Capítulo 610
Se for meu próprio sangue…!
Murmurei aquilo dentro do meu coração e comecei a recitar a língua antiga do Reino de Dulkis.
Uma aura roxa envolveu tanto a mim quanto a Sheena. Enquanto pronunciava a língua antiga, dava pra perceber que meu próprio sangue estava se esvaindo.
Aos poucos, meu corpo foi ficando quente.
— O… o que você está fazendo?
Diante da voz surpresa da Kushana, o Vian respondeu calmamente: "ela está se sacrificando."
O Vian não tem poder mágico, mas já pesquisou bastante sobre a Santa e sobre o Reino de Dulkis. Deve entender razoavelmente bem sobre magia.
…Isso é ruim.
Parece que preciso de mais sangue do que eu imaginava. Duvido que minha consciência aguente. …Do jeito que está, nós duas vamos acabar juntas.
Com a cabeça girando, tentei manter a consciência com todas as forças. Ficar anêmica desse jeito num instante é praticamente a mesma coisa que tentar morrer.
— Que coisa terrível…
Ouvi de leve a voz do meu avô.
— Deixei tudo nas mãos de Mark e Kate e vim ver como estava a situação aqui… Nunca imaginei que, enquanto eu ainda estivesse vivo, veria uma capacidade mágica tão magnífica quanto essa…
— O que a Alicia está fazendo é assim tão impressionante?
— …Dividir o próprio sangue pra salvar uma parente sua de sangue. Uma técnica que uma pessoa comum jamais conseguiria fazer. Nunca deve ter existido alguém que usasse aquela magia das trevas num nível tão avançado assim.
— Espera aí. E a Alicia, o que vai acontecer com ela?
— Isso… eu também não sei.
Eu conseguia ouvir as vozes do meu avô e da Kushana conversando, mas minha cabeça já estava ficando tão nublada que não conseguia entender o que estavam dizendo.
A cor do rosto da Sheena foi melhorando aos poucos.
…Que bom, parece que está dando certo. Só falta aguentar mais um pouco.
Percebi que gente estava se reunindo ao redor. Olhavam pra mim com expressões que quase diziam "senhora Santa". Queria que parassem com isso. Esse tipo de olhar já basta pra Liz.
Isso não é ajuda ao próximo, coisa nenhuma. É só um trampolim pra elevar minha própria capacidade mágica.
— Por isso mesmo, não posso deixar você morrer!
Dizendo isso, concentrei toda a minha força numa última investida.
Naquele instante, uma luz roxo-clara ofuscante foi emitida, e devagar, foi se apagando.