Capítulo 640
— Aqui ninguém deve aparecer, né.
Sentei numa caixa de madeira ali perto e olhei pro Rigal, o Leon e o Rio.
O Rigal tinha feito a barba e cortado o cabelo, ficando com uma aparência bem mais limpa. …Fiquei um pouco surpresa em ver a queimadura do rosto dele completamente à mostra.
— Foi bom mesmo sair da floresta?
— Foi. Eu vou te seguir.
Já não havia nem um traço daquele clima sombrio e retraído de antes. Pelo contrário, agora tinha uma masculinidade que até despertava simpatia…
Será que ele finalmente superou de vez? Como o sentimento dele em relação à Kushana devia ser forte, achei que ele fosse ficar naquela floresta apoiando a Sheena.
— Não tem nenhum apego que te prenda lá?
— Não. De alguma forma, meu sentimento é diferente do que era antes. …A rainha Sheena é uma pessoa maravilhosa, mas tem algo diferente, sabe… Bem, tanto faz isso. Quem mudou minha vida de novo, mais uma vez, foi você, Alicia. Então use minha vida como quiser.
Será que ainda há, em algum lugar, alguma memória latente da Kushana?
Pensando nisso, falei.
— Eu só dei uma oportunidade.
É isso, eu sempre só dou a oportunidade.
Eu não realizei nenhum feito nobre como "mudar a vida de alguém". Uma vilã não faz esse tipo de coisa.
Só acho que a oportunidade existe igualmente pra todo mundo. Se a pessoa vai pegar essa chance ou não, é decisão dela. Eu só deixo a escolha inteiramente nas mãos da outra pessoa.
— É justamente esse seu jeito que eu gosto.
O Rigal disse aquilo e deixou escapar um sorriso.
Parece mesmo que a maldade foi completamente afastada. Afinal, ele nunca foi uma pessoa má de verdade, pra começo de conversa…
— Bom, vamos ao assunto principal.
Respirei fundo devagar e abri a boca. Eles esperaram minhas palavras com uma expressão séria.
— …Vocês não querem entrar pro meu batalhão?
— "Ba-batalhão?" — os três disseram ao mesmo tempo.
As vozes dos três se sobrepuseram perfeitamente.
— Isso mesmo, batalhão.
Respondi com calma, diante deles arregalando os olhos.
Eu tinha prometido ao Victor que ia formar o batalhão mais forte, afinal… Bem, uma vilã costuma ter capangas do mal, então não é nada estranho ter um ou dois batalhões…
A vilã solitária que eu almejo ser não gosta de depender muito da força alheia. …Mas expandir a própria força também é algo essencial!
— Um batalhão da senhora?
O Leon foi o primeiro a falar. "Isso mesmo", assenti, e continuei.
— Ainda não tem ninguém oficialmente, mas achei que precisava dar forma a isso direito. Então, este é o primeiro recrutamento. …Vocês têm interesse em entrar?
Perguntei aquilo encarando-os fixamente, como se estivesse aplicando pressão.
Depois de um breve silêncio, o Rigal esboçou um sorriso malicioso. O Rio me olhava com os olhos brilhando. O Leon me olhava com uma expressão que parecia dizer "só agora?".
…Boa reação. Exatamente como eu esperava.
— "Claro que sim!" — os três responderam juntos.
— Assim é que se fala.
Ergui o canto da boca, satisfeita.