Epílogo
Enquanto o Yuuya e os outros lutavam com o Fist Saint, a Lexia visitava o Reino Regal vizinho a negócios oficiais. O Regal Kingdom e o Kingdom of Alceria vinham construindo uma relação amigável há muitos anos. A Lexia, que era popular entre os membros da família real, foi nomeada embaixadora pra intercâmbio regular.
Normalmente, o Owen estaria presente como guarda da Lexia. Mas com a Luna, que também era uma guarda forte, o Owen agora conseguia ficar pra trás guardando o Arnold, o Rei.
As duas chegaram em segurança na capital do Regal Kingdom. Foram imediatamente conduzidas a uma sala nobre pra se encontrar com o Royle, o Primeiro-Ministro do Regal, e o Orghis, o Rei.
— Bem, bem… você tá tão bonita quanto sempre, Lexia-sama.
— Ara, obrigada.
A Luna tava parada atrás, observando enquanto a Lexia sorria pro Royle e pro Orghis por suas palavras.
(…Nossa, que lobo em pele de cordeiro descarado. Quem é essa pessoa?)
A Luna olhou pra Lexia, que sorria e mantinha uma conversa amável, com um olhar abobalhado. A Luna sabia que a Lexia de verdade não era tão elegante assim, já que foi designada como guarda-costas da Lexia.
(Mas, se ela não consegue alternar entre público e privado desse jeito, ela pode não conseguir servir como membro da família real…)
Enquanto a Luna observava a conversa entre a Lexia e os outros com esses pensamentos em mente, o Orghis abriu a boca como se tivesse se lembrado de algo.
— Aah, pensando bem… ouvi dizer que teve um probleminha no Kingdom of Alceria…
— O que é?
— Não, nada. É só um boato, mas parece que o primeiro príncipe, o Rhaegar, cometeu traição…
O Orghis disse isso, mas os olhos dele pareciam ter confirmado que o boato era verdade.
(Ah bem… realeza é um saco tremendo… investigando a mente de alguém em detalhes. Mesmo sendo um país amigável, eles vão te devorar se você mostrar a menor abertura… se você não tomar cuidado, eles são até mais assustadores que a Dark Guild.)
Como a Luna suspeitava, embora o Regal Kingdom e o Kingdom of Alceria estivessem em termos amigáveis, também tinham muitos problemas que enfrentavam por serem vizinhos, como disputas territoriais.
Por isso, se mostrassem até uma pequena brecha, o Regal Kingdom ia explorar isso, e podiam ficar em desvantagem.
(A tentativa de assassinato do rei pelo primeiro príncipe foi suprimida na superfície por ordens secretas do rei, mas mesmo isso não é perfeito. Embora o Rei e o primeiro príncipe tenham se reconciliado agora, ainda existe a possibilidade de outros países se aproveitarem do primeiro príncipe e o encorajarem a se rebelar. Não tem garantia que o Regal Kingdom não estaria interessado. A gente não devia ser tão descuidada.)
Enquanto a Luna analisava isso quietamente, a Lexia sorriu tranquilamente.
— Ara, você sabe muito, não sabe?
— Hmm!?
— …Hou?
Os olhos da Luna se arregalaram de surpresa ao perceber que a Lexia não tava escondendo o incidente.
(Lexia, o que você tá pensando? Por que você mostraria uma abertura dessas pro outro lado…?)
Enquanto a Luna observava perplexa, a Lexia continuou sem hesitar.
— Só que meu irmão… Sua Alteza Rhaegar se reconciliou completamente com Sua Majestade. Não tem mais nenhuma chance de Sua Alteza cometer traição.
— Mas isso não muda o fato de que ele se rebelou. Isso significa que ele tava insatisfeito com o Rei de Alceria, não significa?
— Claro que não; eles são pai e filho. Foi só uma pequena briga entre pai e filho.
— Você chama uma tentativa de assassinato do rei de briga de pai e filho?
— Ara, que tipo de assassinato é esse? Sua Majestade ainda tá vivo, e Sua Alteza tá bem. Além disso, por causa dessa briga, o vínculo entre os dois agora é mais forte do que nunca.
O Royle ficou horrorizado enquanto a Lexia permanecia imperturbável até certo ponto, mas o Orghis riu alto, mudando sua expressão séria.
— Hahahahahaha! Você com certeza é uma garota extraordinária por levar isso tão positivamente assim!
— Fico feliz de ouvir que você tá se divertindo.
— É, eu também fiquei satisfeito. Se você mostrasse qualquer fraqueza, eu ia espremer o máximo que pudesse de você… Não pensei que você fosse considerar isso uma vantagem em vez de uma fraqueza!
O Orghis riu e então olhou pra Lexia de novo.
— Então, agora é a hora. Tem outra coisa que me interessou, e eu gostaria de ouvir sobre isso de você também.
— Uma coisa que te interessou…?
— Sim. No Kingdom of Alceria, tem um vale onde se diz que o dragão legendário descansa, certo?
— Sim.
— É verdade que o dito dragão legendário despertou…?
— ““!?””
A Lexia e a Luna ainda não sabiam da informação que o Orghis tinha acabado de revelar.
— Parece que você também não sabia disso.
— S-sim. A história é verdade? O dragão legendário não é só um mito?
— Bem, acho que essa é a resposta certa…
— Você não sentiu um tremor tremendo no caminho pra cá, Lexia-sama? Foi como se o chão inteiro tremesse…
— Pensando bem…
Quando o dragão legendário, o Ouma, acordou, a Lexia, que já tinha deixado a capital real, lembrou que tinha sentido um tremor tremendo no caminho. No final, porém, nada aconteceu depois disso, então ela concluiu que foi só um fenômeno temporário.
— O tremor do chão é dito ser o rugido do dragão legendário.
— É-é assim? Mas acho que tem uma grande distância entre o Regal Kingdom e aquele vale de conto de fadas…
— Bem, já que é um dragão legendário, não é surpresa que tenha um rugido que faz essa distância parecer insignificante. Afinal, ele tá vivo desde o início dos tempos.
O Orghis assentiu como se suas próprias palavras o convencessem, e sua expressão ficou séria de novo.
— Mas o problema não é que o dragão legendário despertou.
— Eh?
— É o fato de que alguém do seu país pode ter domado o dragão que é o problema.
— Eeh? De jeito nenhum!
A Lexia respondeu involuntariamente às palavras do Orghis.
Só que nem o Orghis nem o Royle a culparam por isso. É porque foi tão chocante.
— Quem diabos é essa pessoa?
— Não, é exatamente isso que eu quero te perguntar… Um homem misterioso de cabelo preto e olhos pretos foi investigar, e quando voltou, tinha um dragão pequeno ao lado dele. O rugido do dragão foi tão alto que sacudiu a terra, e acho que o dragão era enorme, mas depois de voltar do vale, ele conseguiu aquele dragão… Tenho certeza que o dragão pequeno tinha algo a ver com isso.
— Talvez, de alguma forma, ele tenha feito o dragão legendário ficar menor. Isso pode ser raro, mas dizem que você consegue uma pílula que permite mudar o tamanho do corpo livremente a partir do Fantasy Rabbit.
— ““…..””
A Lexia e a Luna naturalmente se entreolharam com as palavras do Orghis e do Royle.
— É o Yuuya-sama, né?
— Isso tem que ser o Yuuya!
— Yuuya?
— ““Ah.””
Ela disse o nome do Yuuya sem querer e apressadamente tapou a boca com a mão, mas já era tarde demais. O Orghis sorriu abertamente e perguntou à Lexia.
— Parece que você conhece o homem, não conhece, Lexia-dono?
— Argh, isso…
— Então, por que você não nos diz quem ele é?
A Lexia hesitou no início diante dos olhares direcionados a ela tanto pelo Royle quanto pelo Orghis, mas assim que percebeu alguma coisa, voltou ao estado normal.
E então──.
— Certo, se vocês querem saber tanto assim, eu conto── sobre o homem que vai ser meu marido!
— O quê, Lexia?
A Luna entrou em pânico com a declaração confiante da Lexia.
— Ei, Lexia! Você…
— O quê, você tem algum problema com isso?
— Não tenho escolha a não ser reclamar!
— Não tá tudo bem? É só uma questão de tempo!
— Esse não é o ponto…!
Já que a Lexia e a Luna começaram a discutir de repente, o Orghis, negligenciado, só conseguia assistir maravilhado.

Então o Orghis voltou a si e limpou a garganta.
— Ahem! Ah… umm, vocês terminaram?
— Ha! Sinto muito… por negligenciar vocês dois; fiquei um pouco exaltada.
— Bem, tanto faz. Parece que o Kingdom of Alceria foi abençoado com muita gente boa num curto espaço de tempo. No início fiquei surpreso que o Owen não tava aqui, mas… a mulher ali parece ser terrivelmente habilidosa também.
— Sim, a Luna é forte, sabia? Né, Luna?
— …Hmpf.
A Luna só riu debochada quando foi pedida de repente pra falar.
Enquanto o Orghis ria com aquela cena, ele deu um olhar afiado que a Lexia e os outros não perceberam por um momento.
— Bem, tenho inveja de você. Mas nosso país não fica pra trás, sabia?
— Hã? O que você quer dizer?
A Lexia inclinou a cabeça curiosa, e o Orghis sorriu triunfante.
— Além disso, nosso país conseguiu receber o Sword Saint.
— ““Eeeh!?””
Assim como o dragão legendário, o Ouma, as existências que carregavam o nome “Holy” eram como um conto de fadas pra Lexia e os outros. O fato de conseguirem receber uma existência dessas não era diferente de adquirir uma força tremenda.
— Então, tô pensando em fazê-los competir na nossa frente no próximo festival nacional do nosso país.
— Esse ano é o centenário da fundação do Regal Kingdom, né?
— Sim.
A Lexia já não usava mais linguagem educada, mas o Orghis continuou sem parecer se importar com isso.
— Claro, estamos planejando convidar o Kingdom of Alceria como convidado de honra… mas se você quiser, dá pra fazer disso um prelúdio pra uma partida entre nosso Sword Saint e esse Yuuya de vocês.
— Eh!?
— É, eu não quero forçar você. É uma questão de prestígio nacional. Seria demais pra ele enfrentar o Sword Saint, não seria?
— O que você disse?
— Mm? Eu disse algo estranho? Esse é o “Sword Saint”, afinal. Você devia saber o resultado, não devia?
— Você tá dizendo que o Yuuya-sama vai perder?
— E-ei, Lexia…? Você não precisa…
— Luna, cala a boca!
A Luna, que sentiu que a situação tinha ficado desagradável, a chamou, mas a Lexia se recusou a parar.
— Tá tudo bem, se você diz isso, então vamos fazer isso! O Yuuya-sama é definitivamente mais forte que o “Sword Saint” de vocês!
No momento em que a Lexia disse isso, o Orghis ergueu o canto da boca como se a tivesse encurralado.
— É assim? Então, você vai cooperar com a partida? Bem, bem, fico feliz.
— Claro! Não posso ficar quieta agora que você disse isso!
— Ah, droga! Não sei mais o que fazer!
O propósito do Orghis era investigar a existência misteriosa do Yuuya, mas a Lexia, que não sabia disso, foi provocada pelas palavras do Orghis.
───Assim, mais uma vez, o Yuuya se envolveu em outro grande evento num lugar desconhecido.