Capítulo 691
Diante do meu pequeno monólogo, a Mia respondeu com um rosto sem expressão.
Sendo que a Mia tinha acabado de me aconselhar "melhor não se envolver".
Não é que eu queira me envolver. Só acabo sendo arrastada pra dentro por conta própria.
— …Você riu de mim agora?
— Sim.
Respondi com sinceridade.
Já que fui arrastada pra dentro, não tem mais jeito.
Segundo a Mia, era uma amante do príncipe — por enquanto, vou chamá-la de "amante". A amante me olhava com os lábios tremendo levemente.
Será que ter sido motivo de riso pra mim a incomodou tanto assim.
— S-sinto muito.
Falei com a assistente da alfaiataria, que continuava se desculpando apavorada.
— Erga a cabeça.
— …Hã?
Ela me olhou de canto de olho. Diante da expressão surpresa dela, acrescentei mais uma coisa.
— Até quando você vai ficar de cabeça baixa? Esse enfeite de cabelo lindo que você tem vai acabar caindo.
Virei o olhar pro enfeite de cabelo vistoso, cravado com pedras verde-claras espalhadas com beleza, preso na cabeça dela.
— Eu não vou permitir!
A amante gritou alto na minha direção. A assistente já tinha erguido o rosto.
— …Tocar minha roupa com essas mãos sujas! Só a Rene tem permissão pra tocar na minha roupa! Não aceito nada que não seja costurado por ela! Afinal, corre sangue nobre nas veias dela. É totalmente diferente de uma plebeia dessas.
Ela elevou a voz, quase histérica.
As mulheres ao redor pareciam já estar acostumadas, sem demonstrar surpresa especial. Mas os olhares aumentaram em relação a antes, pra confirmar o que estava acontecendo.
— Vou cortar essas suas mãos sujas!
Diante da voz da amante, a assistente estremeceu o corpo. A amante lançou um olhar cheio de ódio pra assistente e falou.
— Curve a cabeça.
A assistente ficou um pouco confusa diante daquelas palavras. Encarei a assistente fixamente. Apelei com o olhar, dizendo "não se curve a essa pressão".
— Ei, o que você está fazendo? Ainda estava no meio do pedido de desculpas, não estava?
— Fica de pé, firme.
Falei sobrepondo minha voz à da amante.
— Eu já te disse: "o enfeite de cabelo lindo vai cair". Proteja sua própria beleza com as próprias mãos. Senão, você não vai conseguir deixar mais ninguém bonito.
— …Gostei disso.
Como se estivesse reagindo às minhas palavras, de repente ouvi uma voz baixa demais pra uma mulher, vinda de trás.
— Chefa.
A assistente olhava pra trás de mim com um ar aliviado. Virei-me devagar.
— Rene!
Uma voz aguda o suficiente pra machucar os ouvidos, da amante, ecoou.
Era ela. De perto, esquecia-se completamente da juventude, só se sentia a dignidade. Olhos puxados, olhar forte. Um rosto bem definido, com lábios um pouco carnudos e marcantes.
Ela tinha um charme peculiar que só ela conseguia exalar.
— Lila, você não fez nada que precise de desculpas. Fique de pé com confiança.
O tom de voz era masculino.
Era um preconceito meu, mas eu tinha imaginado que a melhor alfaiate da cidade seria uma mulher mais suave e delicada. Ela quebrou minhas expectativas, no bom sentido.
— Até você virou minha inimiga?
— Você chamou minha querida assistente de "plebeia", esse crime é grave.
Fiquei um pouco confusa no início com o jeito de falar de Rene, que não era o de uma jovem, mas logo me acostumei.
— …Você pretende se rebelar contra mim?
Com uma expressão de descrença, a amante caminhou devagar em direção a Rene, com um meio sorriso.
Talvez esse desenrolar fosse raro, porque, sem perceber, os olhares das mulheres ao redor já estavam concentrados em nós.
Rene não disse nada, só observava a amante em silêncio. Não estava encarando de volta com fúria, só olhava fixamente.
Havia uma força imponente nos olhos dela, encarando a amante diretamente.
— Vou fazer com que você nunca mais ponha os pés nesse palácio anexo. Vou destruir sua loja também. Vou te fazer entender com quem você provocou briga.
— Não me importo nem um pouco. Só vai fazer com que o palácio anexo nunca mais consiga contar com minha costura.
Diante daquela resposta tranquila, o rosto da amante ficou ainda mais vermelho, expressando raiva.
— Não poder mais contar com a costura da Rene…
— Isso eu não quero. Não decida isso por conta própria.
— …Que pessoa incômoda.
— Eu já achava isso antes, mas ela é mesmo grosseira.
Tudo isso devia estar se referindo à amante.
O conteúdo das conversas sussurradas das mulheres ao nosso redor chegava aos meus ouvidos.