Capítulo 9
— Senhor Duke, me desculpe muito.
Depois de fazer uma reverência profunda, continuei falando, olhando reto pros olhos azuis profundos dele.
Por acaso, ele estava na minha mansão. Não tínhamos tido chance de conversar direito na academia, então foi bem oportuno. Na minha própria casa, dá pra falar com calma, do jeito que eu realmente sou.
— Aquele comentário meu foi leviano demais. Sinceramente, eu nunca tinha vivido a experiência de ser tão amada assim por alguém, então…
Falei isso um pouco desajeitada, e o senhor Duke, sem dizer nada, ergueu levemente o canto da boca.
Uma expressão como se ele já tivesse entendido tudo. Sou fraca demais diante desse rosto tranquilo dele.
— Er… ainda está bravo comigo?
— Desde o início, nunca fiquei irritado com a Alicia.
— Hã?
Diante da minha resposta boba, ele mostrou uma expressão levemente sem graça.
Não estar irritado comigo, o que isso quer dizer?
— Er, com quem você estava irritado, então?
— Não, deixa esse assunto pra lá.
— Vou insistir até você responder.
Sorri radiante pra ele. Agora as coisas se inverteram. É raro ver o senhor Duke em apuros assim.
Um vento agradável entrou pela janela, balançando suavemente a cortina. Junto com isso, o senhor Duke ficou me olhando fixamente.
— Fiquei com inveja, pensando que, se não fosse eu, e sim outro homem, quem tivesse mexido com o coração da Alicia.
…Que frase mortal. Que golpe baixo.
Dizer uma coisa dessas com tanta seriedade, sem se envergonhar nem um pouco — realmente, digno de um príncipe.
Ainda não sei o que vai acontecer no futuro, mas não acho que vá aparecer, daqui pra frente, algum homem melhor que o senhor Duke. Afinal, o senhor Duke já era meu favorito desde a vida passada.
E, além disso, perto do senhor Duke, consigo ser eu mesma, naturalmente. Ficar com ele não é cansativo, pelo contrário, é confortável. Claro, ainda fico nervosa às vezes.
Ele entra no meu coração com tanta facilidade. Será que esse é um dos encantos de ser príncipe de um reino inteiro?
— Alicia?
Vendo eu paralisada, ele espiou meu rosto sem dó nenhuma. Aquele rosto lindo de nível tesouro nacional bem na minha frente.
— Er, muito… obrigada?
Agradeci meio em forma de pergunta e dei um passo pra trás, me afastando dele.
Aliás, o que será que o senhor Duke veio fazer nesta casa? Não parece que tinha assunto comigo nem com os meus irmãos… será que era com o Otou-sama?
Nunca vi os dois conversando. Não é presunção minha, mas acho que o único assunto que os dois teriam em comum seria eu mesma.
— Alteza, perdão pela demora.
Enquanto eu pensava no Otou-sama, ele entrou na sala bem na hora certa. Seguindo o exemplo dele, o senhor Duke também fez uma leve reverência.
— Não precisa de tanta formalidade assim.
— Muito obrigado.
Quando o Otou-sama levantou a cabeça, nossos olhares se cruzaram. Pelo visto, ele não queria mesmo que eu estivesse aqui.
— Sobre o que exatamente os dois vão conversar?
Desculpa, Otou-sama. Mesmo assim, nessa situação, não tem como eu simplesmente sair daqui. Coisa que me deixa curiosa, eu quero saber até o fim. Mesmo que digam que mulher não deve se meter em assunto de homem, eu não vou ceder de jeito nenhum.
Endireitei a postura e encarei o Otou-sama sem desviar o olhar nem um pouco. Diante da minha atitude, ele mostrou uma expressão resignada.
— …Acho melhor eu ceder logo.
— Parece que sim.
— Por mais que eu tente convencê-la, ela vai querer ouvir nossa conversa de qualquer jeito. …E, além disso, a Alicia já tem quinze anos.
Quinze anos já é uma idade pra ser tratada como adulta assim?
— Alicia, você conseguiu usar magia aos dez anos, o que te torna, de certa forma… uma criança fora do comum. Por causa disso, acho que te impus um fardo desnecessário.
Eu, fora do comum? Não seria a senhorita Liz o exemplo certo disso?
— De jeito nenhum, Otou-sama. Eu só consegui esse poder através do meu próprio esforço. A única especial de verdade é a senhorita Liz, a Santa.
— Não é isso. Seu poder deveria ter sido escondido desde o início. Por isso Sua Majestade colocou os olhos em você… não, deixa isso pra lá.
— Por que eu deveria esconder?
— Tenha mais consciência da própria capacidade. Aos dez anos já conseguia usar magia, e agora já passou do nível 90. E não é só o poder mágico. Sua inteligência também. Tudo em você é fora do comum.
— A habilidade com espada e a capacidade física também são excepcionais.
O senhor Duke complementou a fala do Otou-sama.
Isso é um elogio, será?
— Ou seja, o senhor está dizendo que eu deveria viver de forma mais discreta?
— Não, não é isso. Aliás, você já está chamando atenção demais.
O Otou-sama disse isso soltando um pequeno suspiro.
É verdade mesmo. Minha fama naquela academia já não é pouca coisa. E, pra minha felicidade, é uma fama bem ruim.
— Então, teve uma reunião, e chegaram a uma decisão…
Vendo a expressão de dificuldade do meu pai, entendi na hora.
Com certeza é isso: agora que atingi o nível 90, querem que eu deixe o papel de vigilante da Kate Liz.
Essa expressão relutante dele com certeza é sobre isso. Mesmo tendo me esforçado tanto pra subir de nível, meu poder atual ainda não alcança o dela, que está no nível 100.
…Se foi decidido numa reunião das Cinco Grandes Famílias, não tenho como discordar.
— Continue como vigilante da Santa, Kate Liz.
…Hã? Será que ouvi errado.
— Er, o que o senhor acabou de dizer?
— Você atingiu o nível 90 e foi reconhecida como a pessoa certa pra continuar como vigilante de Kate Liz.
Por que dizer uma notícia tão feliz assim com essa cara tão triste!
Eu tinha certeza absoluta de que ia ser tirada do papel de vigilante da senhorita Liz.
— Fica mais feliz, por favor.
— Talvez a Alicia esteja feliz, mas eu não consigo deixar de me preocupar. Eu só queria que você vivesse uma vida mais tranquila…
Isso deve ser o que se chama de angústia de pai com filha.
Por mais que eu tente convencê-lo, essa preocupação dele nunca vai desaparecer. É bem difícil os desejos de pai e filha coincidirem, né.
…Será que sou eu quem é um pouco esquisita?
Como se tivesse lido meu pensamento, o senhor Duke, olhando pra mim, assentiu de leve.
— Se algo perigoso acontecer, me avise imediatamente.
O tom do Otou-sama ficou mais firme. Dá pra sentir bem o quanto ele me ama.
— Mas, não acha que é justamente nos momentos de perigo que uma flor floresce mais bonita?
— …Você tem quinze anos mesmo?
Nunca imaginei que chegaria o dia em que o próprio Otou-sama duvidaria da minha idade. É difícil dizer que sou uma quinze-anos "de verdade" no sentido tradicional, mas sou quinze anos, sim.
— De qualquer forma, estou satisfeita por poder continuar como vigilante da senhorita Liz.
— Se for realmente perigoso, eu estarei lá.
Logo depois da minha fala, ouvi o senhor Duke sussurrar isso baixinho no ouvido do Otou-sama.
Que grosseria. Superar até os momentos de real perigo é justamente o papel de uma vilã…
Diante de qualquer dificuldade que venha daqui pra frente, eu não vou recuar. Pelo contrário, quanto mais dificuldades aparecerem, mais digno de vilã fica. Sejam muito bem-vindas!
— Você parece bem animada com isso.
— …Deve estar pensando alguma bobagem de novo. …Francamente.
Enquanto o senhor Duke erguia o canto da boca, o Otou-sama, ao lado dele, deixou os ombros caírem, resignado.
— Fica tranquilo. Eu já fiquei forte o suficiente!
— …De qualquer forma, não force demais. Tenho um assunto depois disso, então vou indo.
O Otou-sama, com um ar meio derrotado, fez uma reverência pro senhor Duke e saiu da sala.
De alguma forma, comecei a sentir pena do Otou-sama. Será que a minha existência está encurtando a vida dele? Viva muito, Otou-sama.
Virei o olhar pro senhor Duke. Nossos olhos se cruzaram na hora, e meu coração deu um salto.
— O senhor Duke ainda não vai embora?
— Quero ficar mais um pouco com a Alicia.
— Não precisa me dizer isso com tanta clareza assim.
Sem querer, desviei o rosto. Sinto o próprio corpo esquentando.
Se um homem tão bonito assim me diz uma coisa dessas, eu desmaio. Ele devia ter um pouco mais de consciência da própria beleza.
O olhar dele se moveu até o pingente de diamante no meu peito. Puxou de leve, com gentileza, trazendo meu rosto pra perto dele.
— Algum dia, sem falta, vou fazer você ser minha.

…Achei que ele fosse me beijar. P-preciso dizer alguma coisa em resposta!
— Por que o senhor está tão confiante assim? Talvez seja o contrário, sabia?
Usando o pouco fôlego que me restava, ergui o canto da boca com malícia.
— O contrário?
— Talvez eu seja quem faça o senhor Duke ser meu.
Diante das minhas palavras, o senhor Duke ficou paralisado por um instante, e depois sorriu com gentileza. Meu coração ficou barulhento de novo.
— Meu coração já é seu há muito tempo.
Ah! Esse homem, sério!
Quantas vezes ainda vou morrer com as palavras do senhor Duke? Fico preocupada com o que vem daqui pra frente.
Olhando pro rosto levemente triunfante do senhor Duke, soltei um pequeno suspiro.
Fim