Capítulo 703
Fui até o velho com o ferimento na perna e levei os lençóis já lavados. Montei um varal do lado de fora e pedi que ele ajudasse quem estava pendurando os lençóis.
Ele também precisava trabalhar direito.
— Nunca imaginei que fosse me dar uma tarefa dessas.
Entre os pacientes, a posição dele parecia diferente. Todos ali pareciam, de alguma forma, se conter diante dele.
— Aqui, o senhor continua sendo só mais um paciente, sem diferença nenhuma.
Falei isso com clareza pro velho.
— …Você não tem medo do poder? Aqui até tem nobres de alta posição. Nunca pensou que seria melhor manter boas aparências com eles?
Não consegui evitar rir alto diante das palavras do velho.
O Duke-sama também virou o olhar pra mim, surpreso, perguntando o que tinha acontecido.
— …O que tem de engraçado?
Minha atitude parece ter ofendido o velho.
— Que pergunta boba.
Respondi isso com uma voz firme. Acrescentei mais uma coisa.
— Prefiro muito mais viver resistindo, mesmo sofrendo ferimentos, do que ser oprimida pelo poder.
Não importa se é o rei ou a segunda esposa, não tem nada a ver comigo.
Uma vilã é solitária e nobre. Não é o tipo de pessoa que bajula ninguém.
— Qual é o seu nome?
— Alicia.
— Meu nome é Rodis.
Dizendo isso, ele estendeu sua mão cheia de rugas pra mim. Apertei a mão do velho que se apresentou como Rodis.
— O senhor Rodis perguntando o nome de alguém…
Ouvi alguém dizer isso ao longe.
…Será que ele é um velho importante?
Pensando nisso, voltei a cuidar do resto da lavagem.
Voltei pro lugar do balde grande e verifiquei a sujeira dos lençóis restantes. Falei pra mulher que segurava o sabão: "vamos terminar a lavagem depois dessa."
Ela me mostrou um sorriso.
— Sim.
Fiquei paralisada diante daquela expressão, sem querer.
Nunca imaginei que fosse receber um sorriso.
— …Aconteceu alguma coisa?
— Não, é que o clima pareceu ficar mais leve, de alguma forma…
— É que meu caso é leve. Ultimamente, eu não conseguia sair dessa sensação de estar sempre com o coração afundado, e acabei chegando até aqui. …Levo isso pra lá?
A mulher falou um pouco sobre si mesma e depois colocou os lençóis molhados na cesta, apontando pro varal.
— Por favor.
Diante da minha resposta, ela respondeu tranquilamente "tá bom~" e ergueu a cesta. Então, como se tivesse se lembrado de algo, abriu a boca com um "ah" e me encarou fixamente.
— Não sou só eu que fiquei mais leve, não. Olha ao redor. …Só de sair da cama, fazer um alongamento e limpar, a expressão de todos mudou completamente. É a primeira vez que vejo eles tão cheios de vida assim. Você provocou uma revolução nesta enfermaria num único instante.
Ela disse só isso e seguiu em direção ao varal, cantarolando.
De repente, olhei ao redor pra ver o estado dos pacientes.
Ainda havia gente com expressão sombria ou sem expressão nenhuma, mas vários já tinham mudado claramente de expressão. Graças a isso, o ambiente daquele lugar também tinha melhorado.
É uma expressão batida, mas tenho a sensação de que o sol entrou na escuridão.
Afinal, o ambiente é mesmo importante…
— Ótimo trabalho, Alicia.
Quando percebi, o Duke-sama estava parado ao meu lado.
— Eu não fiz nada.
— …Não, você os fez se mover. Isso é um mérito e tanto.
— Não, foi vontade deles mesmos. …O fato de terem se movido por conta própria talvez signifique que, em algum lugar, todos desejavam recuperar a dignidade e o orgulho que já tiveram.
Diante do que eu disse, o Duke-sama esboçou um sorriso suave, dizendo "pode ser mesmo".