Capítulo 660
Andei em círculos pelo quarto, forçando a cabeça a pensar desesperadamente.
…Pensa, Alicia. Eu não sou o tipo de mulher que tropeça num lugar desses, sou?
Talvez meus instintos tenham ficado embotados, vivendo num mundo cercado só de aliados até agora. Preciso me afiar mais.
Não posso recuar num lugar desses.
Convencer a Mia vai ser bem difícil. …Algum jeito de sair desse quarto sem que ela perceba………… não tem nenhum?
Mas não parece que ela vai ficar me vigiando o tempo todo, né?
Enquanto eu pensava, ouvi um "toc-toc" na porta.
— O café da manhã.
Ouvi uma voz feminina desconhecida.
Abri a porta. Uma garotinha pequena estava parada segurando uma bandeja grande de metal. Atrás dela, um par de olhos cinza claros me observava fixamente. Era a Mia.
Ficar de vigília desse jeito o tempo todo deve ser trabalho pesado, hein… Bem, se ela quer vigiar, que vigie então.
Sem me importar com ela, peguei a bandeja das mãos da garotinha.
— Obrigada.
— Sou a Nashe, responsável por este quarto.
Dizendo isso, ela curvou a cabeça com elegância e deixou o lugar.
…Responsável?
Surpresa por saber que o quarto tinha uma responsável designada, voltei pra dentro do quarto.
…………Será que dá pra aproveitar isso!?
Coloquei a bandeja sobre a cama e abri todos os pratos de metal de vários tamanhos. Todos tinham um cheiro apimentado.
Só pratos que eu não conhecia.
Rasguei um pedaço de um pão grande com a mão, levei à boca e bebi a sopa.
…Falando nisso, se a senhora Amelia foi envenenada até a morte, existe a possibilidade de ter veneno aqui também, não é?
Mas não tem como colocarem veneno logo em mim assim. Ainda é só o segundo dia desde que cheguei.
Terminei a refeição e procurei se havia algum outro jeito de sair do quarto além da porta. Olhei cada cantinho, mas não achei nada. Só havia alguns livros da língua antiga do Reino de Melvin em cima da estante.
Claro que eu consigo ler.
Aprender línguas antigas é o mais complicado de tudo, mas ainda bem que eu tinha me dedicado direito a isso. É útil em lugares que a gente nem imagina.
Vai ser o melhor jeito de matar o tempo, nessa vida de prisão no palácio anexo!
Enquanto lia, pensei em conhecer mais sobre esse reino. …Foi bem nesse instante. Minha mão perdeu a força, e o livro escorregou.
— …Isso é…
Percebi que meu corpo estava começando a ficar levemente dormente.
Não pode ser, colocaram veneno logo em mim…!?
Mesmo tendo sido envenenada, uma parte de mim estava um pouco feliz. Nunca imaginei que fossem me atacar logo de cara assim; os punhos da vilã já estão coçando de empolgação.
…É um veneno sem intenção de matar. Bem fraco.
Infelizmente, sendo apenas uma nobre, não realeza, eu nunca desenvolvi resistência a venenos ingerindo pequenas doses desde criança. Levei o golpe em cheio, direitinho.
Mas isso não é nada de mais. Já quase morri várias vezes muito piores que isso.
— Que ótimo.
Peguei o livro caído e esbocei um sorriso maroto.