Capítulo 693
— Já cansei desse lugar cheio de intrigas!
Saí do palácio anexo e gritei aquilo esticando o corpo. A Mia me olhou surpresa, dizendo "senhora Alicia?".
Não dá pra ficar pra sempre num lugar tão sufocante quanto esse.
Pensei que só precisava aguentar até a festa, mas já estou quase sem ar.
…Quero me mexer. Exercício ajuda a renovar as energias.
— Tem algum lugar onde eu possa me exercitar?
— …Exercício?
— Sim. …Se eu ficar naquele lugar o tempo todo, meus ombros vão travar.
— Ah, tem um bom lugar.
A Mia sugeriu isso como se tivesse se lembrado de algo.
— …Bom lugar?
— Isso. Vamos.
Fui levada por ela, caminhando.
Andamos bastante pelo terreno amplo. Havia um único prédio baixo, isolado, longe do palácio real e do palácio anexo.
— O que é aquilo ali?
Perguntei isso pra ela, e a Mia respondeu "é a enfermaria".
— É pros nobres, não pro rei.
A Mia acrescentou essa explicação.
Um ponto de interrogação surgiu na minha cabeça.
Por que estão me levando até a enfermaria?
Eu tinha dito que queria me exercitar… Será que acham que estou estressada e por isso me levaram até a enfermaria?
"Tem um bom lugar" queria dizer que eu deveria receber cuidado mental de um médico?
Não, ainda não sei. Talvez o percurso mude de repente daqui e apareça um campo de treinamento.
Pensando nisso por conta própria, cheguei em frente ao prédio.
— É aqui.
— Aqui, hein.
Era mesmo a enfermaria.
— …Eu não estou mal de nada em especial, sabe? Não precisa de consulta.
A Mia inclinou a cabeça diante das minhas palavras.
— Não é pra fazer consulta.
— Hã?
— A senhora Alicia vai ajudar aqui.
— Ajudar…?
Franzi a testa ainda mais diante das palavras da Mia. Ignorando-me, ela abriu a porta do prédio.
— Ei, espera.
Chamei a Mia às pressas.
Eu estava sendo completamente deixada pra trás. Nunca imaginei que fosse ser arrastada pelo ritmo da Mia.
Entrei no prédio e olhei ao redor. Havia várias camas enfileiradas, com pacientes deitados. Quase todas as camas estavam ocupadas.
Mesmo sendo uma enfermaria bem grande, quase não havia funcionários. Só uma pessoa parecida com enfermeira, que parecia estar ocupada o tempo todo.
…Isso é possível?
A enfermaria de um palácio real costuma ficar assim tão lotada?
O número de pacientes não batia com o de profissionais de saúde. A enfermeira era chamada por pacientes de todos os lados, tentando dar conta. Um volume de trabalho impossível pra uma pessoa só.
Talvez fosse até correto dizer que o ambiente de trabalho era péssimo.
Nas janelas que pareciam não abrir há tempos, havia teias de aranha, e o chão estava pegajoso e sujo. Além disso, os lençóis das camas não pareciam estar lavados.
Diante daquele ambiente empoeirado e insalubre, tossi sem querer. Num lugar fechado desses, o estado dos pacientes só deve piorar. Os rostos deles não tinham nenhuma vitalidade.
…………Por que eu fui trazida pra um lugar desses?
Enquanto eu estranhava aquilo, um homem de meia-idade, de óculos, veio do quarto no fundo. Tinha um corpo levemente rechonchudo como característica marcante.
Aquela pessoa deve ser o médico, provavelmente…
— Não é a Mia? Veio ajudar?
Assim que avistou a Mia, o homem de meia-idade se aproximou de nós. Naquela expressão suave, senti um vestígio do professor John, que me ajudou tanto na academia de magia.
…Sendo um médico que trabalha aqui, eu tinha imaginado alguém mais assustador e teimoso.
— Espere um pouco, por favor. Vou chamar o médico agora. Doutor! Venha aqui!
A enfermeira gritou alto na direção do homem de meia-idade.
— Ah, já vou. Espere um pouco.
O homem respondeu à enfermeira.
Como eu imaginava, ele era mesmo o médico.