Capítulo 514
Diante das palavras do Alan-oniisama, fiquei calada, e então ouvi um suspiro longo e profundo.
Fiquei observando o Alan-oniisama, esperando que ele começasse a falar de novo.
— Alicia, só me prometa uma coisa.
Diante daqueles olhos tão sérios, ajeitei um pouco minha postura. Alguns segundos de silêncio criaram uma tensão no ar.
— …Nunca morra, de jeito nenhum.
Senti como se tudo estivesse condensado naquela única frase do Alan-oniisama. E aquilo, ao mesmo tempo, indicava que ele estava concordando em entrar no meu plano.
Respondi com um sorriso radiante: "sim".
Que bom, ter irmãos.
Voltei o olhar pro Albert-nii-sama. Ele ainda não tinha aceitado meu pedido.
Não que ele tivesse me recusado, mas o que será que ele achava desse plano?
— É a minha vida. Ninguém tem o direito de opinar sobre isso.
O Albert-nii-sama disse, com suas próprias palavras, exatamente o que eu sempre pensei.
Isso é como se ele estivesse expressando meus próprios sentimentos por mim, não é? Não sei bem com que intenção o Nii-sama disse isso.
Eu quero viver livremente, sem ser influenciada pela opinião dos outros. Estou plenamente consciente de como as outras pessoas me avaliam. Mesmo assim, é eu quem constrói a minha própria vida.
Mesmo distraída, a vida continua fluindo de qualquer jeito, então prefiro construir minha vida com convicção firme.
Não importa se essa convicção está certa ou errada. A convicção que eu tenho é o que me impulsiona a continuar em frente.
Por isso, mesmo que, aos olhos de fora, algo como "vou me tornar uma vilã magnífica" pareça uma convicção ridícula, digna de escárnio, eu me apeguei a ela com todas as forças até agora.
Dessa vez também, é justamente essa minha convicção que está impulsionando esse plano.
Depois de um longo silêncio, o Albert-nii-sama finalmente abriu a boca, devagar.
— Você pode viver do jeito que quiser, Alicia. …Mas, por favor, não esqueça que existem pessoas se preocupando com você.
Não consigo simplesmente dizer "que incômodo" e deixar isso de lado. O fato de eu não conseguir descartar assim, tão facilmente, os sentimentos dos meus irmãos, talvez signifique que eu esteja me afastando um pouco do papel de vilã.
Mas uma vilã também não vive sozinha. Ninguém, neste mundo, vive completamente sozinho.
Pensando nisso, de repente, a palavra "solidão" passou pela minha cabeça.
— Ah, acho que finalmente entendi.
— …Entendeu o quê?
O Henry-oniisama me olhava com uma expressão de dúvida.
— Sabe aquela frase que as pessoas costumam usar, tipo "o ser humano não consegue viver sozinho, mas é solitário mesmo assim"?
— Ah, bom, é verdade que existe essa frase, sim…?
Havia um subtexto na resposta do Henry-oniisama que dizia "eu não ouço essa frase com tanta frequência assim".
— Nosso espírito, ninguém consegue roubar. A alma que reside dentro deste corpo é só minha. Por isso, todo ser humano é solitário.
— Alicia, você virou filósofa do nada?
Henry-oniisama, infelizmente, eu sempre fui uma vilã, o tempo todo.
— O que eu quero dizer é… buscar conexões com outras pessoas, ser afirmado por elas, é uma forma temporária de escapar dessa solidão.
Pensando na Julie-sama, tenho certeza de que ela sempre carregou essa solidão consigo, o tempo todo. E, talvez, o único momento em que essa solidão diminuía, mesmo que só um pouco, era o tempo passado ao lado do rei atual.
Senti como se tivesse me aproximado um pouquinho mais da compreensão sobre a Julie-sama.
— ………….Diante de uma capacidade de pensamento tão profunda assim, sinto vergonha de mim mesmo, de quando achava que a Alicia era boba.
O Alan-oniisama disse isso, com um sorriso amargo.