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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 154

O Castelo de Babylon e o Castigo

Capítulo 154 – O Castelo de Babylon e o Castigo

A torre branca que se erguia, mesmo sendo chamada de "torre", parecia ter, no máximo, uns seis ou sete andares de altura. Não tinha nada parecido com janela, e sulcos em padrões geométricos corriam por toda a superfície da parede, em todas as direções. A parede alva reluzia, ofuscante, refletindo o sol.

— Vou expli-car. Aquela "Torre" é… zzz…

— Não dorme.

Dormiu logo depois de comer? Isso é caminho certo pra engordar demais. A Riola tomou a palavra no lugar da Noel, que já estava com os olhos vidrados de sono.

— A "Torre" é um enorme reator de conversão que absorve o mana atmosférico, amplifica e converte em energia mágica. As outras 8 Babylons também têm um equivalente, mas, mesmo somando a potência de todas juntas, não chega perto da "Torre" sozinha. É a instalação que pode ser chamada de coração de Babylon integrada.

Quer dizer, se comparar com um navio, seria tipo a sala de máquinas. Parece que, ao se combinar com as instalações das outras Babylons, gera uma potência tremenda.

Não só aumenta a propulsão, mas também parece elevar a eficiência dos equipamentos de Babylon como um todo. Com isso, talvez até a produção em massa do Frame Gear e a geração do líquido de Éter ganhem velocidade.

— O que a "Torre" tem de mais vantajoso é não precisar fazer quase nada. De vez em quando, um pequeno ajuste é o suficiente, então é bem tranquilo. Por isso, não há problema em eu ficar dormindo. Boa noite.

Dizendo isso, apoiada numa árvore, a Noel já começou a dormir. Ei, ei. Tá tudo bem uma chefe de sala de máquinas assim? Não, ou será justamente por isso que confiaram a ela a administração da "Torre", que dá pouco trabalho…?

Sacudi ela, mas não acordou, então não teve jeito, fiz flutuar com [Levitation] e carreguei junto.

— Ooh… isso é uma nova sensação de sono… pra-zer…

Que barulhenta. Se vai dormir, dorme calada.

Do outro lado da torre branca pra onde a Riola me guiou, erguia-se um "Castelo" também alvo puro. Um pouco menor comparado ao castelo de Brunhild, mas, sem dúvida nenhuma, é um castelo.

Tem um jeito que lembra aquele castelo de um parque temático que fica em Chiba, mas se apresenta como estando em Tóquio. Bom, ou seja, lembra o Castelo de Neuschwanstein, na Alemanha.

— Aque-la é a nossa "Muralha". É o núcleo do sistema de defesa de Babylon, capaz de erguer escudos de barreira contra ataques físicos e mágicos. Também controla, quase tudo, aqui dentro: regulagem de temperatura no campo de Babylon, função de camuflagem externa, detecção de inimigos, direção geral.

Hmm. Se a "Torre" de agora há pouco era a sala de máquinas, aqui deve ser a ponte de comando.

Mas escudo contra ataque físico, é. Será que não é aquela "Pulseira de Barreira" usada no golpe de estado do Império…

— Sim. A "Pulseira de Barreira" utiliza a tecnologia da "Muralha" de Babylon.

Então era isso mesmo. Aquilo foi bem incômodo. Se der pra converter a energia mágica poderosa gerada pela "Torre" em escudo, deve dar pra esperar uma defesa e tanto.

Aliás, será que, pra terem pensado até nisso, é porque existem bastante Phrase do tipo voador, tipo aquele em forma de manta-raia?

— Como é que funciona a interceptação de inimigos voadores?

— Interceptação por Orbes Satélite.

— Orbes Satélite?

— São esferas de oricalco de uns 20 centímetros de diâmetro, com voo autônomo, defesa mágica e endurecimento — funcionam como "projéteis" que rastreiam e atacam sozinhos.

20 centímetros de diâmetro é… enorme. Praticamente do tamanho de uma bola de boliche.

Bom, resumindo, é um interceptor automático em forma de esfera metálica? O método de ataque, ao que parece, é colisão direta, o que é meio bruto, mas talvez seja mesmo o mais eficaz contra Phrase.

Em situação de emergência, dizem que 24 dessas Orbes Satélite ficam orbitando ao redor de Babylon, feito satélites de verdade, abatendo qualquer inimigo que se aproxime, um por um.

Aliás, lembrei de um anime de robô que assisti há tempos, com algo parecido — só que aquilo era uma bateria de canhões de controle remoto capaz de ataque em todas as direções.

Guiado pela Riola, entrei no castelo, e um saguão amplo e imponente se abria diante de mim. Bem cuidado, com manutenção impecável. Difícil de acreditar que seja uma construção de 5000 anos atrás. Deve ter alguma magia de proteção parecida com [Protection] aplicada ali.

Tudo bem, isso não é problema. O que me deixa curioso é esse objeto pequeno que anda se mexendo por aqui desde há pouco, o que será?

Cabeça redonda, corpo cilíndrico. Braços e pernas tipo sanfona, com mãos e pés arredondados. O que é isso?

Bom, pela aparência, é um robô mesmo. De duas cabeças de altura. Ah, isso, lembrei que já vi em reprise de um desenho antigo. É igual ao robô com topete de samurai, criado por um inventor excêntrico da era Edo, assistente e faxineiro. Só que sem o topete.

O tamanho deve ser um pouco menor que aquele. Bom, nunca vi de verdade, mas assim mesmo.

Uns dez robôs pequenos, de umas duas cabeças de altura, mais ou menos 30 centímetros, andavam de um lado pro outro. Nas mãos, carregavam algo parecido com espanador, vassoura ou pano de limpeza. Será que estão… limpando?

— Todos em fila.

Ao comando da Riola, "titite-tite", todos se enfileiraram diante de nós e fizeram continência com precisão. No total, nove unidades.

— A partir de agora, o senhor Mochizuki Touya será o nosso mestre. Não faltem com o respeito.

Os mini-robôs fizeram a pose de continência de novo. Será que esses aqui são os tais golens autônomos em miniatura de que a Rosetta tinha falado antes? Achei que estivessem todos guardados no "Depósito", mas parece que alguns já estavam mesmo em serviço.

— Será que esses aqui conseguem ajudar na manutenção do Frame Gear também?

— Em tarefas simples, sim. Só não conseguem lidar com áreas especializadas demais.

— É todo mundo?

— Ainda tem uns 6 dentro do castelo. Aqui, no total, temos 15 unidades.

15 unidades, é. Deve ajudar bastante a Rosetta e a Monica. Perguntei se dava pra reproduzir na "Oficina", e disseram que, como carregam encantamentos especiais e sistemas exclusivos da doutora, provavelmente não dá. Que pena. Aliás, o tamanho atual já é o melhor formato; se ficar maior que isso, atrapalha o trabalho automático.

Por ora, ordenei que continuassem a limpeza, e os mini-robôs voltaram a se mexer, limpando de um jeito bem apressadinho.

Empurrei a Noel, transportada com [Levitation], até uma cama num dos quartos do castelo.

Coloquei a "Torre" e a "Muralha" a caminho de Brunhild, e, pra buscar todo mundo do nosso castelo, abri um [Gate].

— Isso… é incrível, hein. Eu levei 200 anos só pra deixar a Paula assim.

A Leen erguia um dos mini-robôs, examinando de todo lado, e murmurava isso. Aos pés dela, a Paula estava ajoelhada no chão, batendo o punho, como se dissesse "eu perdi!". Logo depois, começou a fingir um choro dramático virada pro céu, mesmo sem lágrima nenhuma. Não, mas… você já é impressionante o suficiente, viu. Que talento pra atuação é esse.

Dessa vez também não era a "Biblioteca" que a Leen procurava, mas, como apareceu algo que despertou o interesse dela, ela não parece tão abatida assim.

— …Então quer dizer que a senhora Riola é a mais velha entre as irmãs?

— Não temos bem uma ordem de irmãs entre nós, mas, como Babylon Numbers, sou a primeira.

A Riola respondeu à pergunta da Lindsey. Deixando a Noel dormindo dentro do castelo, todo mundo ficou perguntando pra Riola sobre a "Muralha" e a "Torre". Aos poucos, a Riola também começou a fazer perguntas de volta, e virou uma espécie de troca de informações mútua.

O interior da "Muralha" tinha um clima bem confortável de se ficar. Este quarto também é decorado com mobília não muito diferente da que temos no nosso castelo. Ao que parece, a doutora tinha visto o futuro e gostou do estilo.

— Então, a senhorita Yumina, a senhorita Lucia, a senhorita Yae, a senhorita Elsie e a senhorita Lindsey são as esposas do Mestre?

— "Esposas"… bom, em algum momento vai ser isso mesmo, mas.

Meio encabulada, dessa vez foi a Elsie quem respondeu à pergunta da Riola. Por que ela tá perguntando isso, hein…

— E as outras esposas, onde estão?

— …As outras? Ah, a senhorita Sue ainda mora lá em Belfast, decerto.

— Então são seis, no total. E as outras três ainda estão…

— UUUAAAAAAAAAA!!

Sem perceber, gritei alto. Não fala mais nada! Não fala nenhuma bobagem a mais!

Todos os olhares se voltaram pra mim, que gritei de repente daquele jeito.

— …O que foi? Essa reação?

— Ah, o quê? Não tem nada de estranho, não, Lindsey-san.

Perigo. Até eu mesmo percebi que minha voz saiu embargada. Todo mundo lançava olhares desconfiados, investigando. Comecei a suar frio. Que tensão é essa, hein.

Dessa vez foi a Yumina quem se dirigiu à Riola.

— Riola-san. O que quer dizer com "as outras três"?

— Segundo o que ouvi do doutor, o Mestre…

— Não, não, não! Isso não precisa dizer agora, sabia, Riola-san! Espalhar informação incerta assim, sem cuidado, não é lá muito legal, sabia, eu acho!

— Yae-san.

— Entendido.

Seguindo a palavra da Yumina, fui imobilizado por trás com uma chave de braço firme da Yae. Que sincronia perfeita é essa! Justo nessas horas!

— E então?

— Segundo o doutor, que enxergou o futuro à distância, o Mestre teria, ao todo, nove esposas. Foi por isso, inclusive, que dividiram Babylon em nove partes.

— "NOVE!?"

Descobriram. Descobriram mesmo. Todo mundo, exceto a Riola e a Leen, soltou um grito de surpresa. Ei, nem a Paula precisava se surpreender com isso!

— Contando com a Sue, já são seis. Então vão entrar mais três?

— Como posso dizer isso… nem tenho palavras.

A Elsie e a Lu soltaram uma voz de espanto. Não, espera aí. Fiquei espantado sem nem ter feito nada ainda!

— …Touya-san.

— Sim!

— Senta em seiza.

Diante do tom gelado da Lindsey, minha voz saiu falhada sem querer, mas, seguindo a ordem, me afastei da cadeira e sentei em seiza no chão. Qualquer um sabe que contrariar nesse momento seria pura idiotice.

Quer dizer, tô sem convencimento nenhum. Por que tô sendo julgado por algo do futuro que ainda "não" aconteceu?

— Fica aí esperando um pouco.

— Hã?

Deixando-me sentado em seiza, todo mundo se afastou pro canto do quarto e começou a conversar sobre alguma coisa. Ei… esse sentimento de abandono é imenso, viu.

— Será que a gente decide o castigo?

— Não fala "castigo", por favor.

A Leen, que observava o desenrolar da situação achando graça, abriu um sorriso maldoso. Droga, tá se divertindo com isso descaradamente. A Paula, sentada em seiza junto comigo, dava tapinhas no meu ombro, como se me consolasse. Você… que amigo bom, hein…

Enquanto cultivava essa amizade com o ursinho de pelúcia, finalmente todo mundo voltou.

— Será que o castigo vai ser executado?

— Já falei pra não dizer "castigo".

Retruquei baixinho o comentário da Leen, e fiquei esperando a sentença de todo mundo. Ah, eu mesmo já falei "castigo" também.

Depois de um suspiro grande, a Yumina começou a expor a conclusão.

— Chegando a esse ponto, seis ou nove já não faz tanta diferença mesmo. Desde o início, eu já disse que não me importava com quantas concubinas o Touya-san tivesse. E, como ainda não aconteceu nada disso de verdade, não faz sentido culpar o Touya-san por isso.

Ohh… Deus, obrigado.

Sinto que o próprio Deus ia responder "isso não tem nada a ver comigo", mas era mais ou menos esse o meu sentimento mesmo.

— Só que.

A Lu continuou a frase. Ué? Não era inocentado então?

Em seguida, a Lindsey começou a falar.

— …Ficar em silêncio, sabendo disso, não é certo, eu acho. Esconder as coisas vira motivo pra criar rachadura entre marido e mulher, sabia?

— Sendo assim.

— Culpado.

O quê é isso, hein! Deus, me ajuda! Me salva, por favor! Não vai me ajudar mesmo, eu já sabia! Ouvi a voz "isso não tem nada a ver comigo" de novo! Deus está morto!

Sinto que, conforme o número de esposas aumenta, minha posição só vai enfraquecendo cada vez mais… Monogamia parece uma coisa maravilhosa agora. Quem foi que disse que harém era o sonho de todo homem? Traz aqui essa pessoa, que eu mostro a realidade.

— E-então… o que vocês querem que eu faça?

— Se você der um beijo em cada uma, a gente perdoa. As ações do Touya-san deixaram a gente insegura. É obrigação demonstrar afeto suficiente pra desfazer essa insegurança.

Que barra alta, hein… Já beijei a Yumina e a Lindsey, mas as outras três, ainda não. Dá pra sentir quase o som de fundo: a Yumina sorridente, a Lindsey encabulada, a Lu com o coração acelerado, a Yae toda travada, a Elsie inquieta.

Sinceramente, é constrangedor, e eu queria disfarçar de algum jeito e deixar isso passar em branco, mas não dava pra sair correndo.

Enquanto a Leen e a Paula zombavam ao lado, fui beijando, uma atrás da outra, todas em ordem. Que negócio é esse.

Só que, depois do beijo, a Lu fugiu correndo de mim com o rosto todo vermelho, e a Yae, por algum motivo, me pegou pelo braço, encabulada, e me jogou no chão. Já a Elsie me acertou em cheio no peito com um golpe giratório violento. Ei, é sacanagem soltar um "corkscrew blow" só porque ficou com vergonha, não é?

Num certo sentido, talvez, se eu não me acostumar com esse tipo de coisa, minha vida vá correr risco de verdade.

Com a consciência se esvaindo aos poucos, fiquei pensando vagamente, sem chegar a resposta nenhuma, se aquilo era felicidade ou infelicidade.

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