Capítulo 525
Morte ou inferno.
Repeti as palavras dela dentro da cabeça.
……………Prefiro o inferno. Já que nasci, vou lutar até a morte, vivendo até o fim. Se eu não viver plenamente, nem a própria morte vai ser algo completo.
Afinal, é eu quem constrói minha própria vida.
— Eu escolho o inferno. …E a Julie-sama também, não é?
— Sim, exatamente isso. Não penso, ingenuamente, que "se a gente continuar vivendo, coisas boas vão acontecer". Este mundo sempre foi um inferno. Todos vivem se arrastando dentro desse inferno. Você tem o seu próprio inferno, e eu tenho o meu. ……………Eu fui quem aprofundou ainda mais o inferno que ele já carregava. Fiz ele se afogar numa dor tão grande que chegou a desejar a própria morte.
— Isso trouxe algum conforto pra senhora?
Fiz uma pergunta desagradável.
Se ela realmente estivesse satisfeita por ter empurrado o tio Will pro inferno, deveria estar falando disso com um tom bem mais feliz.
Ela continuou observando o lado de fora da janela, e concordou apenas: "sim, muito".
……………Ah, francamente!!! Até quando essa mulher vai continuar bancando a vilã? Não gosto muito de gente que banca a vítima o tempo todo, mas fingir ser a vilã também é bem cansativo.
Estava prestes a abrir a boca, quando, num instante, ouvi um som seco — crac! — e senti um frio na pele.
……………Duke-sama.
Num piscar de olhos, entendi quem estava se aproximando daquele lugar. Senti o poder mágico esmagador através do próprio corpo.
Isso… com esse ritmo, o Duke-sama vai acabar destruindo o palácio real inteiro. Usei todo o poder mágico que ainda tinha pra dissolver, num instante, aquele gelo que estava cobrindo o quarto.
Impedi, usando todo o resto do meu poder mágico, que o Duke-sama chegasse até este quarto.
Fiquei surpresa por ainda ter tanto poder mágico sobrando assim. Meu poder mágico, uma mistura de roxo e preto, alcançou o Duke-sama e conseguiu acalmá-lo.
— ……………Só você mesmo, pra recusar a ajuda do Duke.
— Agora estou conversando com a Julie-sama.
— Você é mesmo uma garota fora do comum. Não existe muita gente com o gosto peculiar de querer conversar comigo. E ainda por cima cometendo um crime tão grave assim… Você realmente achou que eu valeria a pena, a ponto de apostar sua própria vida?
Aquilo soou como se ela estivesse dizendo que eu não precisava apostar minha vida por ela.
Não é tão difícil captar o subtexto por trás das palavras dela. Ela é, surpreendentemente, uma pessoa fácil de entender.
Ela deve ter se protegido, esse tempo todo, afastando as pessoas ao seu redor.
— Não me diga que você não estava preparada pra morrer.
— Eu estava, sim.
Não estou entrando nisso com uma determinação qualquer, superficial. Mas eu sou uma vilã. Sou a maior egoísta que existe!
E, além disso, a Julie-sama também é uma egoísta.
Já chega de ficar quieta e comportada. Daqui pra frente, é a minha vez de conduzir a conversa.
— Na verdade, a senhora não queria que o tio Will morresse, queria?
— Justamente pra fazê-lo sofrer enquanto ele ainda estivesse vivo.
— Então por que este quarto? Não dá pra sequer ver o estado sofrido do tio Will daqui. Se fosse esse o motivo, não teria sido melhor arrancar os olhos dele e deixá-lo trancado numa cela até a morte?
Falei isso sobrepondo minhas palavras às dela.
— Que garota inteligente e corajosa demais, você me incomoda muito.
— Muito obrigada pelo elogio.
Sorri, radiante, em direção às costas da Julie-sama.