Capítulo 669
Abri os olhos devagar. Ali estava a Mia, espiando dentro do quarto com um ar preocupado.
— …Bom dia?
Falei aquilo enquanto me sentava. Ela disse "com licença" e colocou a mão na minha testa, mediu meu pulso, confirmando que minha saúde estava melhorando.
— Sinto muito.
Depois de soltar minhas mãos, a Mia curvou a cabeça devagar.
— Não é culpa sua, é?
— Minha supervisão não foi suficiente.
…A Mia realmente não devia saber que havia veneno naquela refeição.
Ela continuou falando com um tom firme.
— Não importa o quanto tenham rancor do Reino de Dulkis, uma coisa dessas nunca deveria acontecer. Vou descobrir o culpado sem falta e fazê-lo pagar pelo crime.
— …Pagar como?
— Se não for nobre nem realeza, seria pena de morte.
Mais sério do que eu imaginava. …Talvez eu tenha levado isso de forma leve demais.
De fato, mesmo sendo um veneno fraco, envenenar uma nobre de outro reino é motivo suficiente pra virar guerra. …O que será que aprenderam com o caso da senhora Amelia?
Senti raiva crescer diante da estupidez do culpado.
— Tem certeza de que não devemos avisar o Duke-sama de verdade?
Assenti diante das palavras da Mia.
Podia até contar ao Duke-sama, mas não agora.
Se ele soubesse que algo assim aconteceu logo na manhã do segundo dia da nossa visita ao palácio real, o Duke-sama ficaria furioso, e a situação viraria algo terrível.
E, além disso, seria frustrante ele resolver esse problema num piscar de olhos. Esse é o meu problema. Vou resolver por conta própria.
— Eu não quero que isso se transforme numa situação que a gente não consiga mais controlar. …Por isso, Mia, você vai me ajudar, não vai?
Sorri pra Mia.
— Sim.
Não tinha outra resposta possível mesmo, né.
Ela não seria idiota o suficiente pra dizer "não" numa hora dessas. Na situação atual, a Mia… e o próprio Reino de Melvin estavam em desvantagem.
— Primeiro, o que a gente faz?
A Mia pediu minhas instruções.
Que mudança de postura rápida! …Aliás, foi surpreendente. Nunca imaginei que ela ficaria do meu lado assim, tão facilmente.
Foi a Mia quem salvou o Duke-sama dos guardas, e dessa vez também, se não fosse por ela, eu teria sofrido ainda mais.
— A Mia estava cuidando de mim?
— Isso é interpretar de um jeito bom demais. …Mas, mais ou menos isso mesmo.
…Como eu imaginava, não era vigilância.
Já que fui envenenada mesmo estando dentro do quarto, a Mia devia pensar que, fora do quarto, minha vida correria risco ainda maior.
Mas, mesmo com a vida sob ameaça, eu preferia estar no mundo lá fora.
Sou grata pelo sentimento da Mia, mas eu não vou viver uma vida de prisão aqui.
— Este não é um lugar seguro.
— Já aprendi isso na própria pele. …Mesmo assim, eu não quero ficar o tempo todo trancada dentro do quarto.
— Da próxima vez, pode não ser veneno, pode ser uma faca vindo voando.
— Que ótimo.
Quando sorri maliciosamente, a Mia segurou a cabeça com uma das mãos.
— Eu disse que me protejo sozinha, não disse?
Ao acrescentar isso, a Mia deixou escapar um sorriso de espanto, dizendo "que teimosia".