Capítulo 708
Fiquei em silêncio, ouvindo o que o médico tinha a dizer.
— …Me desculpe. Que vergonha admitir, mas eu tive inveja de você.
O médico se curvou com educação.
…Surpreendentemente sincero.
— O que você escreveu foi realmente muito bom. Vou continuar usando este livro como referência daqui em diante.
O médico disse isso segurando o livro que eu tinha acabado de terminar de escrever.
Jasmine, que rapidez de trabalho.
— Assim o senhor vai virar o melhor médico do reino.
Eu disse isso e sorri pro médico. Ele ficou um instante paralisado, e depois deixou escapar um sorriso nos lábios.
— Eu perdi.
— Então, por nós, é isso.
A Mia disse isso ao médico.
— Cuide bem da saúde, Mia.
Hã? Que fala é essa?
Movi o olhar do médico pra Mia. Nossos olhares se cruzaram, e ela soltou um suspiro meio resignado.
— …É meu pai.
PAAAI?!
Fiquei chocada com as palavras da Mia, arregalei os olhos e esqueci até de piscar.
É verdade que, desde o início, eu meio que sentia uma certa proximidade entre os dois… mas nunca imaginei que fossem pai e filha.
— Não era minha intenção esconder, só não tive a oportunidade certa de contar…
A Mia disse isso meio sem graça.
…Ainda assim, não se parecem nada. Será que a Mia puxou à mãe?
Enquanto eu olhava alternadamente pra Mia e pro médico, a Jasmine, franzindo a testa com algo, foi conferir o que estava acontecendo lá fora.
— …Parece que alguém chegou.
Diante das palavras da Jasmine, nós três também voltamos o olhar pra fora do prédio.
Tá mais barulhento que antes. …Mas visita, num lugar desses?
Saí pra fora, pra checar quem tinha chegado.
— Então você estava aqui.
Uma voz feminina grave ecoou no local.
…Rene?
Diante da presença daquela mulher, que não deveria estar aqui, eu não consegui evitar franzir os olhos.
Por que ela está aqui?
Atrás da Rene estava a assistente Lila.
Como sempre, a pressão do olhar da Rene é impressionante. Sem conseguir entender a situação, fiquei olhando de volta pra ela.
Parece que ela estava me procurando, mas por quê?
— Senhorita Rene…?
De trás, ouvi a pequena voz surpresa da Mia.
Será que a presença da Rene é conhecida de muita gente, porque os pacientes que estavam do lado de fora do prédio também pareceram surpresos ao vê-la.
— Achei que você não estivesse nem um pouco no palácio secundário, e olha só onde estava…
— A senhora tem algum assunto comigo?
Diante da minha pergunta, a Rene levantou levemente o canto da boca e respondeu "ah".
Já tinha pensado isso da primeira vez que a conheci, mas não existe nem um traço de animação nela.
— Você vai participar da festa de amanhã, não vai?
— Sim.
— Ouvi rumores de que você está numa espécie de jogo terrível com a segunda esposa. …Mesmo assim, parece bem despreocupada.
Eu também acho isso.
Recebendo o amanhã de forma bem despreocupada. Talvez fosse melhor eu ter um pouco mais de senso de urgência, mas tenho essa tranquilidade misteriosa.
Queria dizer isso a mim mesma, que devia ter um pouco mais de noção do perigo.
— A senhora veio até aqui só pra me dizer isso?
Diante das minhas palavras, a Rene deu uma risadinha e disse "de jeito nenhum".
— Eu quero que você use um vestido feito por mim.
A Rene continuou dizendo isso.
Fiquei paralisada, pensando, diante de uma fala que eu nunca teria imaginado.
…Espera, o que ela disse agora?
— P-por quê?
Respondi assim, mesmo confusa.
— Porque eu quis que uma pessoa como você usasse uma roupa feita por mim.
— Uma pessoa como eu?
— Não é fazer um vestido porque fui encomendada. Sou eu que estou pedindo, e quero que você use o vestido. …O que me diz? Não quer usar um vestido meu?
De alguma forma, isso é bem legal…
Achei bonita a determinação da Rene, voltada diretamente pra mim.