Capítulo 650
— E então, o que vamos fazer agora? Aliás, por que exatamente estamos aqui, pra começo de conversa?
O Duke-sama comprou uma capa pra mim, e os dois caminhamos pela cidade cobertos por capas.
…Eu devia ter entrado assim desde o início. Sendo eu, faltou bastante cautela dessa vez. …Profundo arrependimento.
— Ao mesmo tempo em que o Jill vai fazer diplomacia no Reino de Lavarre, o Reino de Dulkis vai mudar do estado quase isolacionista que tem hoje. A política vai passar a priorizar as relações com outros reinos. …Justamente por isso, precisamos tornar boa a relação com o Reino de Melvin.
— Mas atualmente a relação com o Reino de Melvin está bem…
— Está péssima, desde que eu matei uma criada do palácio real de Melvin.
— Pois é, né…
O Duke-sama fez uma pausa e voltou a falar.
— Pra começar, minha mãe se casou com o Reino de Dulkis também por motivos diplomáticos. Foi um casamento político pra que o Reino de Melvin e o Reino de Dulkis se apoiassem mutuamente. Mesmo tendo sido usados politicamente, minha mãe e meu pai realmente se amavam de verdade. …Por causa do casamento dos meus pais, mesmo que o intercâmbio com o Reino de Melvin fosse pequeno, era bem maior do que é hoje. Os dois lados estavam em alerta mútuo, mas não era uma relação ruim. …E então, um dia, eu vim até aqui junto com minha mãe.
Dava pra perceber que a expressão do Duke-sama tinha ficado sombria de repente.
Foi naquela ocasião que entendi que a mãe do Duke-sama faleceu.
Com certeza, pro Duke-sama ainda pequeno, deve ter sido um choque impossível de superar. …Aliás, foi naquela época que ele matou a criada, não foi? …Não é jovem demais pra isso?
Enquanto eu pensava nisso, mais um vendedor insistente apareceu do lado.
— Que tal um espetinho de carne bovina bem gostoso?
Diante daquele cheiro, minha barriga roncou sem querer. Tinha um cheiro bom e apimentado que estimulava o apetite.
Já que eu tinha ficado o tempo todo montada no Rai, só bebendo água, estava bem faminta mesmo.
— Me dá um.
Talvez percebendo que eu olhava os espetinhos com desejo, quando percebi, o Duke-sama já tinha comprado um.
Pensei em dizer "não precisa", mas ele já tinha estendido o espetinho pra mim dizendo "toma".
— Muito obrigada.
Minha barriga roncar é vergonhoso demais. …Mas esse cheiro e essa aparência suculenta. Ah, quase babei sem querer.
— Coma à vontade.
O Duke-sama disse aquilo com um sorriso gentil.
Dei uma mordida generosa na carne. Naquele instante, o sabor da carne se espalhou pela boca, e murmurei "gohtozo", ainda com a boca cheia de carne.
— Que bom, então.
De alguma forma, senti que o Duke-sama estava me olhando como quem dá comida a um animalzinho pequeno.
…Bem, tudo bem. Estou feliz de poder comer algo tão gostoso!