Capítulo 444
Saí do quarto e fui em direção ao escritório do Otou-sama.
Enquanto eu caminhava pelo corredor, as empregadas e os mordomos se viravam pra me olhar, meio encantados. Logo se davam conta e curvavam a cabeça, dizendo "seja bem-vinda de volta".
Será que estavam surpresos por eu ter voltado, ou…?
— Todos estão surpresos com a beleza da senhorita.
A Rosetta sussurrou isso atrás de mim.
Pra não perder a elegância, mantive a expressão controlada, a coluna ereta, e cuidei até do jeito de andar.
Se eu perder a dignidade de uma nobre, deixo de merecer o título de vilã.
Cheguei diante do escritório e bati de leve na porta.
— Otou-sama, é a Alicia.
— Entre.
Assim que ouvi a voz do Otou-sama vindo de dentro, abri a porta.
Ontem já tínhamos nos visto rapidamente, mas fazia tempo que eu não conversava com ele assim, cara a cara. Fiquei um pouco tensa.
— Há quanto tempo.
Assim que entrei no quarto, fiz uma pequena reverência. Lá dentro não estava só o Otou-sama — meus irmãos também estavam presentes.
…Que cena curiosa.
Antes de eu sair do reino de Dulkis, o Henry-oniisama estava do meu lado, mas o Albert-nii-sama e o Alan-oniisama estavam do lado da Liz-san.
Será que o reino mudou tanto assim enquanto eu estava fora…?
— Bem-vinda de volta.
Essa foi a única coisa que meu pai disse. Não veio nenhuma frase do tipo "que bom que você voltou bem" nem um abraço apertado.
Mas, só de ver a voz dele tremendo um pouco e os olhos levemente marejados, dava pra entender o quanto o amor dele era profundo.
Naquele simples "bem-vinda de volta" cabia tudo.
Respondi com um sorriso radiante: "cheguei, Otou-sama".
— Você ficou mesmo muito bonita, Ali.
Diante das palavras do Henry-oniisama, respondi: "acho que cresci um pouco, no reino de Lavarre".
Eu mesma não consigo perceber muito bem as próprias mudanças.
Mas, pelo menos, tive muitos encontros no reino de Lavarre e consegui superar diversas dificuldades. Nesse sentido, acho que amadureci em relação a quem eu era antes.
— Por falar nisso, parece que o Alan também tem algo que quer dizer.
Diante das palavras do meu pai, o Alan-oniisama endireitou um pouco a postura. Ele também, assim como o Albert-nii-sama tinha feito ontem, curvou profundamente a cabeça.
…Desde quando eu virei alguém que recebe reverências desse tipo?
Fiquei sem saber como reagir, só observando ele.
— Eu deveria estar do seu lado, Ali. Mesmo com você exilada do país…
— Espera um pouco.
Interrompi a fala do Alan-oniisama.
Normalmente, eu deveria ouvir até o fim, mas eu já não precisava de mais nenhum pedido de desculpas da minha família.
E, além disso, foi por vontade própria que eu virei exilada!? Por que estão me pedindo desculpas por isso?
O Alan-oniisama ergueu o rosto com uma expressão confusa. Lancei um olhar de leve reprovação pro Henry-oniisama, que provavelmente já sabia que essa situação ia acontecer.
Ele devia saber que eu odeio ser tratada com esse tipo de pedido de desculpas…
O Henry-oniisama fez uma cara de quem estava em maus lençóis.
— Pedidos de desculpa não são necessários. Só quero que me contem como o reino de Dulkis mudou enquanto eu estava fora.
Voltei o olhar pro meu pai, com um tom de voz firme.