Prólogo
O Houjou Tsukasa, presidente da “Ousei Academy,” estava trabalhando e revisando vários documentos, quando alguém bateu na porta.
— Entra.
— Com licença.
A pessoa que entrou na sala era a secretária do Tsukasa, que tinha várias cartas nas mãos.
— Essas são as cartas que chegaram hoje. Também tem uma carta da Kasumi-sama.
— Ah, obrigado.
Quando o Tsukasa desviou o olhar dos papéis e pegou as cartas, a secretária continuou com uma sobrancelha levantada.
— E… tem mais uma coisa que quero te contar.
— Hmm?
— Aqui.
— Hmm! Isso é…
A secretária entregou a ele uma folha de papel com palavras de jornal recortadas e coladas nela. Era um bilhete de ameaça pra família Houjou, dizendo pra prepararem dinheiro se não quisessem estar em perigo.
— De novo… quantas você recebeu hoje?
— Mais de dez, eu acho…
— No início, achei que fosse só uma brincadeira maldosa, mas… é difícil ignorar uma coisa dessas. Além disso, tiveram alguns desenvolvimentos perturbadores no exterior recentemente. Outro dia, o presidente de uma empresa estrangeira foi preso por estar conectado ao submundo do crime. Também é possível que alguma organização grande esteja por trás de quem enviou essa carta de ameaça… Desculpa, mas você pode chamar a Kaori?
— Muito bem.
A secretária saiu da sala depois de receber as instruções do Tsukasa, e logo depois, teve outra batida na porta da sala.
Quando o Tsukasa a convidou a entrar, a Kaori entrou.
— Com licença. Me disseram que você queria me ver…
— Eu realmente não queria te preocupar demais, mas queria ter certeza que você tava ciente disso.
— Hmm?
— A verdade é que temos recebido cartas de ameaça direcionadas à nossa família ultimamente. Não só uma vez, mas várias vezes…
— Isso é…
Os olhos da Kaori se arregalaram quando ela ouviu sobre a carta de ameaça pela primeira vez, porque o Tsukasa tinha mantido em segredo pra não preocupar a Kaori. Não importa quão rica a família Houjou fosse, ela nunca pensou que existiria alguém que mandaria uma carta de ameaça pra eles.
Além disso, a Kaori percebeu pelas palavras do Tsukasa que era mais que só uma brincadeira, o que a deixou tensa.
— Um… o que dizia essa carta de ameaça?
— Tá exigindo dinheiro. Diz que se recusarmos, eles vão nos machucar… Honestamente, com a falta de informação, é difícil prever quem são essas pessoas ou onde planejam nos atacar.
— Não pode ser… Então o que eu devo fazer?
— Acho que é melhor não sair, mas isso também é difícil. Por enquanto, acho que vou te dar mais alguns guarda-costas pra te proteger e ver como vai. Mas mesmo assim, tenha muito cuidado quando sair.
— Entendi.
A Kaori assentiu com uma expressão séria diante das palavras do Tsukasa enquanto se lembrava do [Ring of Crisis Avoidance] que o Yuuya tinha dado a ela. Se ela tiver isso, vai conseguir usar magia pra se mover pra uma zona segura que ela configurou com antecedência no momento em que sentir que tá em perigo.
Claro, se o poder desse anel fosse ativado em público, causaria uma comoção enorme na Terra, onde a magia não existia, mas ainda assim, isso não se compara a uma ameaça à vida.
A melhor coisa seria não acontecer nada, no entanto.
O Tsukasa soltou um suspiro, então suavizou o tom e abriu a boca de novo.
— Ah, a propósito, chegou uma carta da Kasumi.
— Eh? Uma carta da Kasumi? Então isso significa…
— É. Ela vai voltar durante essas férias de verão.
— Entendi!
Os olhos da Kaori brilharam diante da notícia animada, o que foi uma mudança completa da discussão anterior. A Kasumi era a irmã mais nova da Kaori e morava no exterior com a mãe, então ela nunca tinha tido a chance de vê-la exceto durante férias longas.
— Agora que sabemos que a Kasumi tá voltando, vai ser difícil pra mãe?
— Sim, acho que sim. Li na carta dela que sua mãe não vai conseguir voltar durante essas férias de verão.
— É assim…? Mas tô ansiosa pelo retorno da Kasumi! Mas… também tô preocupada com ela voltando sozinha…
— Sim. Tô ansioso com a possibilidade de envolver a Kasumi nesse tipo de situação… mas ela não vai me escutar… Ela não quer ceder a uma carta de ameaça. Vamos descobrir de novo quem mandou a carta de ameaça pra que possamos nos sentir um pouco mais seguros.
Apesar da atmosfera perturbadora, a família Houjou tava ansiosa pelo primeiro reencontro familiar deles em muito tempo.
***
──[Sky Mountain].
Era um ambiente severo onde monstros poderosos competiam pela sobrevivência, embora não fosse tão ruim quanto o [Great Devil’s Nest], que foi designado como uma área super perigosa.
No entanto, diferente do [Great Devil’s Nest], o [Sky Mountain] era lar de uma ampla variedade de ervas medicinais, muitas das quais só podiam ser encontradas ali. Algumas dessas ervas tinham o efeito de dar a uma pessoa uma quantidade tremenda de poder mágico ou até regenerar uma parte do corpo que tivesse perdido.
Era por isso que não tinha fim o número de pessoas que tentavam imprudentemente encontrar essas ervas sem se importar com o perigo.
Num ambiente tão perigoso, duas sombras se moviam em alta velocidade pela floresta, apesar do apoio ruim pros pés.
(──Nossa… nunca pensei que esse dia chegaria…)
— Isso mesmo…
O coelho que carrega dois títulos Holy, “Kicking Saint” e “Ear Saint,” murmurou num sussurro. A Iris, a “Sword Saint,” respondeu a essas palavras com um traço de nervosismo.
(O fim do conflito com o Evil da nossa geração… não nas mãos de um Holy, mas nas mãos de outro… Quando conheci o Yuuya pela primeira vez, achei que ele fosse só uma pessoa com potencial, mas nunca se sabe o que vai acontecer na vida.)
— É…
Ao lado do Usagi, que falava tristemente, a Iris obviamente tava focada em outra coisa além da história do Usagi, e ficava de olho em cada canto da floresta enquanto se movia.
“(Acredito que tem um ingrediente importante nessa floresta que pode ser usado pra fazer uma poção do amor, né? Além disso, só pode ser encontrado nessa época do ano…)”
[N.T.: a Iris tava falando internamente.]
Sim, a Iris tava pensando numa poção do amor enquanto o Usagi falava seriamente.
Por que ela pensa numa coisa dessas? Era, claro, pra usar no Yuuya.
(Tô ansioso pra ver como ele vai crescer daqui pra frente.)
“(Yuuya-kun… pra conseguir ele, não posso escolher os meios! Da última vez que cozinhei alguma coisa, não conquistei o coração dele… mas mais importante, porque o Evil foi destruído, ele não precisava mais treinar, e essa era uma boa desculpa pra massagem… Eles eram tão fortes; como conseguiram desaparecer tão facilmente? Eles são o Evil, né? Deviam ter sido mais fortes!)”
──Que onda de raiva desmedida.
(Mesmo assim, esse [Sky Mountain] não mudou… espera, ei, Iris?)
“(…Bem, tá bem. É pra isso que serve a poção do amor. Como último recurso em caso de emergência, valeu a pena fazer toda a pesquisa que fiz no passado. Poções com efeitos colaterais ou efeitos fracos estão fora de questão. Pra essa situação, parece que a poção do amor feita dos ingredientes encontrados nessa floresta é a poção do amor ideal!)”
Nesse outro mundo, existiam muitos remédios chamados “poções do amor.” No entanto, a maioria era prejudicial ao corpo humano ou tinha efeitos questionáveis, então não existia uma “poção do amor” ideal.
Numa situação dessas, a Iris sabia que nessa floresta que ela e o Usagi visitavam dessa vez, crescia em grupos uma erva só uma vez a cada três anos, usada como ingrediente pra uma poção do amor que não tinha risco e efeito máximo.
Portanto, quando foi decidido que ela e o Usagi iriam informar os outros Holy sobreviventes e os discípulos deles que o Evil tinha sido derrotado, a Iris pediu fortemente que fossem fazer o relatório pro Magic Saint, que morava ao redor dessa floresta.
O Usagi, que não sabia nada sobre a poção do amor, ficou cético no início, mas já que iam relatar de qualquer jeito, ele realmente não se importou. Ele também viu alguns aventureiros que estavam confiantes em suas habilidades e procuravam as mesmas ervas que a Iris, o que deixou a Iris ainda mais determinada na busca dela.
“(Vou encontrar, não importa o quê…!)”

Mas…
“(Só pode ser coletada nessa época do ano, então se eu perder essa… não vai ter próxima…!)”
(…Iris. Tem certeza que tá me escutando?)
— Você pode parar de falar comigo por um segundo? Não é hora pra isso!
(Você não tá me escutando, hein…?)
O Usagi só conseguiu soltar um suspiro diante da atitude excessivamente óbvia da Iris. A Iris, que busca um namorado, era poderosa.
No entanto, já que a situação continuaria como estava, não tinha sentido apressar um relatório pro Magic Saint, então o Usagi parou no lugar.
Então, como esperado, a Iris também parou.
— O que aconteceu com você?
(Essa devia ser minha fala. Consigo ver isso desde antes. Mas, se você tem algo a fazer nessa floresta, termina primeiro. É irritante…)
— C-como assim, “irritante”? Sabia, meu precioso futuro tá em jogo aqui!
(Sério, o que é com você…)
O Usagi colocou a mão na testa pra suprimir a dor de cabeça.
(…Não me importo com o que é nesse ponto, mas se apressa. Já quase chegamos na casa do Magic Saint. Nunca se sabe que tipo de magia ele vai disparar em você se você agir bobo demais. Mesmo assim, vamos falar sobre algo inacreditável…)
— Ugh… e-eu sei…
Quando a Iris ouviu as palavras do Usagi, se lembrou do Magic Saint que iam encontrar e ficou um pouco mais calma. O Magic Saint tinha estabelecido uma base no Sky Mountain, onde normalmente passava o tempo pesquisando as plantas medicinais que cresciam na área e pesquisando magia.
Além da importância da poção do amor pra Iris, ela também sabia que o Magic Saint que estava prestes a encontrar não era uma pessoa com quem podia brincar, então apertou o punho.
Afinal, ela tinha que ir conversar com alguém que não aceitava brincadeira nenhuma. É difícil imaginar que tipo de resposta esperaria a Iris e o Usagi.
— …Foi um erro dizer que deveríamos ir relatar pro Magic Saint?
(Vamos ter que ir de qualquer jeito, no entanto. A diferença é se é cedo ou tarde. Se cuidarmos do problema primeiro, o resto vai ser mais fácil, né?)
— O resto é fácil, no entanto; o único problemático é o Magic Saint…
(…Não diz isso.)
O Usagi e a Iris suspiraram ao mesmo tempo e retomaram o movimento de novo.