Epílogo
O tempo volta um pouco. Durante o período em que o Yuuya conhecia o Ciel depois de ter derrotado um bando de Evil Beasts, a Lexia e os outros que ficaram no Regal Kingdom estavam tendo uma conversa com o Orghis.
— ──Ele nos salvou de novo…
— Que tal? Meu marido não é incrível!?
— Desde quando o Yuuya virou marido da Lexia…?
Por algum motivo, a Lexia estufou o peito com confiança enquanto o Yuuya era elogiado. A Luna não conseguiu evitar sorrir e rebater diante da visão dela.
No entanto, o Orghis não pareceu se importar com uma Lexia dessas e colocou uma expressão complicada.
— O que diabos ele é? Ouvi que ele é discípulo do Kicking Saint, mas também ouvi da Sword Saint que ele não é o sucessor oficial. Além disso, parece que até a Sword Saint acolheu o Yuuya-dono como discípulo dela… e além de tudo isso, ele é mestre do Genesis Dragon; não sei mais o que tá acontecendo…
— Claro, ele é meu marido, afinal!
— Isso não é resposta pra nada! E quantas vezes eu tenho que te dizer que ele não é seu marido!
— O quê, Luna? Só admite!
— Quer dizer, é só que tá tão ruim…!
A Luna só conseguia segurar a cabeça enquanto as palavras da Lexia eram tão inocentes. O próprio Orghis não esperava uma resposta decente, então não deu atenção nenhuma a isso.
Então um soldado veio e sussurrou algo pro Orghis.
— Ah, entendi. Então deixa ela passar aqui.
— Ha!
Depois de receber a ordem, o soldado saiu, e o Orghis se virou pra Lexia e os outros.
— O Yuuya-dono foi embora, mas agora é uma boa hora. Gostaria que vocês conhecessem a santa que invocamos.
Em resposta às palavras do Orghis, a Lexia assentiu com uma expressão séria, o que era uma mudança completa da atmosfera descontraída de antes.
— …Sim, entendi. Além disso, eu gostaria de ajudá-la também.
— …Obrigado.
Quanto à Lexia, ela ainda estava chateada com o fato do Orghis ter invocado uma santa de outro mundo.
No entanto, com o quão incapazes o Holy estavam de fazer qualquer coisa contra o ataque do Avis mais cedo, ela conseguia entender o que o Orghis estava pensando. No entanto, invocar uma santa de outro mundo ainda era como sequestro, o que era imperdoável, e a Lexia queria ajudar a santa o máximo que pudesse.
Então, a Kagurazaka Mai apareceu na sala do Orghis e dos outros, parecendo meio assustada.
— U-um… ouvi que vocês queriam me ver, então vim…
— Ah, Santa-dono! Sinto muito, já que você acabou de terminar uma batalha e tá cansada. Tem alguém que gostaria de apresentar a você.
— Oh…
O Orghis apresentou a Lexia.
— Essa é a primeira princesa do Kingdom of Alceria, que tem relações amigáveis com o Regal Kingdom. Princesa Lexia.
— Meu nome é Lexia von Alceria. Sinto muito por fazer o pedido perigoso de derrotar o Evil pra você… que originalmente não tem nada a ver com esse mundo.
A Lexia disse isso, e curvou a cabeça em direção à Mai. A Mai entrou em pânico diante disso.
— P-por favor levanta a cabeça! Eu realmente fiquei confusa com muitas coisas no início, e pra ser sincera, ainda tô confusa agora, mas as pessoas desse país têm sido muito boas comigo. Além disso, se você diz que precisa da minha ajuda, gostaria de ajudar todos vocês o máximo que eu puder.
— …Obrigada do fundo do coração, Santa-sama.
A Mai permaneceu hesitante enquanto a Lexia baixava a cabeça de novo.
— N-não é necessário me chamar de santa… Ah, desculpa! Não te disse meu nome. Eu sou a Kagurazaka Mai.
— Eh?
Quando a Lexia ouviu as palavras da Mai, os olhos dela se arregalaram. É o mesmo com a Luna, que tem uma expressão de surpresa no rosto.
A Mai inclinou a cabeça diante da visão das duas.
— U-um, o que aconteceu…?
— Ah, desculpa. Seu nome tem uma vibe parecida com a de alguém que conheço… E quando olhei mais de perto, percebi que você tem a cor do cabelo e dos olhos parecida também…
— Você quer dizer o Tenjou Yuuya, por acaso?
— Você conhece o Yuuya-sama?
A Lexia ficou surpresa com as palavras da Mai. O Orghis, que observava a troca, de repente murmurou.
— Se você me perguntar… o Yuuya-dono e a Santa-dono… realmente têm uma atmosfera meio parecida…
— Ah, sim. É porque somos da mesma cidade natal.
— Eh?
Todo mundo na sala congelou quando ouviu as palavras da Mai, que ela disse casualmente.
──Sem o conhecimento do Yuuya, o segredo dele finalmente foi exposto.
***
— …Que dia louco, hein?
— Concordo. Foi surpreendente e exaustivo.
Enquanto voltávamos pra minha casa na Terra, não consegui evitar pensar nos eventos do dia e dizer esse tipo de coisa. No meu caso, meu corpo e mente estavam completamente exaustos.
— Bem quando achei que finalmente tinha conseguido derrotar o Mestre Usagi, a pessoa contra quem eu devia usar meu poder já se foi.
— Espantada. O Ciel, ele era tão forte. Será essa a habilidade [Hades Return March]?
— Parece que sim. O Ouma-san não parece saber os detalhes, mas pelo que vi, parece que toda vez que ele sofre dano, ele se recupera, e toda vez que se recupera, fica mais forte…
— …Irregularidade. É forte demais e é um pesadelo pro oponente.
— Isso é certeza.
A Yuti tinha razão; vai ser nada além de um pesadelo pra quem tiver lutando contra isso. Além do fato dele conseguir curar instantaneamente depois de um ataque, ele também fica fortalecido toda vez que se cura. É mais aterrorizante que zumbis.
— Bem, tanto faz. Agora que a batalha contra o Evil finalmente chegou ao fim, podemos relaxar nesse mundo daqui pra frente──.
Bem quando eu tava prestes a dizer isso, de repente, a casa inteira começou a tremer.
— O-o que aconteceu?
— Confusa. Não faço ideia.
A Yuti também não pareceu entender a causa, e lutamos pra aguentar o tremor. Não era como um terremoto, mas parecia que o espaço inteiro tava tremendo.
— Woof, woof!
— Fugoo…
— Pii!
— Alguma coisa tá distorcendo o espaço…
Então, o Night e os outros se reuniram ao nosso redor…
— Ouma-san, você sabe o que é esse tremor?
— Não. Não faço ideia. Não seria algum tipo de desastre natural exclusivo dessa Terra?
— Não, não, não! Já teve terremotos, mas eles nunca distorceram o espaço!
Eu ficaria surpreso se tivessem. Aguentamos o tremor por um tempo, mas eventualmente, foi enfraquecendo e finalmente parou completamente.
— A-acabou?
— Talvez. Não acho que vai tremer de novo.
Soltei um suspiro lento enquanto escutava as palavras da Yuti.
— Fiu… o que foi isso tudo──?
— Ah! Yuuya!
— Hã?
A voz da Yuti era afiada, mas dei uma resposta descuidada. Mas, a expressão da Yuti permaneceu sombria, e o olhar dela estava fixo nas minhas costas.
Me virei pra ver se tinha alguma coisa atrás de mim e vi…
— Hã?
Por algum motivo, tinha um pilar de luz vertendo do teto. No entanto, não parecia ter nenhum buraco no teto. Enquanto eu só encarava o pilar de luz, algo desceu do topo do pilar.
— Q… quem?
— Hou?
O Ouma-san sorriu feliz diante da visão da coisa que desceu, mas eu não tava focado nisso. Porque o que caiu do céu foi uma garota que não parecia nada que eu já tivesse visto nesse mundo, ou mesmo no outro mundo.
Ela parecia ter mais ou menos minha idade, mas tinha cabelo azul brilhante, olhos azuis, e uma luz cintilante que me lembrava o céu estrelado dançava ao redor do corpo dela.
A garota com a luz misteriosa aterrissou quietamente no chão da minha casa e olhou ao redor pra nós.
Finalmente, ela abriu a boca.
(Eu sei que a planta técnica tá aqui. Por favor sejam maduros e entreguem.)
— Hã? Planta técnica?
— Confusa. Yuuya, você entende o que ela tá dizendo?
— Eh? Você não entende ela?
— Afirmativo.
Fiquei surpreso com as palavras da Yuti, mas logo percebi que conseguia entender as palavras da garota graças à minha habilidade [Language Comprehension].
Então a garota, que parecia impaciente com a falta de resposta, abriu a boca de novo.
(Eu aviso. Por favor sejam maduros e entreguem a planta técnica. Senão, vou destruir esse planeta.)
— Hã? Você vai destruir esse planeta?
Levantei a voz espantado diante dessa afirmação inesperada. Mas a garota tinha uma expressão muito séria no rosto.
(Somos de uma civilização muito mais avançada que esse planeta. Não levaria muito esforço pra destruir esse planeta.)
— E-espera! Só quero confirmar uma coisa. Você é uma alienígena…?
Tinha uma ideia vaga do que ela tava falando, mas pedi pra ela confirmar.
(Alienígena… certamente, do ponto de vista das pessoas desse planeta, sim. Opa, tava com tanta pressa que não me apresentei…)
A garota que se afirmava alienígena curvou a cabeça reverentemente ao dizer isso.
(Sou a Merl, do planeta Amel. Por favor me devolva a planta técnica.)
A garota que disse ser do planeta Amel… a Merl-san, levantou a cabeça e falou conosco de novo.
— N-não, não faço ideia do que você tá falando quando pede pra eu devolver a planta técnica, e a que você tá se referindo quando diz isso?
Em resposta à minha pergunta, a Merl-san, por algum motivo, voltou a atenção pra máquina retangular presa ao braço dela.
(…Seus batimentos cardíacos e ondas cerebrais não mostram sinal nenhum de mentira. Tudo bem, vou explicar.)
Parece que a máquina presa na mão dela é pra checar se a outra pessoa tá mentindo ou não. Será que existe uma coisa dessas, um detector de mentiras portátil…?
(É o desejo mais profundo do meu planeta, Amel, ter algo construído a partir da planta técnica que tô procurando.)
— Desejo mais profundo?
(…Você pode não entender já que vive nesse planeta pacífico, mas nesse universo vasto, guerras interestelares trágicas são muito comuns. Uma vez, nosso planeta foi invadido por um certo planeta e esteve em perigo de ser derrotado. Pra combater esses invasores, nosso planeta tem desenvolvido uma arma de aniquilação anti-astronômica.)
Uma arma de aniquilação anti-astronômica? Que nome é esse…?
(No entanto, por causa de um acidente, o design quase foi roubado pelo inimigo, então nossos ancestrais selaram o design num certo objeto e o liberaram na vastidão do espaço pra protegê-lo das mãos dos invasores.)
Honestamente quero fugir agora mesmo dessa história, mas acho que não posso porque a Merl-san tá falando comigo com os olhos fixos em mim. Ah, eu sou só um cidadão comum; por que tô me envolvendo nessa história grandiosa?
(Então… dez mil anos se passaram.)
— Dez mil anos?
É pesado demais! O que ela realmente quer de mim?
(Durante esses 10.000 anos, conseguimos impedir a invasão… Recentemente, uma nova bioarma foi criada no planeta inimigo, e estamos de novo numa situação apertada. Foi quando isso aconteceu. Nessa hora, detectei um sinal desse ponto do planeta de que o selo na planta técnica criada pelos nossos ancestrais estava prestes a ser quebrado.)
— Eh?
(Como disse antes, a arma deixada pelos nossos ancestrais é nossa última esperança, mas se ela cair nas mãos do inimigo, vai rapidamente virar desespero. Se a planta técnica da arma for passada pro outro planeta e for desenvolvida, nosso planeta será destruído. É por isso que nossos ancestrais usaram um certo truque quando selaram a planta técnica. Pra desselar a planta técnica, precisamos usar a força vital de dezenas de milhares de pessoas ou um poder mágico equivalente a dezenas de milhares de pessoas. Não consigo sentir nenhum poder mágico desse planeta, então é possível que tenham preparado a força vital, mas pela aparência, não tem evidência de dezenas de milhares de formas de vida morrendo, então não sei por que a planta técnica foi liberada… mas já que senti que o selo que não devia ter sido quebrado foi quebrado, vim apressada pra recuperá-la. Não podemos deixar isso cair nas mãos do inimigo.)
Quanto mais eu ouço sobre isso, mais perturbador soa, e a escala é tão grande que não consigo acompanhar a imagem.
(É isso que tenho a dizer. Por favor entregue a planta técnica imediatamente.)
— Hmm… Mesmo que você diga isso, não sei como a planta técnica se parece, então não posso devolvê-la pra você… A questão é, será que a Merl-san sabe onde a planta técnica tá guardada nessa casa?
(Consigo sentir as ondas eletromagnéticas da planta técnica que tamos procurando, mas parece ter sido interferida pela presença dos objetos que supostamente estão guardados com ela, as ondas eletromagnéticas, e todas as forças que giram ao redor dela, então não consigo te dizer a localização exata da planta técnica.)
— Hmm?
Não sei muito sobre isso, mas quando penso num lugar assim… o que vem à mente de alguma forma é o depósito.
Muitas coisas incompreensíveis ficam largadas lá dentro, e enquanto o Ouma-san curte aquilo, a Yuti tem medo demais de entrar lá. Parece ter muitas coisas com uma aura ruim. Não entendo muito bem isso, no entanto. Não sei; talvez eu seja só burro.
— A propósito, como a planta técnica se parece?
(A planta técnica em si não é real, já que fica como um holograma, mas tá selada numa caixa de pedra feita de cosmônio, o material mais duro do universo. O tamanho da caixa é mais ou menos do tamanho de um cubo, tipo isso…)
— …Hmm?
— Ah.
Percebi que tinha uma ideia do que a Merl-san tava falando, mas ao mesmo tempo, o Ouma-san de repente levantou a voz.
Quando olhei naquela direção, o Ouma-san tinha um suor frio raro no rosto.
— …Ouma-san? O que foi?
— E-e-e-eu não tô fazendo nada de errado!
O jeito que ele tava abalado era terrível. Pelo contrário, pensei que o Ouma-san, que normalmente não fica atrapalhado, não é muito bom em esconder isso em horas assim.
O Ouma-san definitivamente sabe alguma coisa sobre isso… Enquanto eu pensava isso, o Ouma-san começou a cavar a própria cova, mesmo ninguém estando escutando.
— Q-quando eu tava brincando naquele depósito só pra matar o tempo, não tinha como eu ter batido num objeto misterioso ali com meu poder mágico…
— …Lamentável.
— Woof…
— Fugo…
Ele foi olhado com pena pela Yuti, confusão pelo Night, e consternação pelo Akatsuki.
O único que ficou imperturbável com a situação foi o Ciel, que dormia no meu ombro… Tenho a sensação que esse pequenino é igualzinho ao Akatsuki. Na verdade, ele é muito forte.
Tá tudo bem então…
— Deixa eu ver…
(──Todos vocês parecem saber onde a planta técnica tá. Agora, me digam imediatamente.)
Quando vi a Merl-san dizendo isso com uma expressão séria, quis segurar minha cabeça.
Mesmo tendo acabado de derrotar um Evil perfeito num mundo diferente, mais uma vez fomos pegos em algum tipo de evento espetacular…
Parece que vai demorar bastante até eu conseguir relaxar e descansar.