Capítulo 559
Me acalmei um pouco e sorri de leve pra Mel.
Diante das palavras dela, senti como se meu coração ficasse um pouco mais leve. A Mel nunca me trairia. Tenho essa confiança nela.
— Eu, que não preciso de ajuda, o que devo pedir a você agora?
— Isso o meu senhor mesmo deve decidir.
A Mel disse isso encarando meus olhos, com uma expressão desafiadora.
— …Providencie pra que o Jill consiga ir até o reino de Lavarre. Se existir alguma forma de conceder um status oficial a ele, procure por essa forma.
— Às ordens.
Ela curvou a cabeça em silêncio e desapareceu daquele lugar.
Vou deixar o caso do Jill completamente nas mãos dela. A Mel é uma subordinada excelente. E, além disso, ela observa tudo ao redor com muita atenção.
— Obrigado.
Murmurei isso na sala vazia, agora sem ninguém.
Preciso me concentrar no caso da Alicia. …Nesse caso, primeiro é minha avó, não é.
Estamos no mesmo palácio real, mas quase nunca nos encontramos cara a cara. Aliás, mesmo estando dentro do palácio, ela quase nunca aparece em público. Sempre passa o tempo isolada, num pavilhão separado.
Não tenho muita vontade de me encontrar com minha avó. Mas, se existir a menor pista sobre o paradeiro da Alicia, não tenho outra escolha a não ser me encontrar com ela.
Antes de me encontrar com minha avó, fui até meu pai.
Faz tempo que não converso com ele. …Como será que meu pai está lidando com o incêndio que atingiu o palácio real? Ele com certeza já deve saber que minha avó estava envolvida na resolução desse incidente.
Se, com isso, tudo já se resolveu de forma harmoniosa, talvez ele não tenha intenção de intervir em nada mais.
Como sempre, meu pai provavelmente nunca vai contrariar minha avó.
Cheguei ao escritório do meu pai e bati na porta: toc, toc.
— Pai, sou eu.
Não fiz nenhuma saudação formal.
De dentro do cômodo, ouvi: "entre". Mesmo estando ocupado com os assuntos do reino, meu pai sempre abre um tempo pra mim, quando eu vou visitá-lo.
Abri a porta e entrei no cômodo.
— Que raro, o Duke vir me visitar.
Meu pai disse isso, sem sorrir, com aquele ar sério de sempre.
Ele carrega, sim, a dignidade de um rei. Mas acho que o Will-ojisama tinha, de fato, mais qualidades naturais pra isso.
— …O senhor sabe que o palácio real quase foi explodido dias atrás, não sabe?
— Sei.
Meu pai respondeu, mantendo aquela expressão amarga.
— E também sabe que a culpada foi a Williams Alicia?
— Sei.
— O que o senhor fez a respeito disso?
— Deixei esse assunto inteiramente nas mãos da minha mãe.
— Por quê?
Não consegui evitar torcer o rosto. Sempre que o assunto envolve a Alicia, meus sentimentos ficam bem abalados.
Continuei falando, como se estivesse pressionando ainda mais:
— O senhor não é um rei de fachada, é? O rei é quem detém mais poder neste reino. O senhor deveria ter sido quem julgou a Alicia.
Meu pai ficou em silêncio por um instante e soltou um pequeno suspiro. Devagar, virou o olhar em minha direção e me encarou fixamente, como se estivesse me perfurando com os olhos.
— Será que teria sido realmente bom se eu tivesse sido quem a julgou?
Aquelas palavras ecoaram pesadamente pela sala.