que parecia ter mudado de um jeito profundo.
Percebi que, sem perceber quando, minhas lágrimas tinham parado. Meu coração ainda parecia prestes a se despedaçar, e mal conseguia ficar de pé, mas, mesmo assim, eu queria continuar forte.
Pra não envergonhar o tio Will, e, mais do que tudo, pra continuar sendo a versão de mim mesma que eu gosto de ser… Por isso, eu usaria qualquer máscara que fosse preciso.
Todos estavam paralisados, com os olhos arregalados.
Não sei se estavam surpresos por eu ter os dois olhos de volta, ou por eu ter voltado ao reino de Dulkis. Não consegui distinguir qual dos dois motivos era.
— Cheguei — disse, abrindo um sorriso.
Mesmo depois de perder alguém importante, ainda ter compostura o suficiente pra sorrir — esse é o sorriso de uma mulher que decidiu viver como vilã.
Não sei que tipo de punição vou receber por ter sido exilada e por ter cometido essa falta de respeito num funeral real.
Mas, se eu consegui deixar uma marca, ainda que pequena, no coração de todos, não é de todo ruim.
— …Alicia!
O Jill correu chorando e me abraçou.
— Você voltou. Obrigado, obrigado. Que bom… que bom mesmo que a Alicia tenha voltado.
Diante do Jill me abraçando com tanta força, acariciei devagar a cabeça dele.
O Jill sempre foi um garoto compreensivo e maduro pra idade dele, desde muito tempo. Mesmo tendo enfrentado várias situações em que teria todo direito de chorar, nunca o vi chorando desse jeito.
— O vovô morreu… e eu pensei, e se a Alicia também sumisse… Eu…
A morte do tio Will não é dor só minha.
O Jill deve estar aguentando muito mais do que eu. E, mesmo assim, fui eu quem ficou chorando descontroladamente…
— Obrigado por ter voltado. …Bem-vinda de volta.
Ah, então existia alguém que me esperava tanto assim.
Só com aquela única frase, "bem-vinda de volta", me senti um pouco salva. Meu peito se aqueceu, e murmurei "obrigada".
Ah, ter um lugar pra onde voltar é uma felicidade e tanto.