Prólogo
───Era uma vez, um bebê nasceu.
O nome dele era Zenovis, filho de um fazendeiro comum, e cresceu com todo o amor e carinho dos pais.
No entanto, o garoto que nasceu numa família tão comum assim também era o mais fora do comum no mundo de “Argena.”
O primeiro vislumbre da anormalidade dele foi visto quando ele tinha cinco anos.
O garoto, que normalmente corria pelos campos e montanhas como as outras crianças da vila, foi percebido sozinho, girando um bastão de madeira na mão.
Todo mundo pensou que a criança tava só girando um bastão de madeira por aí, ansiando por ser um cavaleiro.
Mas… o garoto nunca se cansava de girar.
E uma semana depois, o garoto começou a golpear alvos.
Pra surpresa de todos, ele cortou uma árvore na floresta só com um bastão de madeira.
No início, ninguém pensou que o garoto realmente tinha cortado a árvore. Primeiro lugar, era impossível pra uma criança cortar uma árvore, e além disso, o corte na árvore era tão suave que parecia ter sido cortado por uma espada afiada.
O garoto tinha empunhado um bastão de madeira e não uma espada.
É por isso que os adultos da vila tentaram tratar esse incidente como um dos acontecimentos estranhos.
No entanto, quando as árvores na floresta continuaram a ser cortadas por dois ou três dias a partir dali, um alvoroço estourou na vila, dizendo que isso não era uma ocorrência normal.
Então quando os adultos da vila tentaram descobrir quem tava cortando as árvores, acharam o garoto saindo pra fazer a brincadeira de faz de conta usual dele.
E quando o seguiram… o garoto, com o bastão de madeira dele, cortou a montanha.
Surpreendentemente, o garoto tinha se cansado de cortar árvores com o bastão de madeira e finalmente cortou a montanha de um só golpe.
A cena era tão irreal que o garoto passou a ser tratado como uma presença sinistra na vila. No entanto, os pais do garoto permaneceram carinhosos com ele.
Isso teve um efeito positivo nele.
Eles souberam do talento incomum do garoto e começaram a tentar incentivá-lo a fazer o que quer que ele quisesse o máximo possível.
E quando o garoto mostrou interesse em magia, eles conseguiram economizar dinheiro suficiente pra comprar um livro surrado sobre magia pra ele.
O livro não era o tipo de livro que uma criança leria, e o conteúdo dele era tão rudimentar que era difícil acreditar que o garoto conseguisse aprender a usar magia com esse único livro.
No entanto, o garoto leu o livro, e depois da própria interpretação e pesquisa dele, ele se descobriu se tornando um grande mago.
Seria um desperdício a vida do garoto permanecer nessa vila.
Os pais dele decidiram matriculá-lo numa famosa escola de magia da época.
Os pais, que moravam numa vila rural, não conseguiam pagar as taxas de matrícula, mas a escola tinha um sistema pra alunos especiais, que permitia que entrassem sem pagar nenhuma taxa de matrícula se atingissem resultados excelentes no exame de admissão.
O garoto naturalmente se tornou um aluno especial e frequentou a escola de magia.
Além disso, não só no exame de admissão, mas até depois de entrar na escola, o talento do garoto foi demonstrado além da medida, e ele sempre manteve as melhores notas do ano escolar dele. As habilidades de combate dele logo se tornaram as melhores da escola.
No entanto, mesmo um garoto tão perfeito assim não era muito bom em socializar com os outros.
Por causa de um incidente quando ele tinha cinco anos, ele nunca foi tratado normalmente por ninguém além dos pais dele, e como ele não era uma pessoa muito extrovertida, sempre ficava isolado na escola.
No entanto, o próprio garoto não se arrependia da incapacidade dele de socializar, mas ao invés disso começou a explorar todas as áreas da vida, sempre seguindo a curiosidade dele.
Ele se interessava por artes marciais além da esgrima, e também estudou armas, armaduras, e outras ferramentas, assim como as artes, tipo canto e pintura.
Levaria uma vida inteira pra dominar uma única forma de arte pra uma pessoa comum.
Se alguém buscar demais, vai acabar só se tornando meio realizado.
Essa era a norma.
──Exceto por ele.
Na época em que o garoto virou um jovem, tinha dominado todos os campos.
Esgrima, magia, ferraria, arte. Não tinha uma única coisa que ele não conseguisse fazer.
Mesmo se visse algo desconhecido, conseguia aprender instantaneamente e sublimar isso na própria habilidade dele.
…Por que um ser assim nasceu?
Até a Argena, o planeta em que o jovem vive, não sabe.
É genuinamente uma heresia pra humanidade.
Depois de se formar na escola de magia, não tinha nada que ele já não conseguisse fazer, então decidiu viajar pelo mundo.
No curso das viagens dele, derrotou um dragão descontrolado, dominou todo tipo de arte marcial, adquiriu todos os títulos “Holy,” e derrotou um rei “Evil” completamente sozinho.
Se você acha que as histórias dele são sempre tão selvagens assim, ele também resgatou uma princesa exilada e lutou sozinho contra um país pra realizar o desejo de uma certa criança.
O caminho que ele percorreu foi verdadeiramente lendário.
A lenda dele se espalhava cada vez mais.
E eventualmente… as pessoas começaram a chamá-lo de “O Sábio.”
No entanto, ninguém sabe sobre os últimos anos dele.
Não sobra nada na história exceto o fato de que existiu um “Sábio” que estabeleceu tais lendas.
Tem muitas especulações sobre os últimos dias dele, tipo que foi derrotado pelos deuses, que viajou até o fim do céu, e assim por diante…
Muitos pesquisadores tentaram prever o fim dele baseado nos traços de “O Sábio.”
No entanto, contanto que as pessoas acreditem que ele era um ser extraordinário, elas nunca vão saber o fim dele.
Ele só queria morrer, como uma pessoa.
──Ninguém jamais saberia que ele queria ser normal mais que qualquer um porque era mais anormal que qualquer um.
***
Isso foi quando esse Sábio tava vivo.
──[Dragon Valley].
Cercado por montanhas íngremes, o vale é habitado por todo tipo de espécie de dragão. Nesse lugar, várias espécies de dragão estão sempre lutando por território, e monstros comuns nem conseguem colocar os pés na terra.
Isso é porque as ondas mágicas poderosas emitidas pelas espécies de dragão tornam impossível pros monstros comuns se aproximarem.
É por isso que a competição pela fonte de comida é tão feroz entre os dragões no [Dragon Valley].
O nível de perigo é comparável ao do [Great Devil’s Nest].
Em contraste com a luta ecológica entre uma grande variedade de monstros no [Great Devil’s Nest], a luta entre dragões é diferente – são poucos em número mas podem ser considerados o auge dos monstros, e estão sempre lutando entre si aqui.
Dragões criados nessa terra ostentam poder avassalador comparados a dragões que habitam outras terras.
Se até um dragão saísse vagando desse [Dragon Valley], vários países seriam destruídos num instante.
No entanto, os dragões não deixam o vale. Isso é porque foram proibidos de deixar o vale por um único dragão.
Aquele dragão tava quietamente fechando os olhos na parte mais profunda do vale.
— …..
Escamas cor de pôr-do-sol e garras afiadas. O tamanho dele não era nada comparado ao do “Genesis Dragon” que mais tarde seria chamado de Ouma.
— …É até aqui que você vai?
O dragão cor de pôr-do-sol murmura quietamente. A voz dele soava meio vazia.
— Tenho observado esse mundo com ele por muitos anos, mas… nada mudou. A humanidade é só corrupta.
Sem querer que ninguém ouvisse, o dragão continua num tom pragmático.
— A humanidade é o que causa o dano. Eles reivindicam esse planeta como próprio e lutam entre si. Não conseguiram quebrar a corrente negativa de continuidade que criaram…!
Os olhos do dragão brilharam de fúria.
— Eles são o motivo pelo qual esse planeta tá fora de equilíbrio! Pra fazer desse planeta um lugar pacífico, a humanidade tem que perecer!
A voz, cuspida com fúria, sacudiu o vale. Ouvindo a voz do dragão, até as outras espécies de dragão, que normalmente lutam por território, engasgaram de medo.
— Eu… tenho que destruir a humanidade pelo bem desse mundo, a Argena! Mas…
O dragão pareceu detestável enquanto pausava na fala dele.
— …Não consigo derrotá-lo agora. Mesmo se eu me juntasse ao “Evil,” seria impossível. Então…
Então, uma aura estranha, diferente do poder mágico, se ergue do corpo do dragão.
Encarando aquela aura calmamente, o dragão murmurou quietamente.
— Hmmm… esse é o poder daqueles que vivem na dimensão superior…?
A aura não era o poder desse planeta, nem era o poder do “Holy” ou “Evil,” como o Yuuya conhecia.
— É uma pena estragar a festa, mas… também é uma forma certeira de salvar o planeta.
O dragão quietamente acendeu a ambição dele e disse a si mesmo.
— Mais… tenho que familiarizar meu corpo com esse poder… e vou ter certeza de fazer [O Sábio]──!
Pelo bem da própria ambição dele, o dragão gigante continuou a acumular força no [Dragon Valley] em preparação pro tempo que viria.
***
Então, longe no futuro na era em que o Yuuya e os outros vivem.
— Então esse é o [Great Devil’s Nest]…
O homem, o fundador do culto do Evil, tava encarando a floresta se espalhando na frente dele. Atrás dele, tem uma fileira de seguidores do culto do Evil que o acompanham.
O motivo pelo qual tinham visitado o [Great Devil’s Nest] era procurar o Yuuya, que se dizia estar morando aqui.
Mas…
— Nu…
Diante do [Great Devil’s Nest], o fundador foi incapaz de dar o primeiro passo.
Tinha uma presença poderosa pairando do [Great Devil’s Nest].
— Fundador! Por que você tá parado? O inimigo agora tá ao nosso alcance!
— Isso mesmo! Vamos, vamos indo!
— E-ei!
Alguns crentes, ficando impacientes com um fundador desses, entram no [Great Devil’s Nest] sem hesitação.
Imediatamente depois, o fundador tentou pará-los, mas… isso não teve sucesso.
— Kah──.
— …Eh?
Foi só um momento.
No momento em que ele entrou no [Great Devil’s Nest], a parte superior do corpo de um dos crentes desapareceu.
Sangue jorrou violentamente da metade inferior restante do corpo dele, e desabou sem vida como estava.
Sem saber o que tinha acontecido, a morte do companheiro fez o crente, que também tinha entrado na terra, parar.
— Ei! Fujam rápido!
O fundador gritou freneticamente, mas os pensamentos dele foram em vão enquanto o corpo de outro crente desapareceu mais uma vez.
Os crentes, finalmente percebendo que tinham entrado num lugar terrível ali, gritaram.
— U-uwaaaaahhh!
— N-não! Não quero morrer──
──A partir dali, foi carnificina.
Os crentes, que não deram ouvidos ao aviso do fundador e entraram no [Great Devil’s Nest], morreram sem entender o que tava acontecendo.
— O-o que aconteceu…?
Um dos crentes, que tinha acabado de testemunhar a cena onde os amigos dele foram mortos num instante, murmurou pra si mesmo como se tentasse espremer isso.
Então, o fundador, com uma expressão severa no rosto, apontou o dedo.
— …É isso.
— Eh?
O fundador apontou pra uma árvore aparentemente comum.
No entanto, eles perceberam que as vinhas penduradas dos galhos da árvore estavam manchadas de vermelho-negro.
— É uma [Assassin Tree]… um monstro classe A.
— U-um monstro desses…
— …Os monstros que habitavam esse lugar nunca deixam o [Great Devil’s Nest]. Isso é porque o [Great Devil’s Nest] é um lugar ideal pra monstros, uma terra cheia de poder mágico. No entanto, viver numa terra ideal assim requer força. Como resultado, os monstros aqui evoluíram do próprio jeito único deles, minimizando os apetites e desejos sexuais, e ao invés disso aprimorando a ferocidade e o desejo de lutar. E aquela [Assassin Tree] também evoluiu pra se adequar a essa terra. A única graça salvadora é que são poucos em número, mas todos os monstros que perderam nessa corrida pela sobrevivência nessa terra e fogem vão virar presa dela… Escutem, não esqueçam que o [Great Devil’s Nest] tá tomado por monstros assim.
— Ugh…
Depois da explicação do fundador, os crentes ficam por conta própria.
No entanto──.
— Ó, crentes! Não tenham medo! Pelo bem da ressurreição do nosso Deus, temos que nos voltar pro inimigo divino que jaz à frente! Pelo bem dos nossos irmãos dispersos, temos que avançar! Nosso futuro nos aguarda depois de superarmos essa provação árdua!
A luz nos olhos dos crentes, que tinham ficado deprimidos com a situação, se acendeu mais uma vez.
A luz era meio escura e fanática.
— Vamos, vamos! O inimigo divino, Tenjou Yuuya, tá bem à frente!
— Ooooohhh!
Os membros do culto do Evil ergueram um grito de guerra e finalmente puseram os pés no [Great Devil’s Nest].
***
──Enquanto isso, na Terra naquela época.
Alguns dias tinham se passado desde a batalha feroz no espaço.
Eu… Tenjou Yuuya, depois de uma viagem cheia de coisas, finalmente consegui curtir um feriado.
Na verdade, ainda tem alguns evil beasts restantes pra derrotar no outro mundo, mas a Iris-san e os outros me ordenaram descansar antes de se despedirem. Achei que seria melhor ajudar a derrotar os evil beasts, mas o Odis-san também expressou o desejo dele de compensar pela incapacidade dele de participar da luta contra o Avis.
Ainda assim… diferente das férias de verão anteriores, tinha realmente tanta coisa acontecendo dessa vez que não parecia realmente umas férias…
As únicas memórias que tenho das férias de verão foram de ir pra praia com a Kaori e os outros e ir pro festival de verão com a Miu-san. Não, também levei a Lexia-san e os outros pra fazer turismo pela Terra, será que isso conta como ter se divertido também…?
Não me senti realmente de férias, mas fiquei realmente feliz de conseguir brincar com meus amigos, diferente de antes.
Então, como se pra aliviar a fadiga do passado, tava relaxando pela casa com o Night e os outros.
— As férias de verão vão acabar daqui a pouco.
— Woof?
O Night torceu a cabeça curioso diante do meu monólogo.
Faltava menos de uma semana pro fim das férias de verão, mas eu tinha terminado a lição de casa assim que as férias começaram, então não tinha necessidade de correr pra fazer nada.
No entanto, deveria me preparar pra não entrar em pânico no primeiro dia de aula…
— Ah! Certo!
— Fugo!
— Pi?
Lembrei de algo e de repente ergo a voz, e o Akatsuki, que tava deitado ao meu lado, pula surpreso e me dá um olhar repreensivo.
— S-sinto muito.
— Você tá fazendo barulho demais. Que diabos tá errado com você?
Enquanto eu me desculpava com o Akatsuki e os outros, o Ouma-san, que também tava dormindo, me perguntou isso com um suspiro de ausência.
— Bem, as férias de verão tão quase acabando, e pensei que devia ir chamar a Kagurazaka-san, que ainda tá no outro mundo…
Sim, preciso chamar a Kagurazaka-san, que ainda permanece no outro mundo.
Quer dizer, negligenciei fazer isso até agora por causa do meu senso das coisas, mas… t-tá tudo bem? Cada escola pode ter uma data diferente pro fim das férias de verão ou algo assim…
— O-o que eu faço? N-não, tenho que contar a ela de qualquer jeito antes de me preocupar com isso!
— Hmph, então você vai pro outro mundo hoje?
— Woof!
— Fugo.
— Pi!
O Night e os outros se levantam assim que eu falo e ficam prontos pra ir em direção ao outro mundo.
Devia ter dito algumas palavras à Yuti, mas ela não tava lá, já que tava visitando a casa de uma amiga da escola. Fico aliviado de ver que ela parece estar se adaptando bem à escola dela.
— Por enquanto, vamos pro Regal Kingdom onde a Kagurazaka-san tá!
Passei pela [Door To Another World] e viajei pro Regal Kingdom por magia de teletransporte.
***
— Agora que tamos aqui, o que devíamos fazer?
Chegamos em segurança no Regal Kingdom, mas quando se tratava de encontrar a Kagurazaka-san, fiquei preocupado com o meio.
Já que ela era tratada como uma convidada importante no Regal Kingdom, sabia que ela estaria no castelo real, mas não sabia se conseguiria ir diretamente até o castelo ou não.
Da última vez eu tava com a Lexia-san e os outros, então não teve problema, mas dessa vez eu tava por conta própria.
Já que não tinha ninguém pra garantir meu status, fiquei imaginando se conseguiria entrar no castelo real facilmente…
Espero que um dos soldados se lembre de mim, mas como esperado…
Enquanto eu pensava sobre isso, o Ouma-san olhou pra mim consternado.
— O quê, você não pensou em nada?
— Ugh…
— Ah bem. Você não precisa se preocupar tanto assim com isso. Se alguém tentar interferir, vamos só forçar nossa entrada.
— Não podemos fazer isso!
Isso pode ser verdade se é assim que o Ouma-san percebe isso, mas como eu disse, não consigo fazer uma coisa dessas.
Enquanto vagava perto do castelo, pensando seriamente sobre o que devia fazer, fui inesperadamente abordado por uma voz.
— …Você, o que tá fazendo?
— Eh? …Kagurazaka-san!
A voz era, pra minha surpresa, a Kagurazaka-san, quem eu tinha estado procurando.
Fiquei surpreso porque não esperava vê-la tão de repente, e então, a Kagurazaka-san continuou com um ar de decepção.
— Se você continuar vagando por aí assim, as pessoas vão achar que você é suspeito, sabia?
— Ah…
Eu tava com tanta pressa e não tinha feito preparativo nenhum que certamente era uma pessoa suspeita aos olhos dos outros. Realmente devia ter decidido o que fazer melhor com antecedência…
— Bem, tá bom. Então, qual é o problema?
— Ah, um… as férias de verão tão prestes a acabar pra minha escola, e pensei que a escola da Kagurazaka-san também podia estar começando logo…
— Ah.
A Kagurazaka-san ficou surpresa com minhas palavras como se tivesse esquecido completamente da escola.
— T-tinha esquecido disso… Tava ocupada derrotando evil beasts recentemente… mas também me causaria muitos problemas se eu continuasse ficando aqui…
A Kagurazaka-san começou a pensar sobre algo no lugar mas então virou a atenção de volta pra mim.
— …De qualquer forma, entendo. As férias de verão acabaram, então por que você não faz turismo nesse país pela última vez? Vou te mostrar por aí, tá?
— Eh, você não se importa?
De fato, eu não tinha feito um único passeio turístico apropriado durante minha visita a esse Regal Kingdom.
Felizmente, encontrei a Kagurazaka-san aqui, e tudo que tinha que fazer era falar com o Orghis-sama sobre ela, então tinha tempo.
Então, mesmo pra mim, fazer turismo é um sonho…
— Sem problema. Também queria dar uma última olhada.
— B-bem, então… por favor.
Assim, recebi um tour guiado pelo Regal Kingdom pela Kagurazaka-san.
Quando comecei a olhar ao redor da cidade, descobri que ainda não tinha se recuperado do dano causado pelo ataque do Avis e do Quarro e ainda tava no processo de reconstrução.
No entanto, mesmo numa situação dessas, o povo desse país tá trabalhando vigorosamente e energeticamente.
— Bem-vindos, bem-vindos! Conseguimos uma carne boa hoje!
— Que tal alguns dos nossos produtos como lembrança?
— É tão animado…
— Né? Quando eu morava aqui, a primeira coisa que percebi foi que todo mundo era mais energético que os da Terra. E… olha ali.
— Ah!
Olhei pra onde a Kagurazaka-san apontou, e lá vi pessoas manipulando magia pra construir casas.
— Esse país é tão intimamente relacionado à magia e à vida que é chamado de país mágico, então é interessante ver magia sendo usada em vários lugares, né?
— Entendi…
Como a Kagurazaka-san disse, quando olhei conscientemente ao redor, descobri que as pessoas usavam magia na vida diária delas de forma bem natural.
Acho que as pessoas no Kingdom of Alceria usam magia na vida diária delas do mesmo jeito, mas as pessoas aqui parecem estar usando magia de forma ainda mais eficaz que isso.
— Aquele ali não é particularmente incrível?
— Oh!
Lá vi um homem flutuando várias bolas de água com peixes nadando nelas.
— Esse parece ser o mercado de peixe mais fresco do país. Eles magicamente transformam a água num aquário pra trazer os peixes.
— I-incrível…
A magia do dono da loja de peixes era incrível, mas a figura tipo dona de casa que comprou o peixe ali também levitou magicamente uma pequena bola de água e colocou o peixe que comprou nela pra levar pra casa.
— Ouvi da Princesa Layla que tem muita magia original nesse país que tá intimamente relacionada à vida diária.
— Magia Original…?
Segundo o conhecimento do Sábio-san, magia não requer conjuração nem atributos contanto que tenha uma imagem, mas pela minha conversa anterior com a Layla-sama, deve ter muita magia que foi criada como magia única, com algumas restrições.
Dito isso, algumas pessoas não conseguem usar o atributo água, e como a dona de casa que mencionei antes, algumas pessoas devem não conseguir comprar peixe vivo e levar pra casa.
Bem, pelo jeito, pode até ter entregadores que usam magia.
Também conseguimos comer outras refeições únicas desse país numa barraca de comida e ter a Kagurazaka-san nos mostrando ao redor da cidade de várias formas.
Então…
— Oya, não é a Santa-sama! Eh… aquele homem bonito, será que ele é o amante da Santa-sama?
— Não, não é!

— Santa-sama! Conseguimos alguns vivos hoje se você quiser comprar!
— Vou voltar mais tarde pra comprar mais.
Pessoas na cidade que tinham percebido a Kagurazaka-san se aproximaram dela uma atrás da outra.
— Kagurazaka-san, você é muito popular.
— Bem… realmente aprecio isso. Não tinha certeza de como ia ser no início, mas as pessoas desse país têm sido tão gentis comigo.
Aparentemente, ela tem um bom relacionamento com o povo do Regal Kingdom, o que foi um alívio pra mim também.
***
Depois de um pouco de turismo, já tá quase na hora de ir, então decidimos nos dirigir ao castelo.
— Pensando bem, não tinha nenhum compromisso específico pra uma visita nem nada, mas tá tudo bem…?
— Bem, normalmente seria impossível, mas felizmente, esse país me trata muito bem, e o Orghis-sama disse que tava tudo bem falar com ele sem hesitação. Além disso, avisei a ele com antecedência que eu ia voltar pro nosso mundo… e de qualquer jeito, ainda vou relatar ao Orghis-sama, então por favor só vem comigo.
Segui a Kagurazaka-san até o castelo real por enquanto, e como a Kagurazaka-san tinha dito, o tratamento foi muito bom, e logo conseguimos nos encontrar com o Orghis-sama.
Depois de esperar um pouco no que parecia uma sala de recepção, o Orghis-sama chegou.
— Peço desculpas por fazê-los esperar. E Yuuya-dono, faz um tempo. E todos os seus amigos também…
— Hmph.
— S-sim! Sinto muito, não pretendia incomodá-lo do nada…
— O quê? Não se preocupa com isso. O Yuuya-dono é um benfeitor do nosso país, afinal.
O Orghis-sama sorri alegremente enquanto diz isso.
É verdade que respondi ao ataque do Quarro e do Avis, mas quando você até me chama de benfeitor, sinto algo indescritível…
— Falando nisso, a Lexia-san e os outros…
— Ah, eles já voltaram pro Kingdom of Alceria. Graças ao “Holy” incluindo a Mai-dono e a Iris-dono, o dano causado pelos evil beasts tem diminuído ultimamente. Depois de trocar várias informações, eles voltaram pro país deles.
— Entendi…
Enquanto eu descansava depois de voltar do espaço, a Iris-san e os outros estavam trabalhando duro no outro mundo… Embora a Iris-san e o Mestre Usagi tenham me dito que eu podia descansar, me sinto mal por não ter feito nada até agora.
Depois de um pouco de conversa fiada, o Orghis-sama perguntou.
— Então, o que traz vocês aqui?
— Sinto muito, Vossa Majestade. Posso pedir um momento do seu tempo?
— Mm?
As palavras da Kagurazaka-san assustaram o Orghis-sama.
— Desde o início, a Mai-dono tem nos ajudado por causa do nosso egoísmo. É por isso que não temos o direito de dizer nada à Mai-dono. E graças ao Yuuya-dono, o rei “Evil” foi derrotado, então não tem nada que queremos que a Mai-dono faça agora mesmo. O que exatamente você vai fazer com seu tempo livre?
— Bem, tava me perguntando se poderia voltar pro meu mundo por um tempo…
— O quê? Ah, sim… ouvi que o Yuuya-dono consegue ir e voltar entre os mundos…
— S-sim. Consigo ir e vir. Então, a Kagurazaka-san e eu podemos continuar nossas vidas no nosso mundo original…
Parece que o Orghis-sama já sabe que consigo ir e vir livremente entre esse mundo e a Terra, além do fato de eu ser de outro mundo. Fico pensando se a Lexia-san ou a Kagurazaka-san ensinaram isso a ele?
— Entendo a situação. Como disse antes, invoquei a Mai-dono pelos nossos próprios motivos. Contanto que ela consiga voltar pro mundo dela, não tem problema. O assunto do evil beast se acalmou.
— Sinto muito…
— Não precisa se desculpar. Somos nós que sentimos muito por trazer duas pessoas não relacionadas pra essa confusão. Já que você tá com o Yuuya-dono, tenho certeza que vai ficar tudo bem, mas por favor tenham cuidado na jornada de vocês.
— Obrigada!
Depois de conseguir aprovação pra Kagurazaka-san voltar pra Terra por enquanto, eu tava dando um suspiro de alívio quando o Orghis-sama mostrou sinal de lembrar de algo.
— Certo! Tinha uma coisa pra contar ao Yuuya-dono.
— Eh?
— Você já ouviu falar do culto do Evil, Yuuya-dono?
— Culto do Evil… é? Nunca tinha ouvido falar disso antes.
Enquanto torcia a cabeça diante da palavra desconhecida, o Orghis-sama continuou.
— Pra colocar simplesmente, é uma religião que acredita no “Evil,” mas algumas atividades suspeitas estão acontecendo entre os seguidores dela. Não tem nada sério acontecendo, mas gostaria que você tivesse isso em mente.
— E-entendo.
Não sabia que existiam pessoas que acreditavam no “Evil”…
Não sei o que eles tão pensando, mas espero que não acabe sendo perturbador demais.
Depois que terminamos de conversar pensando sobre isso, a Kagurazaka-san e eu cumprimentamos o Orghis-sama mais uma vez e deixamos a capital real do Regal Kingdom.
Depois de andar um pouco fora da cidade, a Kagurazaka-san abriu a boca.
— Então, quanto tempo leva pra chegar na sua casa daqui?
— Ah, não vai demorar muito já que vamos voltar pra casa por magia.
— Por magia?
Enquanto a Kagurazaka-san, que não sabia da existência de magia de teletransporte, ficava surpresa, confirmei que não tinha sinal de pessoas ao nosso redor no início, então ativei a magia de teletransporte e voltei pra casa do Sábio-san.
Então passamos pela porta e voltamos pra Terra.
— Sim, voltamos.
— R-realmente só levou um momento…
— Bem, agradeceria se você conseguisse manter a magia de teletransporte em segredo.
— Eh? Por quê?
— Parece que a magia de teletransporte é considerada lendária não só na Terra mas também no outro mundo, e tem muitos problemas se eu conseguir usar isso…
— Não, sua própria existência já é ultrajante, então por que você se importa com as lendas agora?
B-bem, isso pode ser verdade, mas é melhor ser cauteloso.
— Bem, tá tudo bem. Se é esse o caso, vou manter minha boca fechada. É melhor eu me apressar pra casa e me preparar pra escola…
— Ah, com licença! Devo te teletransportar direto pra frente do santuário…?
— Você não precisa ir tão longe assim. Quero fazer umas compras no caminho pra casa… De qualquer forma, muito obrigada por sempre olhar por mim.
Depois de dizer isso, a Kagurazaka-san foi direto de volta em direção ao santuário que era a casa dela.