Capítulo 458
…Bom, é melhor começar por aí mesmo.
Pigarreei de leve e comecei a contar a verdade, cortando alguns detalhes pelo caminho.
— No começo, a situação era completamente inviável pra qualquer encontro, mas acho que devem ter me achado uma pessoa útil de alguma forma. Fui bem-vista por Sua Majestade e acabei sendo convidada pro palácio real.
Os três ficaram paralisados, de olhos arregalados, incapazes de dizer nada.
Aqueles olhares fixos em mim pareciam dizer: "o que essa aí está falando?"
Realmente, é estranho mesmo: fui exilada como criminosa pro reino de Lavarre, e agora como assim acabei sendo bem-vista pelo rei? Faz sentido a confusão deles.
…Será melhor continuar falando? Ou é melhor esperar que alguém tome a palavra primeiro?
Enquanto eu hesitava, o Curtis-sama falou devagar:
— ……………É verdade. Essa aqui não é normal mesmo.
— Eu já sabia que minha irmã era estranha, mas parece que isso vale até em outros reinos.
— Como era de se esperar dela.
Depois das falas do Albert-nii-sama e do Finn-sama, o Henry-oniisama soltou um pequeno suspiro.
Ele estava com aquele ar de "eu não vou me surpreender com uma coisa dessas".
…É verdade, entre todos aqui, quem passou mais tempo comigo foi o Henry-oniisama. Ele deve ter uma ideia razoável de quem eu sou.
— Bom, …essa história ainda nem chegou perto do começo do começo.
— Ser bem-vista pelo rei é só a PRIMEIRA FRASE da história!?
— Bem, mais ou menos isso.
Respondi com toda a calma à voz alta do Curtis-sama.
As mesmas pessoas que normalmente ficam calmas mesmo diante de vários incidentes agora estavam com os olhos arregalados, mostrando surpresa escancarada.
Que engraçado isso!
Fazer um grupo de pessoas que nunca revelam o que pensam mostrarem tanta emoção assim, sem esconder nada… acho que amadureci bastante.
— Eu. Não vou mais me surpreender. Vou matar as emoções.
O Henry-oniisama, com o rosto totalmente sem expressão, tinha os olhos mortos.
— Não pode. Continue sendo humano, por favor.
— Se eu for me surpreender com cada história sua, meus músculos faciais vão acabar tendo dor muscular.
— Não é ótimo, então? Vira treino.
— Lá vem você de novo, com essa mania de "treino". …Aliás, treinar músculo facial não traz nenhum benefício real, não é?
— Homens sarados fazem sucesso.
— Sarar não é bem por aí que a coisa funciona.
— Vocês dois, parem com essa dupla de comédia tão afinada.
O Curtis-sama entrou no meio da minha conversa com o Henry-oniisama.
— …Aliás, cadê o Jill?
Foi surpreendente o Finn-sama trazer o Jill à tona.
Sem entender bem a intenção dele, respondi meio inclinando a cabeça:
— Ele está cansado, acho que ainda está dormindo.
— Não seria melhor ele estar aqui, ouvindo a história com a gente? Se ele ouvir só depois, pode acabar ficando de mau humor, sabia?
Que maturidade…
Mesmo sendo o "personagem shota" do otome game, o Finn-sama não é ninguém pra subestimar… ou melhor, ele é bem calculista. Vive de forma bem astuta.
O Jill também é maduro pra idade, mas, no fundo, ainda tem sentimentos de criança. Aposto que ele ainda não conseguiria ter esse tipo de sensibilidade.
Bom, apesar da aparência, o Finn-sama tem vinte anos. Talvez o Jill, quando fizer vinte anos, também acabe ficando parecido com ele.
— Quer que eu vá chamá-lo? A história ainda está só começando.
— …O Curtis-sama faria isso?
Só surpresa atrás de surpresa, desde há pouco.
Desde quando todo mundo ficou tão próximo do Jill assim?
Talvez, sendo o "excluído" — no sentido de não pertencer a nenhuma das cinco grandes famílias — o Curtis-sama seja, de todos, quem melhor entende os sentimentos do Jill.