Capítulo 133 – A Escavação da Pedra Mágica e a Experiência Simulada
— Bom, então vamos cavar.
Fico de pé no ponto localizado pela busca e arregaço as mangas. Bom, na verdade vou cavar com magia, mas. A magia de busca confirmou que tem uma pedra mágica aqui, mas não sei a que profundidade está.
— De qualquer forma, só resta escavar a terra mesmo.
Uso magia de Terra e começo a abrir um buraco. Flutuo com [Fly] e transporto a terra escavada pra superfície com [Levitation]. Enquanto avanço escavando, esbarro numa rocha dura. Quebro também com magia de Terra e sigo em frente.
Acho que já escavei bastante, mas ainda não apareceu nada. Já tá ficando bem fundo, hein. Espero não esbarrar num lençol freático.
A rocha vai mudando aos poucos. Algo brilhante começa a aparecer misturado, então paro de escavar e confiro um pouco. Percebo cristais transparentes vermelhos misturados na pedra. Isso é um caco de pedra mágica, né. Um negócio bem tipo grão de areia, de uns 2, 3 milímetros.
Será que o alvo tá perto? Melhor escavar com cuidado a partir daqui.
Escavando devagar com magia de Terra, um grande cristal vermelho surge. É esse?
Pra não danificar, raspo com cuidado a terra e a rocha ao redor, separando-o da camada rochosa. Aos poucos, a forma completa da pedra mágica enterrada vai aparecendo, mas isso não tá maior do que eu imaginava?
Bom, especifiquei "mais de 30 centímetros", então deve ter pegado uma bem grande mesmo. Mas, tamanho grande nunca atrapalha, então não tem problema.
Uso [Levitation] e retiro por completo a pedra mágica de fogo. Realmente é gigante. Passa dos 50 centímetros. Parece uma joia enorme.
Hã? Pensando bem, se eu minerar joias com esse método, não dava pra ganhar uma fortuna?
Hmm, mas isso depende completamente da minha própria capacidade, né. O Kōsaka-san também disse que a administração do país não pode depender demais da capacidade de um único indivíduo.
Não quero nem pensar nisso, mas, mesmo que o país se sustentasse assim, se eu morresse, acabou tudo. Melhor evitar, na medida do possível, ganhar dinheiro desse jeito. Por ora, o desenvolvimento do país tá indo bem mesmo, então vou usar isso só quando precisar pessoalmente.
Seria conveniente se desse pra achar assim também o material metálico pro Frame Gear. Mas não dá pra fazer sozinho da mineração até a extração e purificação.
Mas, se eu vendesse isso, deve dar um preço absurdo, hein… A ideia passa rapidinho pela cabeça, mas o poder do Frame Gear com certeza vai ser necessário mais adiante. Dizendo pra mim mesmo que preciso usar isso pra aquela hora, tapo de volta o buraco que escavei.
— Nossa, é bem grande mesmo, senhor.
A Belflora arregala os olhos ao ver a pedra mágica que trouxe pra "Ala de Alquimia". Como ela diz que não precisa de algo tão grande assim, uso [Modeling] e divido em dois. Parece que é pra ter uma reserva, caso dê errado.
Diz que vai levar um mês pra ficar pronto. Daqui em diante, não tem como eu ajudar, então deixo o resto com a Belflora e sigo pro "Hangar".
Ao ir até a garagem onde o Frame Gear tá guardado, a porta continua totalmente aberta. Ficou quebrada mesmo, então.
Ao entrar, o cavaleiro cinza continua de pé, imóvel, como sempre.
— Oh? É o Mestre, senhor?
— Hã? Mestre?
Ouço uma voz atrás e me viro, e a Rosetta e a Monica estão ali. A Rosetta veste o macacão de sempre, mas por que a Monica tá de uniforme camuflado? Com essa boina verde, ainda por cima, parece até uma tropa especial de algum país. Como sempre, não entendo o gosto dessas garotas.
— O que aconteceu, as duas juntas?
— Já se passaram 5000 anos, então achei melhor fazer uma manutenção leve, senhor. Dentro do "Hangar" tem encantamento pra evitar corrosão e deterioração, senhor, mas poeira e afins acumulam.
— Já falei que não tem poeira nenhuma. Eu cuidava direitinho, viu!
A Monica faz bico diante das palavras da Rosetta. Considerando que ela abre porta com chave inglesa, duvido que fosse cuidar tão direitinho assim.
A Rosetta confere um pouco o entorno do Frame Gear e me chama.
— Não dá pra ativar, senhor, mas quer sentar no assento de piloto, senhor?
— É, vamos ver como é.
Diante da minha resposta, a Rosetta sobe pelo Frame Gear com passadas leves, usando o pé, o joelho e a cintura como apoio. Ao chegar na altura do peito, ela põe a mão sobre uma espécie de painel. Com um "pshiu" de ar saindo, a escotilha do peito se abre pra cima e pra baixo. Ohh.
Imitando a Rosetta, consigo subir até o cockpit de algum jeito, e a Monica sobe até a mesma altura usando uma espécie de guindaste instalado junto à parede. Se tinha isso, era pra ter usado desde o começo…
Espiando o interior, vejo um assento revestido de couro, manetes de controle instalados dos dois lados, instrumentos minuciosos, painéis de vídeo, e botões e alavancas incompreensíveis alinhados sem folga nenhuma. Que cockpit retrô, hein.
Sento logo. É, o conforto não é ruim. Tem uma espécie de pedal aos pés. Será que é isso que faz andar?
— Uma vez que aprende os movimentos básicos de pilotagem, senhor, o resto é questão de costume. O suporte fino e a correção ficam a cargo da própria máquina, lendo o pensamento do piloto, senhor, então, uma vez acostumado, até criança consegue operar, senhor.
— Só que, no fundo, ainda depende bastante do pensamento e da experiência de quem pilota, então um guerreiro veterano fica mais forte, e quem não é fica só num nível mediano.
Entendi. Ou seja, quanto mais acostumado, mais a capacidade física real é aproveitada. Sendo assim, o ideal mesmo pra candidato a piloto é ser cavaleiro ou guerreiro, então? Pergunto pra Rosetta, e ela diz que isso depende da unidade. Parece que tem unidade que serve melhor pra mago, então deve ser questão de escolher pilotos que aproveitem a especialidade de cada um.
— Quero logo fazer ele andar. Deve levar tempo até se acostumar, mas.
Ao sair do cockpit e descer do Frame Gear, a Rosetta se aproxima com uma risadinha contida.
— Já esperava que fosse acontecer isso! Na verdade, eu andei fazendo uma coisa escondido, senhor!
A Rosetta faz uma pose exagerada, num "biff!" dramático. Que que é isso?
Ah, aquilo? Aquilo que ela vivia fazendo escondido faz um tempo?
Guiado pela Rosetta até a "Oficina", encontro dois objetos parecidos com ovos deitados de lado, lado a lado. Do tamanho de um carro compacto. Como são brancos, parecem mesmo ovos de verdade, mas dá pra ver uma emenda fina, então sem dúvida são objetos artificiais.
— Isso aqui é o sistema de simulação pra treino de Frame Gear, o "Frame Unit", senhor!
Babaaan! Com uma pose exagerada, a Rosetta explica a própria criação. Frame Unit? Sistema de simulação, quer dizer, aquele tipo de coisa que dá pra ter uma experiência simulada…
Quando a Rosetta toca na lateral do ovo, a parte frontal, um pouco pontiaguda, se abre pra cima e pra baixo, revelando o mesmo cockpit de Frame Gear que eu tinha acabado de pilotar.
— Isso funciona?
— A energia não é líquido de Éter, senhor, é só energia mágica normal mesmo. Não precisa mover de verdade, senhor.
Bom, é lógico mesmo. Diz que o Frame Gear distribui por todo o corpo a energia mágica contida no líquido de Éter, sincronizando com a energia mágica do piloto. Com isso, parece que fica possível movê-lo como se fosse o próprio corpo. Se o piloto é o cérebro, o líquido de Éter seria o sistema nervoso, então?
Não só isso, também parece servir como catalisador de amplificação explosiva de energia mágica que aciona o reator. A Rosetta e a Belflora explicam, mas, sinceramente, os detalhes não entendi direito. Eu não sou bom com área de exatas, viu.
Pelo visto, com a minha quantidade de energia mágica, dava até pra fazer o Frame Gear andar sem o líquido de Éter, mas, pra isso, seria preciso refazer a estrutura do zero. Parece que existia esse tipo de projeto de Frame Gear também, mas o projeto também estaria no "Depósito". Se eu achar isso, será que dá pra construir uma unidade exclusiva minha?
De qualquer forma, vou testar essa tal simulação.
Ao entrar, de fato parece ter a mesma estrutura do assento de piloto do Frame Gear. Quando a Rosetta fecha a escotilha, uma luz verde fraca ilumina o interior do cockpit.
— Consegue me ouvir, Mestre?
— É a Rosetta? Tô ouvindo.
— Primeiro, vamos ligar o sistema, senhor. Toque no painel do centro da frente, por favor.
Centro da frente… esse aqui? Toco num pequeno painel do tamanho de um caderno B5, e, com um som suave de ativação, vários instrumentos começam a se mover, e imagens aparecem nos grandes monitores da frente e dos lados. Ohh, tela sensível ao toque, que avançado. Sendo que a estrutura é toda retrô.
A visão fica bem alta. Será que essa é a altura de quando pilota o Frame Gear de verdade? Ao redor, uma planície vazia. Ao longe, dá pra ver algo parecido com uma floresta.
— Apareceu alguma coisa?
— É uma imagem deste país, senhor. Foi capturada e processada como cenário de treino, senhor.
Ah, com razão achei que a paisagem me era familiar. É imagem passando pela tela, mas parece bem real.
— Primeiro, vamos fazer ele andar, senhor. Pise devagar no pedal do pé direito, por favor. Depois, o esquerdo. Assim ele anda, senhor.
Faço como ela manda, e a máquina começa a andar devagar. Ohh, balança bastante, hein.
— Pra virar, desloque o centro de peso do pedal que curva pros lados, senhor. Pra andar pra trás, é na direção da ponta do pé. Se pisar rápido, ele corre, senhor.
Ah, ah? Ooh. É divertido. Só ando, viro, ando pra trás, mas se move bem do jeito que penso. Ah, é aquilo, lê o pensamento e ajuda, não era?
Guiado pela Rosetta, depois disso vou aprendendo salto, agachar, movimento lateral, e em seguida, usando os manetes, movimentos da parte superior do corpo: erguer a mão, abaixar, balançar o braço, girar o ombro, e assim por diante.
O prático é que movimentos como girar um pouco o pescoço, abrir e fechar os dedos, torcer a cintura, dá pra fazer só de pensar. De fato, uma vez acostumado, dá pra rastrear os próprios movimentos do corpo. Parece que não é mentira que qualquer um consegue pilotar.
Já bem acostumado, faço a máquina dar uns pulinhos, e outro Frame Gear aparece na minha frente.
— Hã? O que é isso?
Pela aparência, é o mesmo Frame Gear cinza de produção em massa que tava na garagem.
— Parece que já se acostumou bastante, então vamos pro próximo estágio, Mestre.
— Hã? É a Monica?
A voz que ouço é sem dúvida a da Monica. Quer dizer que ela tá pilotando aquilo. Pensando bem, tinha dois ovos. Ela deve ter entrado no outro.
Nesse momento, caem na frente da minha máquina e da máquina da Monica duas espadas foscas, sem enfeite nenhum.
— Agora, vamos aprender os movimentos de combate de verdade, senhor.
Entendi, os dois ovos eram pra fazer combate simulado por comunicação, então.
Estendo a mão pra espada cravada na minha frente e a seguro com firmeza.
Beleza, vamos nessa!