Capítulo 675 – Vinte Anos, Filho Mais Velho da Família Seeker, Duke
…Como eu imaginava, não gosto desse lugar. Não consigo me acalmar.
Acordei de manhã, antes do sol nascer, e corri pelos arredores do palácio real. Exercício ajuda a organizar os pensamentos.
Meu avô, que eu reencontrava depois de tanto tempo, continuava tão teimoso quanto sempre. Eu não vim aqui pra brigar, vim pra negociar. Mantendo isso em mente, empurrei a raiva com todas as forças pro fundo do coração.
Se me perguntassem se relações com outros reinos são realmente necessárias, claro que existem desvantagens. …Mas, do jeito que está, o Reino de Dulkis vai entrar em colapso.
O sistema de supremacia mágica tinha funcionado razoavelmente bem, mas foi grandemente abalado quando uma plebeia chamada Liz passou a ter magia.
Este será o ponto de virada do Reino de Dulkis. Ou o reino entra em colapso, ou se desenvolve.
— Passar uma noite aqui mudou um pouco sua opinião?
No mesmo instante em que terminei de correr, ouvi a voz do meu avô.
…Não percebi que ele estava por perto.
— Não.
Surpreso com o aparecimento repentino do meu avô, respondi com uma voz firme mesmo assim.
— …Não fique muito tempo aqui. Não posso permitir que causem confusão. E aquela garota que estava ao seu lado deve estar agora no palácio anexo, não é? …Logo, logo, ela vai vir correndo até você chorando. Não tem como uma nobre do Reino de Dulkis sobreviver naquele palácio anexo.
Quase ri sem querer.
Ela é uma mulher que, mesmo exilada, conseguiu voltar sozinha pro Reino de Dulkis por conta própria. Provocações como as do palácio anexo não passam de um inseto voando por perto pra ela.
Meu avô não faz a menor ideia da força dela.
— O senhor está subestimando demais ela.
— …Coloquei uma vigilante pra garantir que sua mulher volte com vida.
— Está falando da Mia… Isso é reconfortante.
Se a Mia está lá, posso ficar tranquilo.
A força dela é impressionante. Mesmo sendo criada de posição, sua capacidade física é equivalente à de uma guerreira.
— Qual é o nome daquela garota de olhos dourados?
— Se chama Alicia.
Surpreso por ter sido perguntado de repente sobre o nome da Alicia, respondi assim.
— Você a ama?
— Muito. A ponto de esquecer minha própria posição.
Meu avô ergueu levemente o canto da boca, sorrindo, e acrescentou a pergunta: "é amor não correspondido?"
— Estamos super apaixonados um pelo outro.
Respondi um pouco irritado, encarando meu avô com fúria.
— Cuide bem dela. Perder algo que você protege te deixa perdido, sem rumo.
Meu avô parecia estar dizendo aquilo como se estivesse se convencendo de algo pra si mesmo.
Meu avô deve ter vários filhos. Entre eles, minha mãe devia ser a favorita especial.
Na minha memória, minha mãe era inteligente e boa de conversa. Ela dizia que meu avô era cabeça-dura, mas transbordava de amor.
…É exatamente isso mesmo.
Me lembrei das lembranças vagas que ainda restavam da minha mãe nesse palácio real. …………Eu tinha selado essas memórias, mas nem todas eram ruins.
As lembranças até o momento em que minha mãe foi morta, eu matei a criada, e fomos forçados a voltar pro país, essas são boas.
Nunca imaginei que eu fosse voltar até aqui…
A Alicia voando pra vários lugares diferentes, e até o Jill assumindo a responsabilidade da diplomacia com o Reino de Lavarre… Recomendei que ele levasse alguém junto, mas ele recusou. Disse que estaria bem sozinho.
Eu também quero recuperar uma relação amigável com o Reino de Melvin. Esse é o desejo da minha mãe.